Carta à Reitora, enviada e protocolada em 20 de junho de 2007.

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Neste momento de retrocesso da falsa democracia em que vivemos, a face ditatorial de nossa sociedade se explicita:  prendem-se estudantes em luta pelo o que dita a Constituição Federal,  que é o direito de todos a uma Educação Gratuita de Qualidade.

Para não esquecermos de nosso passado, postamos a letra de uma música de Julinho da Adelaide (Chico Buarque), em repúdio a ação policial no campus de Araraquara na calada da noite.  

 

Acorda Amor

Composição: Leonel Paiva/Julinho da Adelaide (Chico Buarque)

 

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão

(...)

Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)

 

P.S.: Fecham-se as portas e os ouvidos antes, para depois, coagir fisicamente os que se fazem ouvir.


A inaceitável ação policial no campus da Unesp de Araraquara é mais um ato repressor levado a cabo pelo diretor da Faculdade de Ciências e Letras.

 

Há poucas semanas o mesmo diretor baixou uma portaria de caráter inconstitucional remontando às práticas da ditadura militar com o intuito de impedir a discussão e os discursos de caráter político dentro do campus. A panfletagem, os cartazes de caráter político,as reuniões de alunos com o intuito de discutir a atual situação da instituição estão proibidos de maneira que o acesso dos alunos aos anfiteatros está proibido pela portaria. As reuniões que tiveram que ocorrer fora dos anfiteatros foram vigiadas pelos seguranças da instituição que tiraram fotos dos alunos e perguntavam seus nomes para eventuais processos arbitrários da universidade contra estes.

 

Pelo jeito não avançamos muito desde a re-democratização...

 

 Este é um Manifesto assinado por intelectuais contra a repressão ao movimento estudantil, em defesa das liberdades democráticas


Ninguém é ilegal: os estudantes não estão sozinhos!

Espanta-nos o grau de perseguição e repressão ao movimento estudantil da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, campus Araraquara. No início de 2006 a congregação desta unidade expediu a Portaria 002/2006, onde se proíbe a realização de “ações político-partidárias”; proíbe-se, novamente, “quaisquer atos que interfiram no bom andamento das atividades acadêmicas” – e, não contentes! – proíbe-se ainda, sem a prévia autorização da diretoria, a “afixação de cartazes, distribuição de panfletos, fazer discurso por megafone, aparelho de som ou de viva-voz”, permitindo, agora sim, a entrada da polícia no campus (!). Ora, o que é isso senão a vigência e o reacionamento do Decreto-Lei N.º 477 (26/02/1969) – o chamado “AI-5 da Educação”?

Logo após o decreto desta portaria, duas estudantes foram suspensas por seis meses, tentou-se instituir “carteirinhas” e catracas na moradia estudantil e estudantes foram ameaçados de despejo (nesse processo os/as não-moradores foram proibidos/as de entrar na moradia por 15 dias, como tentativa – bastante evidente – de contenção das mobilizações estudantis). E, por fim, no segundo semestre, a congregação votou o fim da Moradia Estudantil.

Agora, nesta mesma instituição, quatro estudantes poderão ser expulsos/as da universidade: são “responsáveis” por uma manifestação – ao dia 15/03 – contra a privatização da universidade e a invasão dos bancos. A manifestação contou com mais de 100 estudantes.

Durante anos a fio, o Brasil sofreu com o arbítrio e o autoritarismo perpetrados pela ditadura civil-militar, instaurada após o golpe de Estado, em 1964. Muitos/as foram os/as que lutaram pela democratização de nossa sociedade, muitos/as pagando mesmo com a própria vida por essa luta. Quarenta e sete anos após o golpe e vinte e sete anos depois da “democratização”, pouca coisa mudou: a questão social no Brasil ainda é um caso de polícia. Assistimos hoje a um crescente processo de criminalização dos movimentos sociais e populares. Muitos militantes estão sendo presos em todo o país – como “exemplo” para os demais –, há um claro ataque a direitos históricos dos/as trabalhadores/as, com as (contra) reformas, e até mesmo a possibilidade de proibição de um instrumento de luta, histórico e legítimo, dos/as trabalhadores/as: a greve. São fatos que demonstram que o estado de exceção permanece sendo a regra geral. Liberdade? Só para banqueiros, multinacionais, latifundiários, usineiros...

