A ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo pode ser vista como uma reação, dos estudantes e funcionários organizados, à falta de democracia nesta universidade? 
Viveremos de greve em greve, e de ocupação em ocupação pontuais, ou seremos capazes de organizar, reinvidicar e executar um processo de transformação das normas e do sentido que regem esta universidade?
Numa universidade pública, educação e política devem ser, e são, sinônimos. Quem insiste na separação desses termos ou disso tira vantagem, ou ainda não se deu conta de onde está. 
Estamos aqui para alertar.
 
 
 
O texto abaixo está no blog ENTRELINHAS Mídia e Política. Publicado no dia 15/06/2007.

 

Ricardo Musse: impasse na USP

 

Em mais uma colaboração para este blog, Ricardo Musse, professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo, comenta os últimos capítulos de uma novela que na verdade já dura quase seis meses, pois teve início com a posse de José Serra (PSDB) no governo do estado. A seguir, a íntegra do comentário:


O impasse na USP continua mesmo depois que José Serra revogou, em seus pontos mais críticos, os decretos que engessavam as universidades estaduais paulistas. A hostilidade do governo perante as premissas do ensino público, demonstrada por atos e palavras, acirrou uma série de conflitos internos que até então permaneciam apenas latentes.

A credibilidade política, institucional e intelectual da USP pode ser creditada em grande parte ao papel proeminente que desempenhou na resistência e oposição à ditadura militar. Sua estrutura interna de poder, no entanto, não foi democratizada, conservando um “entulho autoritário” que persistiu após a extinção do regime de cátedras em 1968. Não só o poder, mas a própria representação política está confinada na figura do reitor e nas mãos do estamento burocrático que o envolve – um reduzido grupo de professores titulares que exercem o mando e as funções administrativas que outrora eram apanágio dos catedráticos.

Nem mesmo nos departamentos, estrutura elementar da organização universitária, os professores são considerados formalmente iguais. O conselho departamental é composto pela totalidade dos titulares, por representantes dos livre-docentes e doutores (excluindo assim a participação da maioria dos professores), e por uma representação estudantil que não pode exceder a 10% do número de professores.

Diante desse monopólio da atividade política e da apatia demonstrada pela reitora (e seu estamento burocrático) em relação aos ataques à autonomia universitária, não é de se estranhar que os estudantes tenham lançado mão de uma medida extrema. No entanto, o que mais se viu foram professores titulares procurando desqualificar a ação dos estudantes, sem demonstrar, em contrapartida (com raras exceções), qualquer preocupação com os decretos governamentais.

A defesa dos privilégios desse estamento talvez explique porque pessoas que se notabilizaram na luta democrática têm recusado, de forma tão veemente, o direito à participação política dos estudantes, utilizando-se muitas vezes de uma retórica que lembra os argumentos dos escravocratas no século XIX. Os membros desse estamento tendem a reagir às reivindicações de estudantes e professores, sobretudo a exigência de um congresso estatuinte, com o mesmo temor da nobreza francesa ante a decisão de Luis XVI de convocar os Estados Gerais.

O tamanho do impasse, entretanto, indica que talvez tenha chegado a hora de a comunidade uspiana voltar-se para si própria e discutir formas efetivas de democratização da representação e do poder. Parece insustentável a situação na qual os professores são ouvidos apenas quando entram em greve, os funcionários quando trancam as portas dos prédios, e os alunos não têm direito à palavra sequer quando ocupam o prédio da reitoria e a mídia. 
(carta aberta aos universitários que estão reerguendo o movimento estudantil, livremente inspirada na poesia “Aos Que Virão Depois de Nós”, de Bertold Brecht)

Jovens companheiros,

recebam o abraço de um náufrago da utopia de 1968, quando os melhores brasileiros, muitos deles tão novos como vocês, percorreram esses mesmos caminhos de idealismo e esperança, sem conseguirem levar a bom termo a jornada.

Eram tempos sem sol, em que só tinham testas sem rugas os indiferentes e só se davam ao luxo de rir aqueles que ainda não haviam recebido a terrível notícia.

Num país de tão gritante desigualdade social, eu e meus amigos chegávamos a ser tidos como privilegiados. E, tanto quanto a vocês, os reacionários empedernidos e os eternos conformistas nos diziam: “Come e bebe! Fica feliz por teres o que tens!”.

