09 May, 2007 17:45
Ae, link para os vídeos do debate realizado com os professores na
segunda.
http://www.youtube.com/profile?user=ocupareitoria
09 May, 2007 03:59
O documento abaixo foi redigido por estudantes moradores do Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) que estão participando da ocupação. Não se trata de resoluções das plenárias de ocupação, mas de reivindicações destes estudantes acerca da pauta já aprovada. Abaixo estão as suas propostas: Comitê Canalhas - Crusp na ocupação A HORA É AGORA!!! Tendo em vista a contribuição ao debate da assistência estudantil, nós cruspianos, nos reunimos para discutir as propostas referentes à moradia estudantil, uma vez que foi consenso entre a maioria presente que a forma como foi colocada a pauta pouco contribuía para uma mobilização consciente dos estudantes. Percebemos que o espaço das plenárias não tem privilegiado a discussão qualitativa da pauta, assim como acreditamos na importância de coletivizar o debate acerca da moradia a partir de situações vivenciadas pelos cruspianos e candidatos a esse direito. Entendemos que a ocupação para além de ser um instrumento de pressão para conseguir as reivindicações, é um espaço que possibilita a interação dos estudantes de forma a fortalecer as ações coletivas em processo e a criação de novas redes de cooperação entre a comunidade universitária, tendo em vista a defesa permanente do espaço público. Nesse sentido compartilhar as experiências vivenciadas cotidianamente pelos cruspianos significa tornar público uma situação que é de interesse público. Ponto da pauta atual sobre a moradia:Formulação, em conjunto com os estudantes, de um projeto de longo prazo para a moradia estudantil em todos os campi da USP, os quais devem definir desde a estrutura física das moradias até a autonomia dos moradores sobre os espaços que utilizam. Nos casos de Ribeirão Preto e São Carlos: solução imediata referente à falta de vagas, através da construção de novas moradias, e não apenas em formas paliativas, como o Auxílio Moradia. Especificamente para o campus Butantã exigimos: 1) a construção imediata de três novos blocos de moradia, totalizando 594 vagas, bem como a reforma dos blocos já existentes; 2) Garantia de moradia decente para todos os estudantes alojados no CEPEUSP e no CRUSP. Transporte e alimentação aos fins de semana; 3) Que os atuais estudantes não sejam expulsos da moradia enquanto possuam vínculo com a universidade; 5) criação da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. Fizemos a reunião dia 08 de maio, segunda-feira, para darmos andamento na discussão a respeito das pautas da moradia que havia iniciado no dia anterior, a reunião contou com a presença de cerca de 80 moradores e conseguimos entrar em consenso nos itens que segue abaixo: 1. Proposta de alteração do texto do item 1 do ponto de pauta sobre a moradia:Especificamente para o campus Butantã exigimos:Que a reitora se comprometa imediatamente a garantir a construção de três novos blocos totalizando 600 vagas, bem como a reforma dos blocos já existentes. A construção deve ser finalizada no prazo máximo de um ano. Deverá ser garantida dotação orçamentária anual para a política de permanência; 2. Proposta de modificação do item 2, sobre a questão dos transportes:Ônibus da SPtrans circulando dentro da USP todos os dias da semana, inclusive sábados, domingos e feriados. Circular da USP funcionando todos os dias inclusive de sábado, domingo e feriado, das 6h às 24h, com intervalo de 30 minutos. Os circulares USP não devem ser terceirizados; 3. Proposta de acréscimo à pauta:Exigimos a imediata incorporação dos blocos K e L à moradia estudantil; Que as colméias do Crusp sejam desocupadas, exceto o Cinusp, e passem ao controle dos moradores para criação de espaço de vivência e alojamento provisório.Proibição de atividades esportivas na frente ou no entorno da moradia que cause transtorno aos moradores e impeçam o deslocamento normal dos mesmos.Reabertura do campus para todos, 24h por dia. Convidamos a todos para comparecer, quarta-feira, dia 09/05, às 23h, na ocupação, para dar continuidade às discussões sobre as propostas a respeito da moradia que não encaminhamos no último encontro. Onde? Primeiro saguão à direita da ocupação.Quando? 09/maio/2007, quarta-feira, às 23h. Atenção!!Dia 09/05 às 18 h haverá a Plenária da ocupação onde discutiremos o retorno da comissão de negociação que se reunirá às 11h com a Reitora.
