Carta pública à comunidade USP e sociedade civil. 

Desde o primeiro dia de ocupação da Reitoria da USP, a preocupação com a segurança do patrimônio público tornou-se prioritária para o movimento de ocupação; afinal seria um contra-senso reivindicar o caráter público da universidade e sua autonomia promovendo a destruição de seu patrimônio.

Neste sentido, uma das medidas tomadas pela primeira assembléia deliberativa da ocupação, feita poucas horas após a entrada nos prédios, foi a de criar uma comissão de segurança com membros rotativos. Esta comissão era responsável por zelar pela preservação do espaço físico, não permitindo o acesso de pessoas aos andares superiores dos prédios; estabelecia-se, assim, um limite físico para a movimentação dos ocupantes que ficou restrita apenas às áreas do andar térreo. Foram montadas barricadas nas escadas de acesso aos andares superiores que eram vigiadas 24 horas por dia pelos membros que, rotativamente, participavam da comissão de segurança. Para preservação dos computadores, que não seriam usados pelo movimento e de outros objetos de valor que se encontravam no andar térreo, ficou reservada uma sala na qual os objetos foram guardados.

Ainda assim, devido ao grande número de pessoas que passavam pela ocupação diariamente, uma vez que o movimento abriu as portas da reitoria para toda a comunidade USP e outras universidades, não poderiam existir garantias efetivas para um controle total das condições de segurança do prédio, uma vez que seria impossível impedir a entrada de pessoas mal intencionadas.
Conscientes dessa condição, o movimento propôs à Reitora Suely Vilela, nas diversas reuniões de negociação que ocorreram, a criação de uma comissão paritária com membros da reitoria, comunidade USP e participantes do movimento de ocupação, para averiguarem conjuntamente e de forma transparente as condições materiais do prédio - averiguação esta que seria feita logo após a desocupação do local. Porém, para nossa surpresa, assim que a desocupação foi efetivada, as portas novamente se fecharam e não houve o cumprimento por parte da reitoria do que fora anteriormente acordado.

Não podemos, portanto, reconhecer os números amplamente alardeados na imprensa que supostamente dariam a conta dos danos ao patrimônio público. Repudiamos, também, aquilo que entendemos ser uma “desavergonhada” tentativa de criminalização do movimento político de ocupação por meio da apresentação de números duvidosos e desencontrados por parte da reitoria, além da exacerbação de algumas notícias veiculadas por parte de setores oportunistas da imprensa que, desde o primeiro dia de ocupação, não se contentam em procurar desmoralizar um movimento autônomo que teima passar ao largo do receituário político e ideológico do status quo, dos quais não passam de meros porta-vozes.

Entendemos que os danos causados pela entrada no prédio, da porta principal e de um vidro de uma porta de acesso, no dia 3 de maio, decorreram da pressão e do número excessivo de pessoas que entraram ao mesmo tempo devido ao inconformismo de ver as portas da reitoria sendo fechadas enquanto pedíamos um diálogo com o vice-reitor; não cabendo, portanto, nenhum tipo de punição a ninguém, uma vez que o ato foi puramente político. As acusações, de que o movimento promoveu pichações, são totalmente infundadas e oportunistas, uma vez que enxergam em pinturas e grafites, feitos nos tapumes que envolvem toda a entrada e a fachada do portão principal, indícios de vandalismo – vale notar aqui o simbolismo, e não nos surpreendeu, quando as pinturas que davam nova vida e significado ao entorno do prédio lúgubre da reitoria foram logo apagadas e substituídas por uma monótona camada de tinta cinza.
Quanto a supostos furtos, entendemos que punições, sem provas cabais e irrefutáveis que dêem conta de identificar precisamente o autor de um ato de furto determinado, serão interpretadas pelo movimento como um ato de punição política em total desacordo com o que foi assinado pela reitora Suely Vilela, nos termos de compromisso para desocupação da reitoria.

Voltamos a afirmar que a ocupação da reitoria se constituiu em um ato político legítimo dos estudantes da universidade, que barrou parcialmente os ataques do governador José Serra à autonomia universitária. Além disso, a ocupação da reitoria colocou em cena os estudantes, não mais apenas como aprendizes, mas como agentes da construção política. Abriu-se assim, uma nova perspectiva a ser construída com toda a comunidade USP e com a sociedade, de uma efetiva democratização dos mecanismos arcaicos e autoritários de poder desta universidade.