Da mesma forma que vocês agora, um dia percebemos que nada do que fazíamos nos dava o direito de comer quando tínhamos fome. Por acaso, estávamos sendo poupados – ao preço de silenciarmos sobre tanta injustiça.

E cada um de nós se perguntou: “Como é que eu posso comer e beber, se a comida que eu como, eu tiro a quem tem fome? Se o copo de água que eu bebo, faz falta a quem tem sede?”.

Escolhemos o caminho árduo dos que têm espírito solidário e senso de justiça.

Poderíamos, é claro, nos manter afastados dos problemas do mundo e sem medo passarmos o tempo que se tem para viver na terra. Mas, não conseguíamos agir assim. Viéramos para o convívio dos homens no tempo da revolta e nos revoltamos ao lado deles.

Foi uma luta desigual e trágica. Muitos daqueles com quem contávamos preferiram a “sabedoria” de seguir seu caminho sem violência, não satisfazendo seus melhores anseios, mas esquecendo-os. E se tornaram inacessíveis aos amigos que se encontravam necessitados.

No final, desesperados, trocávamos mais de refúgios do que de sapatos, pois só havia injustiça e não havia mais revolta.

Os que sobrevivemos, ainda amargamos a incompreensão dos que se puseram a falar sobre nossas fraquezas, sem pensarem nos tempos sem sol de que tiveram a sorte de escapar.

E assim transcorreram anos e décadas. Só nos restava confiar em que o ódio contra a vilania acabaria endurecendo novos rostos e que a cólera contra a injustiça um dia ainda faria outras vozes ficarem roucas.

A espera chegou ao fim. Saudamos esse movimento que vocês iniciaram e estão sustentando contra todas as incompreensões e calúnias, como o renascer da nossa utopia.

Nós, que tentamos e não conseguimos preparar o terreno para a amizade, temos agora a certeza de que a luta prosseguirá. E a esperança de que vocês vejam chegar o tempo em que o homem será, para sempre, amigo do homem.

CELSO LUNGARETTI

CONCENTRAÇÃO PARA O ATO 12H30

EM FRENTE A REITORIA OCUPADA 

    Jornada de vitalizAção da praça do relógio no sábado durante todo o dia.

 

camiseta-ocupa.jpg, 299 KB 

                                                            10h yoga

                                            11h multirão de limpeza da praça

                                                         +  durante todo o dia

                                                          interações-artísticas        

                                                     teatro                      dança

                                              reciclagem                         grafite

                                         poesia                                         música

                                                          guerrilha jardineira                      

                                                                         

    Ponto de encontro de artes, afetos e aflitos. ArteInterAtiva, criação coletiva, num sentido comum: recriar as relações com o espaço e com as pessoas, repensá-las em todas as suas formas.

    No espaço vazio do "é proibido pisar na grama" movimentaremos nosso corpo e ocuparemos mais um espaço estéril, fertilizando-o. Futebol na grama! Várzea!

Lembrando o tempo em que o rio corria o seu curso, e nas margens cresciam espécies variadas, não as palmeiras enfileiradas sugerindo ordem.

Várzea sim, às margens do Pinheiros ocupamos, cuidamos desse lugar para que ele possa fazer parte do nosso cotidiano, que seja a expressão da vontade coletiva de se unir em torno do bem comum do que é vivo.

 

   Chamado à comunidade artística à Plenária do Encontro Nacional dos Estudantes (sábado -16/06)


            Para os que estão chegando de fora, para os que estão dentro e para os que ainda não apareceram...


                    Poetas, grafiteiros, atores, oficineiros, dançarinos, performances... é chegada a hora da poética política... ou da política poética?



Vamos promover um encontro entre pessoas e não de pessoas.



Mande sua contribuição pra gente divulgar: culturanaocupacao@gmail.com,

 



19h: SAMBA PRÓS E POESIA - COOPERIFA (C.O.)


20h: CINEOKUPA (sala Pró-ocupa): “I the film, a história do Centro de Mídia Independente”


21h: Apresentação Filhos de Olorum (Local: Em frente a Reitoria)


22h: Reunião organizativa da Ocupação para discutir o Encontro Nacional dos Estudantes em Luta (saguão)

 

   Um esquecimento memorável.

Do mesmo modo que a globalização fragmentada, os intelectuais estão aí, são uma realidade da sociedade moderna. E seu “estar aí” não se limita à época atual, mas remonta aos primeiros passos da sociedade humana. Mas a arqueologia dos intelectuais foge aos nossos conhecimentos e possibilidades, por isso, partimos do fato que “estão aí”. Todo caso, o que tentamos de descobrir é a forma que adquire agora seu “estar aí”.