09 May, 2007 03:59
Reunidos em assembléia geral na terça-feira, 8/5, os estudantes da USP deliberaram pela manutenção da ocupação da Reitoria. A decisão foi tomada com base no resultado da primeira reunião de negociação com a reitora da universidade. A assembléia aconteceu das 19h até às 23h e contou com a participação de mais de 1000 (mil) estudantes. O movimento entende que é possível e necessário avançar no que pode ser alcançado quanto às reivindicações. Para tanto, a reitoria permanecerá ocupada até que os resultados das negociações contemplem as prioridades apontadas pelos estudantes. Após a assembléia de 8/5, uma carta foi enviada à reitoria comunicando a disposição do movimento para continuar o processo de negociação. Na carta, o movimento chama uma segunda reunião com a reitora marcada para hoje, 9/5, às 11h. Foi acertada também uma plenária, às 18h, que discutirá os novos resultados. Além disso, foi aprovada uma paralisação no dia 10/5 - data na qual os servidores públicos estaduais também farão protestos - e uma nova assembléia no dia 16/5, com indicativo de greve estudantil.
09 May, 2007 03:58
Terminou às 23h10 a Assembléia Geral dos estudantes da USP. Dentre as resoluções estão: continuação da ocupação e indicativo de greve para o dia 16 de maio.Em breve, a íntegra da ata.
08 May, 2007 03:57
São Pedro mais uma vez revela seu caráter reacionário e anti-movimento. Mandou uma chuva fria e a assembléia teve que se mudar para o prédio da história, onde todos poderão votar tranquilamente e voltar para a ocupação sem resfriado.ENTÃO TODOS AO PRÉDIO DA HISTÓRIA PARA CONTINUAR A ASSEMBLÉIA!
08 May, 2007 03:56
Devido à quantidade surpreendente de pessoas interessadas em participar da Assembléia Geral dos Estudantes Campus Butantã, a mesa decidiu realizá-la em frente ao prédio da Reitoria. Mais de 1000 estudantes estão presentes na Assembléia neste momento.
08 May, 2007 03:55
De rabo preso com o leitor A predisposição em desqualificar o movimento de ocupação também transparece na matéria "Estudantes ocupam reitoria da USP" , veiculada pelo Último Segundo, do IG, às 19h49 do dia 3, que destaca em seu lide a ocorrência de uma depredação jamais ocorrida: "Cerca de 300 estudantes ocuparam e depredaram a sede da reitoria da Universidade de São Paulo entre a tarde e a noite desta quinta-feira". A edição impressa de sexta-feira (4) da Folha explicita a mesma intenção na matéria "Estudantes invadem gabinete da reitoria da USP" ao dar atenção especial para um fato de relevância jornalística duvidosa, mas de grande significância: "Um dos estudantes que não queriam deixá-la entrar [a pró-reitora de pesquisa as USP, Mayana Zatz] estava de chinelo e bermuda". Não foi diferente o caráter que o portal G1 deu ao acontecimento: o desencontro de informações também se faz presente na cobertura do sítio noticioso das Organizações Globo. Na matéria "USP: ocupação segue até o fim de semana" , publicada no dia 4, às 20h55, uma das reivindicações dos ocupantes, que aparece na declaração de uma estudante, é reproduzida de modo equivocado: "Um dos pontos principais que queremos é o repúdio aos decretos do governador José Serra". Mesmo antes da ocupação, a requisição do movimento estudantil sempre foi no sentido de exigir um posicionamento público da reitoria quanto aos decretos do governador José Serra, fosse ela favorável ou não a eles. No texto "Alunos criam sua própria 'Virada Cultural' durante ocupação na USP" , publicado no mesmo portal, às 04h56 do dia seguinte, a fala da estudante aparece retificada: "Um dos pontos principais que queremos é uma posição da USP sobre os decretos do governador José Serra". Mas o portal voltou ao erro inicial com a notícia "Alunos e reitoria da USP marcam novo encontro para discutir ocupação" , publicada às 15h00 do mesmo dia, na qual aparece novamente, logo no subtítulo, a reivindicação distorcida: "Alunos querem que a universidade se oponha a decretos do governo". Em virtude dos abundantes exemplos de mau uso do material jornalístico, os ocupantes o prédio decidiram vetar a entrada de jornalistas já na noite do dia 3. A intermediação com a imprensa é feita pela Comissão de Comunicação, que abrange uma equipe de voluntários que produz internamente todo o material a ser distribuído e faz a atualização on-line da ocupação pelo blogue do movimento. Já foram mais de dez mil acessos à página, que conta com informações sobre a ocupação, fotos e entrevistas. Há ainda uma emissora de rádio via internet (Rádio da Ocupação FM - 106.7 MHz). Importante ressaltar, ainda, que as pautas apresentadas em nossas ações midiáticas apontam para um cenário de mobilização bastante anterior à ocupação. Problemas de infra-estrutura física e docente na USP, por exemplo, são assuntos recorrentes e de fácil acesso à imprensa. Nessa perspectiva, os equívocos ou omissões na cobertura sobre as demandas de Universidade apresentados pela mídia são sintomáticos do desinteresse dos principais veículos de comunicação em pautar e acompanhar qualitativamente as condições da educação pública paulista.