Nas universidades públicas, esta tendência também está presente. Para governos, reitorias e diretorias a solução para a crise do ensino superior é o aprofundamento do processo de mercantilização. Veja-se a Lei de Inovação Tecnológica, a legalização das fundações de “apoio”, o Prouni, a diminuição do número de docentes, o corte de verbas etc., enfim, medidas estas articuladas à Reforma Universitária de Lula/FMI, em andamento. Concomitante e necessariamente, aumentam os casos de autoritarismo e repressão no interior das Universidades. Mais recentemente, nas universidades estaduais de São Paulo, assistimos aos decretos-intervenção do governador Serra. Esses decretos ferem o princípio constitucional da autonomia universitária, submetem as universidades públicas a uma pretensa Secretaria Estadual do Ensino Superior, que abriga igualmente cerca de 500 instituições privadas, e dificulta o repasse do ICMS, com o controle burocrático do orçamento e das finanças.

Nesse sentido, os estudantes tem sido o principal alvo das repressões orquestradas por governos, reitorias e diretorias. Não é à toa. O Movimento Estudantil Combativo segue resistindo aos ataques neoliberais à universidade pública. Pelo país afora, são inúmeros os casos de prisões, expulsões e perseguições políticas, câmeras de vigilância, sindicâncias, proibições e ostensiva presença de PMs nos campi. Somente na FAU/USP, foram mais de 80 sindicâncias (10% dos estudantes), tão-somente por que os estudantes organizaram uma festa. Uma festa! Três estudantes já foram expulsos da Unesp, enquanto duas foram suspensas. Dois estudantes da USP foram condenados à prisão, por terem “pichado” uma convocação de uma manifestação no asfalto da universidade.

Por tudo isso que dissemos acima, nos solidarizamos com os estudantes em movimento e, neste momento particular, com os/as estudantes da Unesp-Araraquara. Reivindicamos e exigimos, da diretoria da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp campus Araraquara (FCL-Car/Unesp), bem como do corpo de delegados/as de sua respectiva congregação, a imediata suspensão da sindicância e a revogação da Portaria 002/2006.

Nenhuma punição aos estudantes!
Basta de repressão ao Movimento Estudantil!

Em defesa das liberdades políticas de organização e manifestação dos trabalhadores e da juventude. Hoje, como antes, consente quem cala!



ALGUNS NOMES QUE JÁ ADERIRAM AO MANIFESTO:

Luiz Fernando da Silva, professor de Sociologia de Unesp-Bauru;

Alvaro Bianchi, professor de Ciência Política da Unicamp;

Luziano Pereira Mendes de Lima, professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Alagoas;

João Quartim de Moraes, professor de Filosofia da Unicamp;

Caio Navarro de Toledo, professor de Ciência Política da Unicamp;

Ruy Braga, professor de Sociologia da USP;

Hector Benoit, professor de Filosofia da Unicamp;

Angela Lazagna, doutoranda em Ciência Polícia da Unicamp;

Danilo Martuscelli, doutoirando em Ciência Polícia da Unicamp;

Roberto Della Santa Barros, pesquisador-junior e doutorando em Comunicação da Clacso-Unesp/Universitat Autònoma de Barcelona;

Fernando Ferrone, membro da Revista Outubro e mestre em História pela Université de Bourgogne;

Giovanna Oliveira Baccarin, jornalista;

Tatianny de Souza de Araújo, secretária da Conlutas-RJ;

Diego Cruz, jornalista do Opinião Socialista;

Yara Fernandes Souza, jornalista do Sindsef-SP;

Jeferson Choma, historiador;

Wilson H. Silva, professor de Imagem e Som da Uniban;

Cecília Toledo, editora da Revista Marxismo Vivo;

André Valuche, assessor da Conlutas-SP;

Angelica Valente, cineasta documentarista da EICTV-Cuba;

Bernardo Cerdeira, jornalista;

Eric Gustavo Cardin, professor de Sociologia da Uniamerica;

Henrique Canary, professor e tradutor da editora Sundermann;

Iraci Borges, bibliotecária da editora Sundermann, sanitarista e mestre em Comunicação;

João Ricardo Soares, especialista em Relações Internacionais do Ilaese-SP;

José Welmowicki, editor da Revista Marxismo Vivo;

Marcelo Dalla Vecchia, professor de Psicologia da UFMS;

Valério Arcary, professor de História do Cefet-SP



 

Denunciamos e repudiamos a ação policial contra os estudantes da Unesp/Araraquara. Neste momento, está sendo cumprido pela tropa de choque o mandado de reintegração de posse da diretoria da FCL (Faculdade de Ciências e Letras), ocupada no dia 13 de junho.  Os estudantes, estão sendo presos mesmo após terem desocupado o prédio pacificamente, de mãos dadas, sem oferecer resistência, conforme já haviam deliberado.