Já se sabe que os intelectuais, como categoria, são algo muito vago. No lugar disso, bem diferente é definir a “função intelectual”. A função intelectual consiste em determinar criticamente o que se considera ser uma aproximação satisfatória ao próprio conceito de verdade; e pode ser desenvolvida seja lá por quem for, inclusive por um marginalizado que reflete sobre sua própria condição e a expressa de alguma maneira, ao mesmo tempo em que pode ser traída por um escritor que reage com paixão diante dos acontecimentos, sem impor-se o crivo da reflexão (Humberto Eco, Cinco escritos morales. Ed. Lumen. Tradução de Helena Lozano Miralles, pg. 14-15). Se é assim, então o agir do intelectual é, fundamentalmente, analítico e crítico. Diante de um acontecimento social (para limitarmo-nos a um universo), o intelectual analisa as evidências, o que se afirma e o que é negado, procurando o que é ambíguo, o que não é nem uma coisa e nem outra (ainda que se apresente assim), e exibe (comunica, desvela, denuncia) o que não só não está evidente, como contradiz as evidências.

Deve-se supor que as sociedades humanas tenham pessoas que se dediquem profissionalmente a esta análise crítica e a comunicar seu resultado (nas palavras de Norberto Bobbio: Os intelectuais são todos aqueles para os quais transmitir mensagens é uma ocupação habitual e consciente (...) e, para dizê-lo numa forma que pode parecer brutal, quase sempre representa a maneira de ganhar o pão). Vamos ficar com esta abordagem do intelectual, do profissional da análise crítica e da comunicação.

Já temos sido advertidos de que nem sempre o intelectual exerce a função intelectual. A função intelectual se exerce sempre em antecipação (sobre o que poderia acontecer) ou em atraso (sobre o que tem acontecido); raramente sobre o que está acontecendo, por razões de ritmo, porque os acontecimentos são sempre mais rápidos e estimulantes do que a reflexão sobre os acontecimentos (Umberto Eco, Op. Cit. pg. 29).

Por sua função intelectual, este profissional da análise crítica e da comunicação seria uma espécie de consciência incômoda e impertinente da sociedade (nesta época, da sociedade globalizada) em seu conjunto e de suas partes. Alguém que não se conforma com tudo, com as forças políticas e sociais, com o estado, com o governo, com os meios de comunicação, com a cultura, com as artes, com a religião, com o etcetera que o leitor acrescentar. Se o ator social diz “Feito!”, o intelectual murmura com cepticismo: “falta isso, sobra aquilo”.

Teríamos então que, em seu papel, o intelectual é um crítico da imobilidade, um promotor da mudança, um progressista. Sem dúvida, este comunicador de idéias críticas está inserido numa sociedade polarizada, onde se enfrentam muitas formas e com variados argumentos, mas que no fundamental está dividida entre aqueles que usam o poder para que as coisas não mudem e aqueles que lutam pela mudança. Por uma percepção elementar do ridículo, o intelectual deve compreender que não se outorga a ele um papel de bruxo do espírito em torno do qual vai girar o ser ou o não ser do que é histórico, mas que, evidentemente, ele tem saberes que podem alinhá-lo num sentido ou em outro diante do que é histórico. Podem alinhá-lo com a busca do esclarecimento das injustiças presentes no mundo atual ou com a cumplicidade na paralisação e na instalação no Limbo. (Manuel Vázquez Montalban Panfleto desde el planeta de los simios. Ed. Drakontos. Barcelona, 1995, pg. 48).

E é aqui onde o intelectual opta, elege, escolhe entre sua função intelectual e a função que lhe é proposta pelos atores sociais. Aparece assim a divisão (e a luta) entre intelectuais progressistas e reacionários. Uns e outros continuam trabalhando com a comunicação de análises críticas mas, enquanto os progressistas continuam na crítica à imobilidade, à permanência, à hegemonia e ao homogêneo, os reacionários sustentam a crítica à mudança, ao movimento, à rebelião e à diversidade. O intelectual reacionário “esquece” sua função intelectual, renuncia à reflexão crítica e sua memória fica de tal forma recortada que não tem passado e nem futuro, o presente e o imediato são as únicas coisas que podem ser tocadas e, por isso, são inquestionáveis.

