O Centro Acadêmico da Matemática, o CAMAT, vem por meio dessa moção declarar seu apoio à ocupaão da Reitoria pelos estudantes no dia 03/05/07. Diante dos ataques que o governador José Serra faz às universidades estaduais paulistas, vemos a necessidade de se mobilizar para derrotar esses decretos e parabenizarmos a ação desses estudantes.CAMAT - Centro Acadêmico da Matemática
Moção de apoio aos estudantes da USP O Centro Acadêmico Sílvio Romero - CASR, entidade representativa dos estudantes de direito da universidade federal de Sergipe, vem, por meio desta, declarar seu total apoio aos estudantes da USP que atualmente ocupam a reitoria dessa universidade reivindicando a derrubada das medidas do governador de São Paulo, José Serra, que atacam frontalmente os princípios da educação pública e gratuita, e a melhoria da assistência estudantil, reafirmando assim o compromisso social do ensino superior público que se fundamenta no ensino, pesquisa e extensão. Frisamos com esse apoio que a luta por uma educação pública voltada para uma radical transformação social é dever de todos e todas na luta por uma sociedade efetivamente justa e nos colocamos desde já à disposição para auxiliar no que nos for possível. Centro Acadêmico Sílvio Romero - Gestão: "Além do que se vê"
... (continuando) Leon Kossovitch (Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), afirmou que "a luta continua. Desde os tempos da Maria Antonia eu vejo que a coisa não pára no momento em que nós nos atolamos", e por isso veio prestar sua solidariedade aos estudantes ocupantes. Ainda espera "que nós possamos ampliar, como foi proposto pelos colegas, este movimento para todos os campos da docência, não só da universidade". Relembrou, apesar de admitir que "quando se falou nos nossos fracassos, se falou com justeza", dos "nossos muitos sucessos, pelos quais devemos felicitar os professores, mas principalmente os alunos e em grande parte também os funcionários". Kossovitch ainda reiterou o interesse na situação latino-americana como um todo e rememora a conflituosa relação com "os padrões da comunicação em massa. E que, infelizmente, como sempre, a grande imprensa está contra nós. Nós devemos sempre saber que ela está aí, clara, e ela vai inventar aqui fatos que nunca ocorreram pra indispor a população em geral contra esse movimento". Adma Muhana (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Filosofia), mais do que manifestar o apoio à ação dos alunos, a professora mostrou-se contrária à moção apresentada pela congregação da FFLCH, rechaçando o repúdio. Endossou a validade do ato, citando a movimentação e a presença massiva dos estudantes presentes na "conversa" com os docentes . Segundo ela a primeira vitória foi a ocupação , a segunda a presença dos docentes, o que configura a criação de um canal de diálogo. Apoiadores: Ruy Braga (Professor do Departamento de Sociologia) Helder Garmes (Professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas) Hamilton Octavio de Souza (Chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP) Laurindo Leal Filho (Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes) Osvaldo Coggiola (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Maria Célia (Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Lincoln Secco (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Marcos Silva (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Marlene Suano (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Renato Queiroz (Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas)
Moção de Apoio aos Estudantes da USP O Conselho de Representantes da Adusp-S.Sind., reunido em 8 de maio de 2007, manifesta seu apoio às reivindicações dos estudantes da Universidade de São Paulo. A defesa da autonomia das universidades públicas impõe a necessidade de manifestação dos diversos segmentos das Universidades Estaduais Paulistas quanto aos decretos do governador. Nesse sentido, consideramos legítima a reivindicação dos estudantes por um pronunciamento da Reitoria da USP a respeito de tais decretos. A compreensão de que a educação pública é direito de todo cidadão nos leva também a apoiar a reivindicação por um projeto de moradia que possibilite a permanência dos estudantes na Universidade. Finalmente, esperamos que através de negociação, estudantes e Reitoria cheguem brevemente a um acordo e expressamos nossa firme posição contrária à qualquer forma de punição aos estudantes em luta por uma Universidade pública, gratuita, autônoma e democrática.Conselho de Representantes da Adusp-S. Sind.