DCE Livre da USP "Alexandre Vannuchi Leme"

AMORCRUSP

CCA FFLCH

Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (Caaso)

Centro Acadêmico "XI de Agosto"

Centro Acadêmico Iara Iavelberg (CAII)

Centro Acadêmico Lupe Cotrin (Calc)

Centro Acadêmico "Emílio Ribas" (Caer)

CENTRO ACADÊMICO "ROCHA LIMA" (CARL)

Ocupação afirmativa

 

A reitoria da Universidade de São Paulo descumpriu seu compromisso quanto à comissão paritária que havia sido acordada para a realização da vistoria do prédio após a desocupação. A comissão era importante para que houvesse transparência no processo de apuração dos danos, e seria formada por 2 representantes dos estudantes, 2 dos funcionários e 2 da reitoria, além de algum professor escolhido pelo movimento. Entretanto, antes que a esta comissão realizasse  a primeira vistoria do prédio, a reitoria autorizou que o instituto de criminalística realizasse a vistoria dois dias antes. Surgiram então mentiras de que havíamos largado o prédio completamente depredado, com absurdas cenas montadas, como a do computador jogado no chão do banheiro.

Estas são algumas fotos dos momentos finais antes da desocupação. Em duas delas aparecem dois representantes da reitoria que acompanharam o processo final de desocupação, para garantir que todos haviam deixado o prédio.

Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos alunos
Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos estudantes

Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos alunos
Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos estudantes

Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos alunos
Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos estudantes

Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos alunos
Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos estudantes

Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos alunos
Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos estudantes

Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos alunos
Reitoria sendo limpa e reorganizada pelos estudantes

Tecendo a manhã

João Cabral de Melo Neto
 

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
 

[In: Educação pela pedra]

 

Estudantes em movimento!

Nossa força só é forte porque junta
uniu [ela sim!] numa reAÇÃO em cadeia Brasil adentro
a todo
a crítica, a arte, a poesia
de viver
uni-verso: "no universo da cultura, o centro está em toda parte"
no novo horizonte, horizontalidade
retomar da língua, do poder da torre
a política
que se cria, se transforma
muta numa coisa nova
ainda em formação
processo de fazer-se fazendo
e ser sendo..

[resta completar o poema]

 

"Não almejar nem os que passaram nem os que virão. Importa ser de seu próprio tempo"
Karl Jasper 

 

Aos ocupantes de todas as partes: Mandaremos o mais rápido contatos da mídia, do MP, dos Direitos Humanos e dos humanos em formação em completo movimento!

estudantes.em.movimento@gmail.com

 

"AFINAL, REITORES, QUEM VOCÊS SÃO?
REITORES DAS UNIVERSIDADES
OU
COMANDANTES DA TROPA DE CHOQUE?
NEGOCIAÇÃO JÁ!"
 
O Comando de Greve Unificado de funcionários e estudantes da USP iniciou uma campanha pela reabertura das das negociações e contra qualquer intervenção policial nas Universidades. 
Envie moções de apoio à campanha para a ocupação - ocupacao.usp@usp.br, e para o gabinete da reitora pelo e-mail - gr@usp.br 
 
Ocupação SIM! Invasão POLICIAL NÃO! 
ATO EM ARARAQUARA CONTRA A REPRESSÃO DIA 22/06
 
Será realizado no campus da UNESP Araraquara um ato contra a intervenção policial no campus ocorrida na madrugada do dia 20 de Junho. A polícia prendeu cerca de 120 estudantes que ocupavam a diretoria do campus como forma de protesto pela defesa da universidade pública. 
Estudantes e funcionários da USP irão enviar uma delegação a esse ato. Os ônibus sairão às 5 horas da manhã em frente à reitoria na sexta-feira 22/06.
 
 

Assembléia Geral dos Estudantes da USP

Quinta-feira, 21/06/2007

18h

Em frente à Reitoria

 

Carta à Reitora, enviada e protocolada em 20 de junho de 2007.

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A inaceitável ação policial no campus da Unesp de Araraquara é mais um ato repressor levado a cabo pelo diretor da Faculdade de Ciências e Letras.