Ao dizer “intelectuais progressistas e reacionários”, nos referimos aos intelectuais “de esquerda e de direita”. Convém acrescentar aqui que o intelectual de esquerda exerce sua função intelectual, ou seja, sua análise crítica, também diante da esquerda (social, partidária, ideológica), mas na época atual a sua crítica é fundamentalmente diante do poder hegemônico: o dos senhores do dinheiro e daqueles que os representam no campo da política e das idéias.

CARTA ABERTA À SOCIEDADE

 

O jornal O Estado de S. Paulo veiculou na edição de 10/06 três páginas com informações caluniosas e difamatórias com relação ao movimento dos estudantes, funcionários e professores das universidades estaduais paulitsas.

O objetivo dos artigos é claramente lançar a confusão no movimento e na sociedade, e colocar um setor do movimento contra o outro.

O Estadão repete sua velha tática usada antes mesmo do golpe militar de 1964, do qual foi um dos maiores insufladores, quando dizia que grupos e partidos de ultra-esquerda estavam por trás do presidente João Goulart, e que manobravam todo o governo e o povo com seus propósitos subversivos, o que justificaria o golpe que afinal ocorreu em 31/03/1964.

Assim, atacam os partidos de esquerda (PSOL, PSTU e PCO), as organizações sindicais (Sintusp e Conlutas) e, em particular, militantes reconhecidos no movimento como Claudionor Brandão, Magno e Helen, refletindo uma iniciativa clara de criminalizar o movimento.

Nosso movimento é feito de milhares de estudantes, funcionários e professores em todo o estado, num patamar que extrapola essas organizações políticas, que são parte do movimento, mas nossas decisões são tomadas democraticamente nos fóruns de cada setor e não em reuniões “conspiratórias”, como querem fazer parecer.

Vimos por meio desta carta manifestar nosso repúdio ao jornal O Estado de S. Paulo que produziu essas matérias em acordo com a burocracia acadêmica e a polícia, que forneceu ilegalmente informações de processos arquivados.

Manifestamos nossa defesa das organizações políticas e sindicais atacadas, assim como dos companheiros citados, e repudiamos qualquer tipo de repressão, ação criminal ou reintegração de posse.

Nosso movimento em defesa da universidade pública e contra os ataques que vêm sendo empreendidos a ela seguirá a despeito das ações desses setores por trás do jornal O Estado de S. Paulo.

 

São Paulo, 11 de junho de 2007

Comando de Greve da Ciências Sociais – USP
e Comando de Greve dos estudantes da USP

Assembléia dos Estudantes da Física - USP

Assembléia dos Estudantes da FAU - USP

Assembléia dos Estudantes da Geografia – USP

Assembléia dos Estudantes da Letras - USP


Apesar dos decretos de Serra valerem apenas para as universidades estaduais de São Paulo, a FAFIJA sofre praticamente com os mesmos problemas, como: exclusão dos acadêmicos no processo de criaçâo da UENP; falta de prestaçôes de contas aos universitários e ao próprio D.A (Diretório Acadêmico); moradia de estudantes interditada devido à precariedade estrutural pela falta de investimento e burocracia desnecessária na reforma da moradia; cobranças de taxas para os alunos que solicitam um atestado de matrícula para diversos fins, como, entrevista de emprego, carteira de estudante e outras documentaçôes necessárias.

É por esses descasos que os alunos da FAFIJA apoiam a ocupação da USP.


Ladeira, aluno do curso de História do campi FAFIJA.

b.ladeiraribeiro@bol.com.br

 

Criamos um grupo para discussao dos assuntos relacionados a Ocupacao da Reitoria da Usp, suas pautas, seu contexto, seus fins e meios, etc...

Vamos criar um espaco virtual de discussao democratica qualificado, debater os rumos da educacao publica no Estado e no Pais.

Inscreva-se em ocupausp
Powered by br.groups.yahoo.com

Para
Magnífica Reitora da Universidade de São Paulo, prof.ª drª Suely Vilela 

Prezada Reitora Suely Vilela  

Dando continuidade às nossas conversas, a Assembléia Geral dos Estudantes da USP, reunida na noite do dia 12.06, elaborou um documento contendo nossas reivindicações.

Outrossim, informamos que aguardamos uma resposta no sentido de marcarmos data e hora da próxima reunião para a discussão dos pontos deliberados pelos estudantes na referida assembléia.  