Repudiamos a política de bater, prender, para não dialogar. Criminalizar a ação política estudantil é uma forma de inviabilizar ainda mais o diálogo democrático, proliferando o medo como forma de governo, o que remete aos anos do regime militar. 

Nós, estudantes da ocupação da USP, fazemos um chamado a todos os estudantes e cidadãos para que se manifestem contrários a essa inaceitável política repressora, e pela imediata libertação dos estudantes presos.

 

Hoje recebemos uma moção de apoio do Diretório Central dos Estudantes e do Centro Acadêmico de Jornalismo da Universidade Sagrado Coração de Bauru.

 Agradecemos o apoio e entendemos que as lutas dos estudantes e da sociedade são hoje uma só, por melhores condições de vida, ensino e por algum pingo de democracia, hoje uma utopia.

"Derrubar as prateleiras, as estantes, as estátuas, louças, livros..." leia

Verdade histórica e verossimilhança

 

Com o prof.º  João Adolfo Hansen

Hoje, às 19 horas, no CO (USP)

Segunda feira, 18 de junho, haveria uma reunião entre a Comissão de Negociação e a Diretora da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC). Em ato, os estudante foram ao E1, prédio onde ocorreria a reunião, e se depararam com uma nota na entrada do prédio comunicando que haveria segurança privada 24 horas controlando as entradas. A confirmação da reunião dada a secretária da diretoria na semana anterior foi de que participariam de 4 a 6 estudantes. No início da reunião, a Diretora Maria do Carmo Calijuri não aceitou a presença de mais de 4 estudantes, e após discutirem, a reunião foi encerrada com o convite de retirada da Comissão de Negociação. Após manifestações e discussões dos estudantes, um representante da comissão tentou remarcar a reunião. Com a resposta de que a disponibilidade de horários da diretora era pequena, e que somente em agosto haviam horários livres, os estudantes decidiram entrar no prédio como forma de pressão. Os seguranças tentaram impedir a ocupação, porém, sem sucesso. Após a entrada, trancaram as portas do prédio mantendo presos parte dos estudantes.
Em seguida a portaria foi liberada e, a direção propôs a reunião para quarta feira, dia 20. No saguão do E1, os estudantes discutiram por mais de duas horas definindo que o prédio seria desocupado caso duas pautas fossem atendidas: o livre acesso ao prédio (retirada dos seguranças privados) e que a data da nova reunião fosse agendada para terça feira, 8h.
Após negociação com os acessores da direção, e conversas deles por telefone com a diretora, as pautas não foram aceitas, e os estudantes permaneceram no prédio.

 http://caaso.wikidot.com/forum/t-11837/e-1-ocupado

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 "São Carlos além de possuir o Bloco C de salas de aula da Escola de Engenharia de São Carlos ocupado, em virtude da falta de alojamento estudantil, possui o prédio administrativo central desta mesma escola ocupado. Aliás, esta nova ocupação foi na verdade uma reintegração de posse do prédio, já que ontem o acesso a este edifício tornou-se restrito com a contratação de seguranças particulares para controlar a entrada no prédio (apenas dois estudantes por vez poderiam estar dentro do prédio). Devido a este fato e também devido à atitude da Diretora desta Escola de cancelar uma reunião com uma comissão de alunos em virtude de que os estudantes queriam que seis alunos participassem da reunião, ao invés de quatro, o prédio foi tomado. Hoje, o prédio funciona normalmente, exceto pela presença de krafts nas paredes externas, e colchões e seguranças particulares no interior do prédio."
R.D.A. - Engenharia Ambiental EESC-USP em e-mail

Estudantes da Unicamp ocuparam o prédio da Diretoria Acadêmica no fim da tarde, enquanto o Fórum das Seis se reunia no próprio campus da universidade.

Parabéns estudantes da Unicamp pela reorganização do movimento!!