08 May, 2007 03:55
*Texto publicado originalmente no Observatória da Imprensa A cobertura sobre a ocupação da reitoria da USP Por Fábio Nassif (*) em 8/5/2007 (*) Em nome da Equipe de Comunicação da ocupação da reitoria da USP Ao iniciar a ocupação do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) (iniciada no dia 3, às 17h30), os estudantes-ocupantes organizaram-se em comissões: Alimentação, Comunicação, Limpeza e Segurança. Uma das primeiras a se constituir foi a de Comunicação, formada para o atendimento à imprensa no local. Hoje, dia 6 (0h53), podemos fazer uma primeira análise da cobertura da imprensa. Avaliamos o material publicado, especialmente na grande mídia, e acompanhamos, em campo, do trabalho de repórteres e fotógrafos. Início Quando a imprensa chegou ao local, a comissão de comunicação recebeu repórteres e fotógrafos, explicando o desencadear dos fatos, da mesma forma como foi divulgado em release para imprensa de todo o Estado de São Paulo. "Cerca de 350 estudantes da USP ocuparam às 17h do dia 3 de maio o gabinete da reitoria da universidade, reivindicando a revogação dos decretos 51.460, 51.461, 51.471, 51.636 e 51.660 do governador José Serra, que interferem na autonomia das universidades públicas. Entre as reivindicações estão: contratação de professores, melhoria da infra-estrutura da universidade e ampliação das vagas na moradia estudantil (este documento traz a íntegra das reivindicações). Os estudantes haviam convidado a reitora Suely Vilela para discutir os decretos e a autonomia em audiência pública, abertamente. No entanto, ela avisou que não compareceria e a reitoria confirmou presença de um representante. Na data marcada (16h do dia 3) ele não compareceu. Os estudantes decidiram caminhar à reitoria para apresentar ao vice-reitor sua pauta de reivindicações. A segurança do prédio tentou impedir a entrada dos estudantes, que decidiram ocupar o prédio para se fazer ouvir após meses de tentativa." Fotógrafos da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo registraram imagens do interior do prédio ocupado. Alguns profissionais, entretanto, acharam desnecessária uma visita ao local, limitando-se a conversar com "fontes oficiais", como a assessoria de imprensa da Reitoria. Matéria do site Folha Online, publicada às 21h36 do dia 3, intitulada "Estudantes invadem reitoria da USP; móveis e portas foram destruídos" é resultado deste comportamento. A reportagem da Folha publicou apenas informações da assessoria de imprensa, apesar de não creditar todas as observações que faz ao órgão, parecendo observações da repórter. A matéria afirma que "os estudantes quebraram portas, móveis e expulsaram todos os funcionários do prédio, que tem cerca de mil servidores", e na seqüência coloca que "representantes dos alunos negam danos e afirmam que os móveis do local foram desmontados". Se repórter e fotógrafo tiveram oportunidades de verificar pessoalmente se houve ou não quebra do mobiliário da reitoria, torna-se infundado o desencontro das declarações. Da mesma forma, o jornal deixaria de incorrer em novo erro se a repórter tivesse se dado ao trabalho de verificar que a ocupação foi realizada no final de expediente, quando o prédio já estava esvaziado. A pequena parcela de funcionários que ainda se encontrava presente saiu sem que houvesse qualquer tipo de pressão por parte dos estudantes. Em português claro, significa que os manifestantes não "expulsaram mil funcionários do prédio". Jornalismo em tempo real Os portais de internet Universo Online (UOL) e Folha Online na noite de quinta-feira, 3, destacaram uma única foto da ocupação, apesar das muitas fotos tiradas por Marlene Bergamo, fotógrafa do jornal. A imagem escolhida foi a da fachada do prédio, acompanhada da seguinte legenda nos portais de notícia: "Reitoria da USP é ocupada e depredada durante protesto" . Aceitando que o valor-notícia de uma porta arrombada com os escombros do teto espalhados pelo chão é maior do que uma imagem de muitos estudantes sentados em roda