Comissão de Negociação 

São Paulo, 13 de junho de 2007

COMUNICADO DAS NEGOCIAÇÕES DA REITORIA DA USP COM ESTUDANTES

 

ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES DA USP

 

INICIADA POR VOLTA DAS 19:00 DO DIA 12/06/2007

FINALIZADA POR VOLTA DAS 00:30 DO DIA 13/06/2007


                A Assembléia iniciou-se com informes gerais sobre o movimento. Decidiu-se, logo após, que fossem encaminhadas as propostas para a mesa, durante vinte minutos, e a partir das propostas é que se dariam as discussões políticas.

 

 

DELIBERAÇÕES:

 

- A Pró-Reitoria de Pós-Graduação entrou em contato com o Movimento da Reitoria Ocupada para pedir que liberássemos documentos necessários às viagens de alunos ao exterior. Posto que a Reitoria negou-se, desde o mês passado, a encaminhar o pagamento das bolsas de assistência estudantil (Bolsa Auxílio-Moradia, Bolsa Trabalho, Ensinar com Pesquisa, além de outras monitorias e estágios), a Assembléia vinculou a liberação daqueles documentos ao pagamento imediato dessas bolsas. É importante lembrar que nenhum pagamento depende do espaço da Reitoria Ocupada – o que fica provado pelos pagamentos de professores e funcionários que têm sido efetuados normalmente.

 

- Os textos publicados pelo Estadão, no domingo último, também foram discutidos na Assembléia. Deliberou-se pelo pedido de direito de resposta em nome do Movimento. Foi proposto que envíassemos representantes a uma coletiva de imprensa agendada pelo Sintusp a ser realizada amanhã. A Assembléia deliberou que não haverá representantes dos estudantes para falar em nome do Movimento da Reitoria Ocupada. A reunião para elaborar elaboração do direito de resposta será amanhã, 13/06, às 18h, no saguão da ocupação.

 

- Manutenção da greve.

 

- Manutenção da ocupação. 

 

- Retomada de negociação com a Reitoria, apresentado-se contra-proposta estruturada sobre os seguintes condicionantes para uma possível desocupação:

       

  •  
    •  

        * a não punição de estudantes e funcionários envolvidos nas atividades políticas de greve e da ocupação;

        * manutenção de todos os pontos da última contra-proposta da Reitoria (a carta oficial da Reitoria está exposta logo abaixo da ata);

        * audiência pública para discutir o INCLUSP;

        * construção do V Congresso Geral da USP legitimado pela reitoria, de pauta única: Estatuinte, a ser construída em diálogo com as três categorias. Organizado por uma comissão paritária composta de professores, estudantes e funcionários, o Congresso deverá ser aberto a toda comunidade universitária com voto proporcional paritário e deliberar diretrizes para um novo estatuto da Universidade.

 

 

*A reunião da Comissão de Negociação ocorrerá às 10:00, no dia 13/06/2007, na Reitoria Ocupada.

**A próxima Assembléia será depois da reunião de negociação com a Reitoria.

 

 A seguir, carta oficial da Reitoria em que consta a última contra-proposta oferecida:

 

"Com o objetivo de encontrar uma solução pacífica para a desocupação imediata do prédio da Reitoria, em reunião realizada hoje, com a presença de 20 alunos e dois representantes do Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), a Reitoria comprometeu-se a:

1. Oferecer café da manhã e almoço aos domingos no Restaurante Central, no campus Butantã. O prazo para execução dessa proposta será de seis a nove meses, considerando a necessidade de contratação de pessoal especializado.

2. No que se refere ao transporte nos fins-de-semana, no campus Butantã, haverá reestruturação do serviço prestado pelo ônibus circular da Prefeitura do Campus, que funcionará aos sábados e domingos, das 9h às 17h. A Prefeitura providenciará uma grade de horários, que será afixada nas paradas de ônibus. A extensão desse serviço após as 17h, ou outro mecanismo alternativo para atender o trajeto Portaria 1– Crusp, será objeto de estudo, de início imediato.

3. Quanto ao processo de cancelamento de matrículas, a Reitoria propõe-se a retirá-lo do Conselho Universitário, retornando-o ao Conselho de Graduação (CoG) para reanálise.