Força às ocupações pelo Brasil 

 

Prezado Sr. Ministro Gilberto Passos Gil Moreira,


Nós, estudantes que ocupamos a reitoria da USP, fazemos um apelo a sua presença aqui no movimento de ocupação da reitoria. Estamos já há mais de 40 dias ocupados, em defesa cultural e política da Educação Pública, sob ameça física de uma ação da tropa de choque para a reintegração de posse, pedida pela Reitora Suely Vilela. Nosso movimento, pacífico, tem promovido conjuntamente com professores e entidades da sociedade uma extensa programação cultural-política ao longo dessas últimas semanas.

Buscamos quebrar a apatia política que tem permitido aos governantes agir sem consulta à população, escondidos nos muitos palácios, a governar por decretos. Queremos o direito e a responsabilidade da atividade política, popular e direta, livre e cotidiana. A legitimidade de nossa causa, somada a nossa determinação em defendê-la, inspirou o movimento estudantil em todo o país a sair às ruas para transformar a triste realidade brasileira, através da cultura e da educação.

Não mais nos calaremos. Lutamos para democratizar o acesso e melhorar a qualidade do ensino público, em todos os seus níveis. O Senador Eduardo Suplicy esteve presente aqui para uma conversa conosco, e se disponibilizou a intermediar o diálogo com a reitoria. Mas nesse “diálogo” não somos ouvidos nem por governo nem por reitora. Tentam nos criminalizar.

Continuamos sob ameaça de repressão policial, continuamos sendo esculachados pela mídia conservadora, continuamos atacados pelo autoritário governo de São Paulo. Mesmo assim, continuamos com esperanças e seguimos. Seguir com os outros é conseguir.

Nisso tudo, consideramos que sua presença seria muito valiosa para nossa vivência coletiva e muito apreciaríamos sua contribuição. Convidamos você a nos visitar aqui na USP na quarta feira (20/06), ou em outra data, caso não avancem as negociações e não se alcance um consenso.



Comissão de Cultura

Ocupação da Reitoria da USP

http://ocupacaousp.noblogs.org

Data: 19/06 (terça-feira) Horário: 20h Local: Reitoria A presença de todos os cursos é muito importante para organizar nossa mobilização. Participe! Vale lembrar que o Comando é aberto a todos alunos da USP.

 

 

Cultura Islâmica

 

por:   Leon Kossovitch

professor da Faculdade de Filosofia da USP

Hoje, às 18 horas, no CO.

 

 

SOLICITAÇÃO DE REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES COM A REITORIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

(PROTOCOLADA PELO CHEFE DE GABINETE DA REITORIA, PROFESSOR ALBERTO CARLOS AMADIO)

 

 

 


Na reitoria ocupada da usp, sala pró-okupa

 

Programação do cineokupa – de 17/06/2007 a 23/06/2007


Sessões: segunda às 14h e as 21h, terça a sábado às 17h e às 20h e aos domingos às 17h e às 21h

 

Domingo


Tempos Modernos



Filme de Charlie Chapplin

Segunda



Outubro

 

Filme comemorativo dos dez anos da revolução Russa. Mostra os acontecimentos que precederma a revolução russa de 1917 quando o partido bolchevique tomou o poder na Russia.

 

Terça


Ocupar o olhar: curtas da ocupação


Ocupar o olhar: compilação de filmes sobre ocupações estudantis. a idéia é que reconheçamos as possibilidades de representação do processo que representamos.

Quarta

 

Soy Cuba


História de Cuba Pré-Castrista sobre o prisma do cinema revolucionário Russo. Filmado com película ultra sensível infravermelha.

 

Quinta


Ocupar o olhar: curtas da ocupação


Ocupar o olhar: compilação de filmes sobre ocupações estudantis. a idéia é que reconheçamos as possibilidades de representação do processo que representamos.

 

 

Sexta


Seção Especial de Justiça


Filme de Costa Gravas que mostra como a justiça atuou com base em lei retroativa para condenar presos políticos na França durante a invasão nazista na Segunda Guerra Mundial

 

Sábado


Corações e Mentes

 

Principal filme sobre a guerra do Vietnã, este documentário foi o primeiro filme a mostrar o lado dos vietnamitas na guerra.

 

 

 

Participe do cineokupa e colabore trazendo seus filmes!

A ocupação, contada por alguns ocupantes. Uma pequena proposta a reflexão.

 

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