discutindo a pauta de reivindicações do movimento, ressalta-se que a contextualização da imagem não foi feita devidamente. Ao chegar ao prédio, público e acessível a qualquer pessoa, os estudantes se depararam com uma porta fechada. Tentativas frustradas de diálogo com a Reitoria se acumularam desde o início do ano, culminando em um inevitável desgaste e, conseqüentemente, numa atitude extrema. Para ocupar o prédio, a porta teve de ser aberta, o que implicou uso de força, visto a recusa dos seguranças do prédio em abrirem a porta. Os alunos, não obstante, tentaram minimizar os danos desta entrada. Além disso, a ocupação do prédio levou os alunos a zelar pela integridade do prédio. Continua...
08 May, 2007 03:51
... (continuando) Leon Kossovitch (Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), afirmou que "a luta continua. Desde os tempos da Maria Antonia eu vejo que a coisa não pára no momento em que nós nos atolamos", e por isso veio prestar sua solidariedade aos estudantes ocupantes. Ainda espera "que nós possamos ampliar, como foi proposto pelos colegas, este movimento para todos os campos da docência, não só da universidade". Relembrou, apesar de admitir que "quando se falou nos nossos fracassos, se falou com justeza", dos "nossos muitos sucessos, pelos quais devemos felicitar os professores, mas principalmente os alunos e em grande parte também os funcionários". Kossovitch ainda reiterou o interesse na situação latino-americana como um todo e rememora a conflituosa relação com "os padrões da comunicação em massa. E que, infelizmente, como sempre, a grande imprensa está contra nós. Nós devemos sempre saber que ela está aí, clara, e ela vai inventar aqui fatos que nunca ocorreram pra indispor a população em geral contra esse movimento". Adma Muhana (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Filosofia), mais do que manifestar o apoio à ação dos alunos, a professora mostrou-se contrária à moção apresentada pela congregação da FFLCH, rechaçando o repúdio. Endossou a validade do ato, citando a movimentação e a presença massiva dos estudantes presentes na "conversa" com os docentes . Segundo ela a primeira vitória foi a ocupação , a segunda a presença dos docentes, o que configura a criação de um canal de diálogo. Apoiadores: Ruy Braga (Professor do Departamento de Sociologia) Helder Garmes (Professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas) Hamilton Octavio de Souza (Chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP) Laurindo Leal Filho (Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes) Osvaldo Coggiola (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Maria Célia (Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Lincoln Secco (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Marcos Silva (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Marlene Suano (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Renato Queiroz (Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas)
08 May, 2007 03:50
Moção de Apoio aos Estudantes da USP O Conselho de Representantes da Adusp-S.Sind., reunido em 8 de maio de 2007, manifesta seu apoio às reivindicações dos estudantes da Universidade de São Paulo. A defesa da autonomia das universidades públicas impõe a necessidade de manifestação dos diversos segmentos das Universidades Estaduais Paulistas quanto aos decretos do governador. Nesse sentido, consideramos legítima a reivindicação dos estudantes por um pronunciamento da Reitoria da USP a respeito de tais decretos. A compreensão de que a educação pública é direito de todo cidadão nos leva também a apoiar a reivindicação por um projeto de moradia que possibilite a permanência dos estudantes na Universidade. Finalmente, esperamos que através de negociação, estudantes e Reitoria cheguem brevemente a um acordo e expressamos nossa firme posição contrária à qualquer forma de punição aos estudantes em luta por uma Universidade pública, gratuita, autônoma e democrática.Conselho de Representantes da Adusp-S. Sind.