A Reitoria reitera, ainda, os termos do documento “Reivindicações acolhidas pela Reitoria”, datado de 08 de maio p.p., bem como a criação da comissão formada por 16 membros (sendo oito professores e oito alunos e/ou funcionários), que deverá analisar e apresentar propostas sobre os demais itens da pauta de reivindicações apresentadas pelos estudantes. Tal comissão terá o prazo de 90 dias para apresentar o relatório final à Reitoria, que se comprometeu a dar atenção especial à implementação das ações propostas e aprovadas pelos colegiados da Universidade.

Também estiveram presentes à reunião a presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana, Sra. Rose Nogueira, e o representante da Comissão Municipal de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, Dr. Walter Foster Júnior. "

 

DA AUTONOMIA, EU NÃO ABRO MÃO!!!

Um dia num reino nada muito distante, um governador que gosta de posar com fusis resolveu acabar com a autonomia das Universidades. Esqueceu que nós estamos aqui. Chega! Da Autonomia, não abrimos mão! A Universidade pública é de todos!

 

São Paulo, 9 de setembro de 1964

Senhor Tenente-Coronel:

Há quase 20 anos venho dando o melhor do meu esforço para ajudar a construir em São Paulo um núcleo de estudos universitários digno desse nome. Por grandes que sejam minhas falhas e por pequena que tenha sido minha contribuição individual, esse objetivo constitui o principal alvo de minha vida, dando sentido às minhas atividades como professor, como pesquisador e como cientista. Por isso, foi com indisfarçável desencanto e com indignação que vi as escolas e os institutos da Universidade de São Paulo serem incluídos na rede de investigação sumária, de caráter "policial-militar", que visa a apurar os antros de corrupção e os centros de agitação subversiva no seio dos serviços públicos mantidos pelo Governo Estadual.

Não somos um bando de malfeitores. Nem a ética universitária nos permitiria converter o ensino em fonte de pregação político-partidária. Os que exploram meios ilícitos de enriquecimento e de aumento de poder afastam-se cuidadosa e sabidamente da área do ensino (especialmente do ensino superior). Em nosso país o ensino só fornece ônus e pesados encargos, oferecendo escassos atrativos mesmo para os honestos, quanto mais para os que manipulam a corrupção como um estilo de vida. Doutro lado, quem pretendesse devotar-se à agitação político-partidária seria desavisado se se cingisse às limitações insanáveis que as relações pedagógicas impõem ao intercâmbio das gerações.

Vendo as coisas desse ângulo (e não me parece que exista outro diverso), recebi a convocação para ser inquerido "policial-militarmente" como uma injúria, que afronta a um tempo o espírito de trabalho universitário e a mentalidade científica, afetando-se, portanto, tanto pessoalmente, quanto na minha condição de membro do corpo de docentes e investigadores da Universidade de São Paulo.

Foi com melancólica surpresa que vislumbrei a indiferença da alta administração universitária diante dessa investigação que estabelece uma nova tutela sobre a nossa atividade intelectual. Possuímos critérios próprios para a seleção e a promoção de pessoal docente e de pesquisa.


Atente Vossa Senhoria para as seguintes indicações que extraio da minha experiência pessoal e que ilustram um caso entre muitos. Formado entre 1943-1944, obtive meu grau de mestre em Ciência Sociais em 1947, com um trabalho de 328 pp. (em composição tipográfica) / o grau de doutor, em 1951 com um estudo de 419 pp. (também em composição tipográfica) / o título de livre-docente, em 1953, com um ensaio de 145 pp. (idem) / e, somente agora, acho-me em condições de me aventurar ao passo decisivo, o concurso de cátedra com uma monografia de 743 pp. (idem). Nesse ínterim, trabalhei como assistente depois de 1955. Outros colegas, que militam em setores onde a competição costuma ser mais árdua, enfrentam crivos ainda mais duros para a realização de suas carreiras. Isso evidencia, por si só, que dispomos de padrões próprios - a um tempo: adequados, altamente seletivos e exigentes, para forjar mecanismos auto-suficientes de organização e supervisão.