 

Há poucas semanas o mesmo diretor baixou uma portaria de caráter inconstitucional remontando às práticas da ditadura militar com o intuito de impedir a discussão e os discursos de caráter político dentro do campus. A panfletagem, os cartazes de caráter político,as reuniões de alunos com o intuito de discutir a atual situação da instituição estão proibidos de maneira que o acesso dos alunos aos anfiteatros está proibido pela portaria. As reuniões que tiveram que ocorrer fora dos anfiteatros foram vigiadas pelos seguranças da instituição que tiraram fotos dos alunos e perguntavam seus nomes para eventuais processos arbitrários da universidade contra estes.

 

Pelo jeito não avançamos muito desde a re-democratização...

 

 Este é um Manifesto assinado por intelectuais contra a repressão ao movimento estudantil, em defesa das liberdades democráticas


Ninguém é ilegal: os estudantes não estão sozinhos!

Espanta-nos o grau de perseguição e repressão ao movimento estudantil da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, campus Araraquara. No início de 2006 a congregação desta unidade expediu a Portaria 002/2006, onde se proíbe a realização de “ações político-partidárias”; proíbe-se, novamente, “quaisquer atos que interfiram no bom andamento das atividades acadêmicas” – e, não contentes! – proíbe-se ainda, sem a prévia autorização da diretoria, a “afixação de cartazes, distribuição de panfletos, fazer discurso por megafone, aparelho de som ou de viva-voz”, permitindo, agora sim, a entrada da polícia no campus (!). Ora, o que é isso senão a vigência e o reacionamento do Decreto-Lei N.º 477 (26/02/1969) – o chamado “AI-5 da Educação”?

Logo após o decreto desta portaria, duas estudantes foram suspensas por seis meses, tentou-se instituir “carteirinhas” e catracas na moradia estudantil e estudantes foram ameaçados de despejo (nesse processo os/as não-moradores foram proibidos/as de entrar na moradia por 15 dias, como tentativa – bastante evidente – de contenção das mobilizações estudantis). E, por fim, no segundo semestre, a congregação votou o fim da Moradia Estudantil.

Agora, nesta mesma instituição, quatro estudantes poderão ser expulsos/as da universidade: são “responsáveis” por uma manifestação – ao dia 15/03 – contra a privatização da universidade e a invasão dos bancos. A manifestação contou com mais de 100 estudantes.

Durante anos a fio, o Brasil sofreu com o arbítrio e o autoritarismo perpetrados pela ditadura civil-militar, instaurada após o golpe de Estado, em 1964. Muitos/as foram os/as que lutaram pela democratização de nossa sociedade, muitos/as pagando mesmo com a própria vida por essa luta. Quarenta e sete anos após o golpe e vinte e sete anos depois da “democratização”, pouca coisa mudou: a questão social no Brasil ainda é um caso de polícia. Assistimos hoje a um crescente processo de criminalização dos movimentos sociais e populares. Muitos militantes estão sendo presos em todo o país – como “exemplo” para os demais –, há um claro ataque a direitos históricos dos/as trabalhadores/as, com as (contra) reformas, e até mesmo a possibilidade de proibição de um instrumento de luta, histórico e legítimo, dos/as trabalhadores/as: a greve. São fatos que demonstram que o estado de exceção permanece sendo a regra geral. Liberdade? Só para banqueiros, multinacionais, latifundiários, usineiros...

Nas universidades públicas, esta tendência também está presente. Para governos, reitorias e diretorias a solução para a crise do ensino superior é o aprofundamento do processo de mercantilização. Veja-se a Lei de Inovação Tecnológica, a legalização das fundações de “apoio”, o Prouni, a diminuição do número de docentes, o corte de verbas etc., enfim, medidas estas articuladas à Reforma Universitária de Lula/FMI, em andamento. Concomitante e necessariamente, aumentam os casos de autoritarismo e repressão no interior das Universidades. Mais recentemente, nas universidades estaduais de São Paulo, assistimos aos decretos-intervenção do governador Serra. Esses decretos ferem o princípio constitucional da autonomia universitária, submetem as universidades públicas a uma pretensa Secretaria Estadual do Ensino Superior, que abriga igualmente cerca de 500 instituições privadas, e dificulta o repasse do ICMS, com o controle burocrático do orçamento e das finanças.