08 May, 2007 03:50
Como parte das atividades da Ocupação da Reitoria, os estudantes do movimento receberam professores para um bate-papo a respeito dos decretos de Serra e da própria ocupação.Maria Helena Capelato (chefe do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), ressaltou que não estava representando seu cargo político na Faculdade, mas sua opinião pessoal. Considerou a ocupação uma forma válida de movimento e a sintetização da pauta um avanço na organização dos estudantes.Zilda Iokoi (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), demonstrou apoio à causa dos estudantes, mas salienta que o movimento precisa buscar novas formas de mobilização, e não utilizar a força para atingir seus objetivos. "Nós estamos aqui numa relação companheira, solidária, pra fazer discussão, crítica e apoio." "A minha geração não tem nada a ensinar a vocês. Nós erramos muito, fizemos muitas coisas indevidas, apanhamos muito, não conseguimos avançar na democratização deste país - nos pontos fundamentais, não mudou nada. Eu sempre digo aos alunos 'vocês têm que encontrar uma estratégia nova, diferente, capaz de dar uma surpresa ao outro'".Francisco Miraglia (vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nunca a autonomia desta universidade foi atacada do jeito que está sendo atacada pelo governo Serra. Ele quer cortar a autonomia na raiz". Para Miraglia, a luta em defesa da autonomia e da democracia, que consta das pautas da ADUSP, é constitutiva de qualquer universidade, não apenas das públicas. "Se não tivermos este tipo de universidade e se não formos capazes de construí-la, não seremos capazes de contribuir para a emancipação da sociedade."Luiz Renato Martins (Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes), defendeu que ocasiões concretas de luta unificada, como a desta ocupação, são fundamentais e exemplares: "A força mais viva da universidade, do ponto de vista político, está no movimento estudantil e de funcionários. Acho que vocês estão lutando pela sobrevivência da universidade, pela radicalização do projeto democrático da universidade - que não existe de fato, mas existe como projeto."Cesar Minto (Faculdade de Educação, presidente da Associação dos Docentes da USP), considerou as pautas dos estudantes coerentes. "Um exemplo é que a USP, com 70 anos, ainda não conseguiu garantir que os estudantes saiam depois do término do período noturno, por falta de transporte". Para ele, a iniciativa dos estudantes é a garantia de uma luta maior. "Estamos nos organizando para nos contrapor à gestão autoritária do governo Serra: o conjunto de medidas, os decretos, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias - que propõe apenas 9,57 do ICMS para as universidades para 2008, valor que já sabemos há anos ser insuficiente. Alguém que começa sua gestão com o pé na porta não tem condição de continuar governando dessa forma".Henrique Carneiro (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), - "O princípio central da democracia é o direito à rebelião, o direito à revolta; isso é o que constituiu todos os processos fundadores da democracia moderna". Neste sentido, ele argumenta que a ocupação da reitoria não apenas é legítima, como dá continuidade a uma prática histórica dos movimentos sociais no Brasil, "a de os setores públicos ocuparem os lugares que teoricamente são públicos". Para ele, o ato dos estudantes é a ocupação pública de um espaço público. "É o direito dos representados, quando o sistema representativo não os contempla, ocupar o espaço público de forma pacífica, organizada, se propondo a negociar."João Zanettic (Instituto de Física, vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nós, da Adusp, temos circulado pela universidade falando sobre o Mapa da Destruição - este é o nome que nós demos ao elenco de decretos com que o Serra nos brindou desde o Reveillon." Ele ressaltou, entretanto, a pouca presença de professores na última assembléia da Adusp, o que reflete, em sua