Não obstante, acato as determinações, que não estão a meu alcance modificar. Por quê? Por uma razão muito simples. Nada tenho a ocultar ou a temer; entendo que seria improdutivo enfrentar de outra forma tal vicissitude. A nossa Escola, por ser inovadora e por ter contribuído de maneira poderosa para a renovação dos hábitos intelectuais e mentais imperantes no Brasil, foi vítima de um processo de estigmatização que muito nos tem prejudicado, direta e indiretamente.
Não podendo destruir-nos, os agentes da estagnação cultural optaram pela difamação gratuita e pela detratação sistemática. Ambas não impediram que a nossa Escola avançasse, até atingir sua situação atual, ímpar no cenário cultural latino-americano. Conseguimos sobreviver e vencer, apesar dessa resistência tortuosa e dos seus efeitos nocivos. Cada professor que desse, nas atuais circunstâncias, vazão aos seus sentimentos e convicções pessoais, recusando-se a submeter-se ao inquérito policial militar estaria favorecendo, iniludivelmente, esse terrível jogo, para o desdouro final da nossa Escola.

Ao aceitar, pois, a posição a que me vi reduzido, faço-o sob plena consciência de deveres intelectuais maiores, a que não posso fugir ou desmerecer. Todavia, esse procedimento não envolve transigência ou omissão. Como no passado, continuo e continuarei fiel às mesmas normas que sempre orientaram o meu labor intelectual, como professor, como pesquisador e como cientista.

Não existem dois caminhos na vida universitária e na investigação científica. A liberdade intelectual, a objetividade e o amor à verdade resumem os apanágios do universitário e do homem de ciência autênticos. Estamos permanentemente empenhados numa luta sem fim pelo aperfeiçoamento incessante da natureza humana, da civilização e da sociedade, o que nos leva a perquirir as formas mais eficientes para aumentar a capacidade de conhecimento do homem e para elevar sua faculdade de agir com crescente autonomia moral. Não desertei e nem desertarei dessa luta, a única que confere à Universidade de São Paulo, grandeza real, como agente de um processo histórico que tende a incluir o Brasil entre as nações democráticas de nossa era.

Aproveito o ensejo para subscrever-me, atenciosamente,
Dr. Florestan Fernandes

Exmo. Senhor CoronelBernardo SchomamD.D. Presidente do I.P.M. na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo

Os estudantes da UFMG estão mobilizados desde o dia 17 de abril, lutando pelo direito constitucional à assistência estudantil. O bandejão da UFMG é um dos mais caros do país, atende ao número irrisório de 3 mil estudantes, enquanto no campus estudam mais de 30 mil, não oferece gratuidade das refeições para os carentes. Isso acontece porque a assistência estudantil na UFMG pela FUMP, que cobra dos estudantes uma taxa semestral obrigatória de R$ 187,12. 

Vale atentar que a Fundação Mendes Pimentel, que administra a assistência estudantil (e recebe as taxas) não é da UFMG e é uma instituição de direito privado. Devido escandalo é prova que o ensino no nosso país merece uma atenção da sociedade em saber para onde e para quem o dinheiro das Universidades vai.

Diante do forma legítima dos estudantes de se manifestarem pulando as catracas do bandejão a reitoria adotou uma série de medidas repressivas:

 

  1. Manteve dentro do campus um número elevado de seguranças privados, fardados e armados com cassetetes.
  2. Manteve nas imediações das assembléias realizadas pelos estudantes policiais fardados e armados com cassetetes.
  3. Fechou a reitoria para a entrada de estudantes.
  4. Fotografou e filmou os manifestantes. Essa documentação se mantém arquivada no Departamento de Segurança Universitária.
  5. Publicou a Portaria 027 que estabelecia multa de mais de 10 mil reais às entidades estudantis (Ca's e Da's) que apoiavam as reivindicações do movimento.
  6. Entrou com ação judicial pedindo a aplicação da multa anteriormente referida mas perdeu na justiça a ação.
  7. Publicou a Portaria 030 constituindo uma comissão para punir os estudantes.
  8. Intimou mais de 30 estudantes, iniciando assim a punição e intimidação dos mesmos.

 

Clique e leia aqui a moção dos estudantes da USP em repúdio à repressão da reitoria da UFMG - formato RTF

Alô...alô...

Aviso aos navegantes!

Neste domingo, 10 de junho, às 10 horas da manhã, vai ocorrer o Mutirão da Limpeza na Praça do Relógio.

A proposta é simples: as lixeiras da Praça estão tão lotadas que o lixo se espalha com o vento. O Mutirão esvaziará as lixeiras para que a Praça Pública possa ser melhor ocupada por todos nós.

Essa idéia brotou na Comissão da Alegria e do Bem-estar da Ocupação da Reitoria, que quer o ponto de referência da USP limpinho e usável.

Venham participar dessa Ação!

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