Nesse sentido, os estudantes tem sido o principal alvo das repressões orquestradas por governos, reitorias e diretorias. Não é à toa. O Movimento Estudantil Combativo segue resistindo aos ataques neoliberais à universidade pública. Pelo país afora, são inúmeros os casos de prisões, expulsões e perseguições políticas, câmeras de vigilância, sindicâncias, proibições e ostensiva presença de PMs nos campi. Somente na FAU/USP, foram mais de 80 sindicâncias (10% dos estudantes), tão-somente por que os estudantes organizaram uma festa. Uma festa! Três estudantes já foram expulsos da Unesp, enquanto duas foram suspensas. Dois estudantes da USP foram condenados à prisão, por terem “pichado” uma convocação de uma manifestação no asfalto da universidade.

Por tudo isso que dissemos acima, nos solidarizamos com os estudantes em movimento e, neste momento particular, com os/as estudantes da Unesp-Araraquara. Reivindicamos e exigimos, da diretoria da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp campus Araraquara (FCL-Car/Unesp), bem como do corpo de delegados/as de sua respectiva congregação, a imediata suspensão da sindicância e a revogação da Portaria 002/2006.

Nenhuma punição aos estudantes!
Basta de repressão ao Movimento Estudantil!

Em defesa das liberdades políticas de organização e manifestação dos trabalhadores e da juventude. Hoje, como antes, consente quem cala!



ALGUNS NOMES QUE JÁ ADERIRAM AO MANIFESTO:

Luiz Fernando da Silva, professor de Sociologia de Unesp-Bauru;

Alvaro Bianchi, professor de Ciência Política da Unicamp;

Luziano Pereira Mendes de Lima, professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Alagoas;

João Quartim de Moraes, professor de Filosofia da Unicamp;

Caio Navarro de Toledo, professor de Ciência Política da Unicamp;

Ruy Braga, professor de Sociologia da USP;

Hector Benoit, professor de Filosofia da Unicamp;

Angela Lazagna, doutoranda em Ciência Polícia da Unicamp;

Danilo Martuscelli, doutoirando em Ciência Polícia da Unicamp;

Roberto Della Santa Barros, pesquisador-junior e doutorando em Comunicação da Clacso-Unesp/Universitat Autònoma de Barcelona;

Fernando Ferrone, membro da Revista Outubro e mestre em História pela Université de Bourgogne;

Giovanna Oliveira Baccarin, jornalista;

Tatianny de Souza de Araújo, secretária da Conlutas-RJ;

Diego Cruz, jornalista do Opinião Socialista;

Yara Fernandes Souza, jornalista do Sindsef-SP;

Jeferson Choma, historiador;

Wilson H. Silva, professor de Imagem e Som da Uniban;

Cecília Toledo, editora da Revista Marxismo Vivo;

André Valuche, assessor da Conlutas-SP;

Angelica Valente, cineasta documentarista da EICTV-Cuba;

Bernardo Cerdeira, jornalista;

Eric Gustavo Cardin, professor de Sociologia da Uniamerica;

Henrique Canary, professor e tradutor da editora Sundermann;

Iraci Borges, bibliotecária da editora Sundermann, sanitarista e mestre em Comunicação;

João Ricardo Soares, especialista em Relações Internacionais do Ilaese-SP;

José Welmowicki, editor da Revista Marxismo Vivo;

Marcelo Dalla Vecchia, professor de Psicologia da UFMS;

Valério Arcary, professor de História do Cefet-SP



 

Denunciamos e repudiamos a ação policial contra os estudantes da Unesp/Araraquara. Neste momento, está sendo cumprido pela tropa de choque o mandado de reintegração de posse da diretoria da FCL (Faculdade de Ciências e Letras), ocupada no dia 13 de junho.  Os estudantes, estão sendo presos mesmo após terem desocupado o prédio pacificamente, de mãos dadas, sem oferecer resistência, conforme já haviam deliberado.

Repudiamos a política de bater, prender, para não dialogar. Criminalizar a ação política estudantil é uma forma de inviabilizar ainda mais o diálogo democrático, proliferando o medo como forma de governo, o que remete aos anos do regime militar. 

Nós, estudantes da ocupação da USP, fazemos um chamado a todos os estudantes e cidadãos para que se manifestem contrários a essa inaceitável política repressora, e pela imediata libertação dos estudantes presos.

 

Verdade histórica e verossimilhança

 

Com o prof.º  João Adolfo Hansen

Hoje, às 19 horas, no CO (USP)

Estudantes da Unicamp ocuparam o prédio da Diretoria Acadêmica no fim da tarde, enquanto o Fórum das Seis se reunia no próprio campus da universidade.