opinião, um "momento neurastênico no corpo. É um momento complexo que se vive no Brasil, uma democradura: formalmente democrático mas autoritário, em todas suas estâncias - do governo federal, passando pela reitoria até às salas de aula." Posicionou-se sobre o parecer do chefe de departamento da FFLCH, Gabriel Conh: "Há muito tempo não via coisa tão nojenta. (...) Portanto por toda a dificuldade que eu possa ter na qualidade de vice presidente da Adusp, vou tentar mobilizar e conscientizar os colegas docentes, apesar de ser uma realidade complicada." João Zanettic citou, além dos decretos, outros ataques frontais à universidade pública de qualidade. Entre eles os documentos fabricados no ministério da educação e o Prouni, motivos que insuflariam o corpo docente mas, segundo suas palavras: "Infelizmente não vemos nossos colegas se levantando, uma leitura simples esclarece os problemas. O movimento é super importante. Temos que saber caminhar de tal forma a tirar frutos positivos desta ação. Este é o cenário que temos que atravessar."João Adolfo Hansen (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), lembra que invasões da USP vêem sendo feitas desde o tempo do governador [Franco] Montoro e do reitor Goldemberg. Desde então, "nós vemos um acúmulo de medidas que têm um sentido anti-democrático, privatista e absolutamente obscurantista. (...) Provavelmente, a ocupação da reitoria pode ser discutida em termos de uma legalidade, mas eu acredito que ela é absolutamente legítima. O projeto de vocês evidentemente não é só um projeto dos estudantes, mas representa o que há de melhor."Pablo Ortellado (Gestão de Políticas Públicas, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades), defendeu que os pontos que o movimento de ocupação colocou fazem parte da pauta histórica de professores, estudantes e funcionários que vislumbram outra universidade, "uma universidade que a gente nunca teve: uma universidade pública, devotada para os valores científicos e acadêmicos, emancipada do controle do Estado e da pressão do mercado."Ortellado reforçou que o movimento está maduro e tem legitimidade, reforçando os pressupostos da universidade pública.José Arbex Jr. (Vice-chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP), trouxe o apoio do Departamento de Jornalismo da PUC-SP, salientou que, se a reitoria não condiciona as negociações à desocupação do prédio, "não é porque ela é democrática, sábia e sensível, mas porque ela sente a força, a legitimidade e a justiça deste movimento e sabe que não é fácil desmontá-lo com medidas repressivas; porque isso também diz respeito à situação política que esse país está revelando. (...) gostaria de lembrar que haverá sempre uma conversa daqueles que são contra tudo, que nasceram contra tudo e que vão ser insignificantes a vida inteira, que dizem que 'é um pequeno setor do movimento estudantil, é classe média radicalizada e blábláblá'. Mas eles não sabem que as mobilizações da USP no final da década de 70 foram muito importantes para a construção da esquerda brasileira, do PT e da CUT - sem querer culpar ninguém pelo que aconteceu (risos). Nós estamos fazendo um movimento que aponta para a transformação social do Brasil em união com a juventude trabalhadora, com as centrais sindicais e com todos aqueles que não concordam com o neoliberalismo." ... (continua)
08 May, 2007 03:49
Cerca de 100 funcionários da USP reunidos em assembléia organizada pelo SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) no auditório do prédio da História e Geografia, visitaram a Ocupação da Reitoria, trazendo apoio e incentivo aos estudantes. Eles decidiram paralisar as atividades na quinta-feira, 10/05, e adiantar as discussões sobre a Greve. Vale lembrar também que a Adusp (Associação dos Docentes da USP) votou ontem a paralisação das aulas.
08 May, 2007 03:47
Está marcada para agora, às 11 horas, a primeira negociação com reitora Suely Vilela. A reunião ocorrerá na Escola Politécnica da Usp.
08 May, 2007 03:47
Pauta dos estudantes Estamos em reunião nesse momento com a comissão de negociação da reitoria. Também está acontecendo uma coletiva de imprensa Nós estudantes da USP, reunidos em plenária no dia 03 de maio de 2007 na Reitoria da Universidade de São Paulo, explicitamos nossas reivindicações: 1. Nos posicionamos contra os seguidos vetos do Governo de São Paulo (gestão Alckmin/Lembo e mantida pelo governo Serra) referentes ao aumento de verbas para a Educação Pública, os quais foram aprovados pela Assembléia Legislativa. Que a LDO de 2007 reponha os aumentos vetados pelo Executivo. 2. Lutamos pela revogação de todos os decretos impostos neste ano pelo Governador José Serra acerca da Educação no Estado (como os de n.º 51.460, 51.461, 51.471, 51.636, 51.660), os quais representam um forte retrocesso para a universidade pública, na medida em que atacam explicitamente sua autonomia, não só de gestão financeira, mas naquilo que é sua função máxima: o ensino e a pesquisa autônomos, livres de interesses mercadológicos e meramente instrumentais. Tais decretos institucionalizam a separação do tripé ensino, pesquisa e extensão, e dividem ainda mais a articulação no interior da educação pública, priorizando cursos e pesquisas de cunho operacional, ou seja, orientadas explicitamente por uma lógica mercantil. Separam a Fapesp e o Centro Paula Souza (Fatecs e Etes) das Universidades - antes submetidas à Secretaria de Ciência e Tecnologia, agora seccionadas em Secretaria do Ensino Superior e Secretaria do Desenvolvimento. E suspendem a contratação de funcionários e professores, abrindo espaço para o acirramento do processo de terceirização e precarização do trabalho. 3. Exigimos também a democratização da Universidade: o Conselho Universitário aberto à participação de estudantes, funcionários e professores, com direito à voz e voto. Além da discussão de eleições diretas para reitor. 4. Uma audiência pública com a reitoria onde sejam discutidos os decretos acima citados e seja expressa publicamente sua posição frente a eles. Tal posição deve ser expressa em jornais e mídias de grande alcance, posto que dizem respeito diretamente à sociedade brasileira. 5. Contratação imediata de professores e funcionários, de acordo com as demandas a serem levantadas pela própria comunidade USP, através de comissões mistas locais (de professores, funcionários e estudantes), de acordo com cada situação específica. E efetivação imediata daqueles contratados em regimes de trabalho precários e/ou terceirizados. 6. Liberação automática das vagas dos professores que se aposentam ou se desligam da Universidade. 7. Arquivamento do processo de modificação das regras de cancelamento de matrícula dos estudantes da USP, encaminhado pelo Conselho de Graduação para o Conselho Universitário. 8. Contratação de professores para atender às novas demandas advindas do processo de implementação de disciplinas de licenciatura, regulamentadas pelo MEC em 2001, nos cursos da Universidade, em especial na Faculdade de Letras. 9. Reconstrução e manutenção dos prédios da FFLCH, IME, FOFITO e demais faculdades que apresentem tais necessidades. 10. Formulação, em conjunto com os estudantes, de um projeto de longo prazo para a moradia estudantil em todos os campi da USP, os quais devem definir desde a estrutura física das moradias até a autonomia dos moradores sobre os espaços que utilizam. Nos casos de Ribeirão Preto e São Carlos: solução imediata referente à falta de vagas, através da construção de novas moradias, e não apenas em formas paliativas, como o Auxílio Moradia. Especificamente para o campus Butantã exigimos: a construção imediata de três novos blocos de moradia, totalizando 594 vagas, bem como a reforma dos blocos já existentes. Além disso, que seja garantida moradia decente para todos os estudantes alojados no CEPEUSP e no CRUSP, transporte e alimentação aos finais de semana, a não retirada dos atuais estudantes da moradia e a criação da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. 11. Que os estudantes e funcionários tenham acesso assegurado aos Planos de Meta de todos os cursos e departamentos da USP. 12. Que nenhuma punição - sindicâncias ou demais processos administrativos e repressivos - seja tomada contra os alunos com relação à ocupação da Reitoria. E que todas as sindicâncias e demais processos administrativos levantados contra estudantes sejam retirados. 13. Nós estudantes nos posicionamos pela luta contra as medidas repressivas no interior das universidades, em particular a USP: portanto, exigimos a autonomia total dos espaços ocupados e geridos pelos estudantes, a total liberdade de manifestação política (panfletagem, colagem de cartazes, etc.) e cultural (festas, festivais, etc.), e pela retirada da polícia do interior do campus. 14. Posicionamento público da reitoria contra a condenação dos dois estudantes da FAU-USP, condenados a três meses de prisão por realizarem uma pichação no asfalto do campus Butantã em agosto de 2005, cujo recurso será julgado na instância federal ainda em maio de 2007.