Parabéns estudantes da Unicamp pela reorganização do movimento!!

Força às ocupações pelo Brasil 

 

Prezado Sr. Ministro Gilberto Passos Gil Moreira,


Nós, estudantes que ocupamos a reitoria da USP, fazemos um apelo a sua presença aqui no movimento de ocupação da reitoria. Estamos já há mais de 40 dias ocupados, em defesa cultural e política da Educação Pública, sob ameça física de uma ação da tropa de choque para a reintegração de posse, pedida pela Reitora Suely Vilela. Nosso movimento, pacífico, tem promovido conjuntamente com professores e entidades da sociedade uma extensa programação cultural-política ao longo dessas últimas semanas.

Buscamos quebrar a apatia política que tem permitido aos governantes agir sem consulta à população, escondidos nos muitos palácios, a governar por decretos. Queremos o direito e a responsabilidade da atividade política, popular e direta, livre e cotidiana. A legitimidade de nossa causa, somada a nossa determinação em defendê-la, inspirou o movimento estudantil em todo o país a sair às ruas para transformar a triste realidade brasileira, através da cultura e da educação.

Não mais nos calaremos. Lutamos para democratizar o acesso e melhorar a qualidade do ensino público, em todos os seus níveis. O Senador Eduardo Suplicy esteve presente aqui para uma conversa conosco, e se disponibilizou a intermediar o diálogo com a reitoria. Mas nesse “diálogo” não somos ouvidos nem por governo nem por reitora. Tentam nos criminalizar.

Continuamos sob ameaça de repressão policial, continuamos sendo esculachados pela mídia conservadora, continuamos atacados pelo autoritário governo de São Paulo. Mesmo assim, continuamos com esperanças e seguimos. Seguir com os outros é conseguir.

Nisso tudo, consideramos que sua presença seria muito valiosa para nossa vivência coletiva e muito apreciaríamos sua contribuição. Convidamos você a nos visitar aqui na USP na quarta feira (20/06), ou em outra data, caso não avancem as negociações e não se alcance um consenso.



Comissão de Cultura

Ocupação da Reitoria da USP

http://ocupacaousp.noblogs.org

Data: 19/06 (terça-feira) Horário: 20h Local: Reitoria A presença de todos os cursos é muito importante para organizar nossa mobilização. Participe! Vale lembrar que o Comando é aberto a todos alunos da USP.

SOLICITAÇÃO DE REABERTURA DAS NEGOCIAÇÕES COM A REITORIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

(PROTOCOLADA PELO CHEFE DE GABINETE DA REITORIA, PROFESSOR ALBERTO CARLOS AMADIO)

 

 

    É curioso que alguns setores da sociedade – os supostamente representados ou orientados pela grande mídia – não se conformem com certas características do movimento da reitoria ocupada e acabem por analisá-lo através de raciocínios viciados e análises pseudo-políticas que reproduzem a lógica eleitoreira de gabinete e privada.

    Isso demonstra a incapacidade destes setores de conceber outras formas de organização, que não as tradicionais. Como se não houvesse possibilidade de atuação política senão através de organizações, partidos ou sindicatos; como se um movimento não pudesse ser gerido sem líderes e, portanto, sem hierarquia.

    Da mesma forma, explica a necessidade em se retirar toda e qualquer possibilidade de os estudantes se colocarem como atores políticos, concebendo-os como simples massa de manobra de interesses eleitoreiros (termo muitas vezes confundido com "político").

    O movimento estudantil que agora se configura na Universidade de São Paulo abarca diversos agentes, organizados ou não. É importante entender que os estudantes procuram formas diversas de pensar, discutir e agir; e, mais ainda, que estas formas de ação política não se restringem às tradicionais formas de atuação partidária. Daí que a rasa explicação que vê o movimento como orientado por uma suposta extrema esquerda, absolutamente não dá conta da realidade política implicada na ocupação: tente entender.

    Deveríamos defender a legitimidade das instâncias representativas de poder por terem sido escolhidas democraticamente pelo voto como única forma de participação? Funciona tão bem que aqueles que são representados decidem pela sua própria exclusão, por exemplo, dos rumos que toma o ensino público. Público?

    Para maiores entendimentos recomenda-se estudos mais aprofundados sobre a coletividades espanhonholas a partir de 36, o maio de 68 e o desbunde.
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