08 May, 2007 03:46
Na noite de segunda-feira (8), ocorreu na frente da reitoria uma mesa de debates que contou com a presença de representantes docentes. Ficou clara a posição dos professores em relação ao pacote de decretos do governo Serra; Concordam que as medidas atacam a autonomia financeira e intelectual da universidade. Muitas falas dos docentes legitimaram e apoiaram a ocupação.Segue-se aqui um resumo: Maria Helena Capelato (chefe do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), ressaltou que não estava representando seu cargo político na Faculdade, mas sua opinião pessoal. Considerou a ocupação uma forma válida de movimento e a sintetização da pauta um avanço na organização dos estudantes. Zilda Iokoi (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), demonstrou apoio à causa dos estudantes, mas salienta que o movimento precisa buscar novas formas de mobilização, e não utilizar a força para atingir seus objetivos. "Nós estamos aqui numa relação companheira, solidária, pra fazer discussão, crítica e apoio." "A minha geração não tem nada a ensinar a vocês. Nós erramos muito, fizemos muitas coisas indevidas, apanhamos muito, não conseguimos avançar na democratização deste país - nos pontos fundamentais, não mudou nada. Eu sempre digo aos alunos 'vocês têm que encontrar uma estratégia nova, diferente, capaz de dar uma surpresa ao outro'". Francisco Miraglia (vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nunca a autonomia desta universidade foi atacada do jeito que está sendo atacada pelo governo Serra. Ele quer cortar a autonomia na raiz". Para Miraglia, a luta em defesa da autonomia e da democracia, que consta das pautas da ADUSP, é constitutiva de qualquer universidade, não apenas das públicas. "Se não tivermos este tipo de universidade e se não formos capazes de construí-la, não seremos capazes de contribuir para a emancipação da sociedade." Luiz Renato Martins (Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes), defendeu que ocasiões concretas de luta unificada, como a desta ocupação, são fundamentais e exemplares: "A força mais viva da universidade, do ponto de vista político, está no movimento estudantil e de funcionários. Acho que vocês estão lutando pela sobrevivência da universidade, pela radicalização do projeto democrático da universidade - que não existe de fato, mas existe como projeto." Cesar Minto (Faculdade de Educação, presidente da Associação dos Docentes da USP), considerou as pautas dos estudantes coerentes. "Um exemplo é que a USP, com 70 anos, ainda não conseguiu garantir que os estudantes saiam depois do término do período noturno, por falta de transporte". Para ele, a iniciativa dos estudantes é a garantia de uma luta maior. "Estamos nos organizando para nos contrapor à gestão autoritária do governo Serra: o conjunto de medidas, os decretos, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias - que propõe apenas 9,57 do ICMS para as universidades para 2008, valor que já sabemos há anos ser insuficiente. Alguém que começa sua gestão com o pé na porta não tem condição de continuar governando dessa forma". Henrique Carneiro (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), - "O princípio central da democracia é o direito à rebelião, o direito à revolta; isso é o que constituiu todos os processos fundadores da democracia moderna". Neste sentido, ele argumenta que a ocupação da reitoria não apenas é legítima, como dá continuidade a uma prática histórica dos movimentos sociais no Brasil, "a de os setores públicos ocuparem os lugares que teoricamente são públicos". Para ele, o ato dos estudantes é a ocupação pública de um espaço público. "É o direito dos representados, quando o sistema representativo não os contempla, ocupar o espaço público de forma pacífica, organizada, se propondo a negociar." João Zanettic (Instituto de Física, vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nós, da Adusp, temos circulado pela universidade falando sobre o Mapa da Destruição - este é o nome que nós demos ao elenco de decretos com que o Serra nos brindou desde o Reveillon." Ele ressaltou, entretanto, a pouca presença de professores na última assembléia da Adusp, o que reflete, em sua opinião, um "momento neurastênico no corpo. É um momento complexo que se vive no Brasil, uma democradura: formalmente democrático mas autoritário, em todas suas estâncias - do governo federal, passando pela reitoria até às salas de aula." Posicionou-se sobre o parecer do chefe de departamento da FFLCH, Gabriel Conh: "Há muito tempo não via coisa tão nojenta. (...) Portanto por toda a dificuldade que eu possa ter na qualidade de vice presidente da Adusp, vou tentar mobilizar e conscientizar os colegas docentes, apesar de ser uma realidade complicada." João Zanettic citou, além dos decretos, outros ataques frontais à universidade pública de qualidade. Entre eles os documentos fabricados no ministério da educação e o Prouni, motivos que insuflariam o corpo docente mas, segundo suas palavras: "Infelizmente não vemos nossos colegas se levantando, uma leitura simples esclarece os problemas. O movimento é super importante. Temos que saber caminhar de tal forma a tirar frutos positivos desta ação. Este é o cenário que temos que atravessar."