Como parte das atividades da Ocupação da Reitoria, os estudantes do movimento receberam professores para um bate-papo a respeito dos decretos de Serra e da própria ocupação.Maria Helena Capelato (chefe do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), ressaltou que não estava representando seu cargo político na Faculdade, mas sua opinião pessoal. Considerou a ocupação uma forma válida de movimento e a sintetização da pauta um avanço na organização dos estudantes.Zilda Iokoi (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), demonstrou apoio à causa dos estudantes, mas salienta que o movimento precisa buscar novas formas de mobilização, e não utilizar a força para atingir seus objetivos. "Nós estamos aqui numa relação companheira, solidária, pra fazer discussão, crítica e apoio." "A minha geração não tem nada a ensinar a vocês. Nós erramos muito, fizemos muitas coisas indevidas, apanhamos muito, não conseguimos avançar na democratização deste país - nos pontos fundamentais, não mudou nada. Eu sempre digo aos alunos 'vocês têm que encontrar uma estratégia nova, diferente, capaz de dar uma surpresa ao outro'".Francisco Miraglia (vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nunca a autonomia desta universidade foi atacada do jeito que está sendo atacada pelo governo Serra. Ele quer cortar a autonomia na raiz". Para Miraglia, a luta em defesa da autonomia e da democracia, que consta das pautas da ADUSP, é constitutiva de qualquer universidade, não apenas das públicas. "Se não tivermos este tipo de universidade e se não formos capazes de construí-la, não seremos capazes de contribuir para a emancipação da sociedade."Luiz Renato Martins (Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes), defendeu que ocasiões concretas de luta unificada, como a desta ocupação, são fundamentais e exemplares: "A força mais viva da universidade, do ponto de vista político, está no movimento estudantil e de funcionários. Acho que vocês estão lutando pela sobrevivência da universidade, pela radicalização do projeto democrático da universidade - que não existe de fato, mas existe como projeto."Cesar Minto (Faculdade de Educação, presidente da Associação dos Docentes da USP), considerou as pautas dos estudantes coerentes. "Um exemplo é que a USP, com 70 anos, ainda não conseguiu garantir que os estudantes saiam depois do término do período noturno, por falta de transporte". Para ele, a iniciativa dos estudantes é a garantia de uma luta maior. "Estamos nos organizando para nos contrapor à gestão autoritária do governo Serra: o conjunto de medidas, os decretos, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias - que propõe apenas 9,57 do ICMS para as universidades para 2008, valor que já sabemos há anos ser insuficiente. Alguém que começa sua gestão com o pé na porta não tem condição de continuar governando dessa forma".Henrique Carneiro (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), - "O princípio central da democracia é o direito à rebelião, o direito à revolta; isso é o que constituiu todos os processos fundadores da democracia moderna". Neste sentido, ele argumenta que a ocupação da reitoria não apenas é legítima, como dá continuidade a uma prática histórica dos movimentos sociais no Brasil, "a de os setores públicos ocuparem os lugares que teoricamente são públicos". Para ele, o ato dos estudantes é a ocupação pública de um espaço público. "É o direito dos representados, quando o sistema representativo não os contempla, ocupar o espaço público de forma pacífica, organizada, se propondo a negociar."João Zanettic (Instituto de Física, vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nós, da Adusp, temos circulado pela universidade falando sobre o Mapa da Destruição - este é o nome que nós demos ao elenco de decretos com que o Serra nos brindou desde o Reveillon." Ele ressaltou, entretanto, a pouca presença de professores na última assembléia da Adusp, o que reflete, em sua opinião, um "momento neurastênico no corpo. É um momento complexo que se vive no Brasil, uma democradura: formalmente democrático mas autoritário, em todas suas estâncias - do governo federal, passando pela reitoria até às salas de aula." Posicionou-se sobre o parecer do chefe de departamento da FFLCH, Gabriel Conh: "Há muito tempo não via coisa tão nojenta. (...) Portanto por toda a dificuldade que eu possa ter na qualidade de vice presidente da Adusp, vou tentar mobilizar e conscientizar os colegas docentes, apesar de ser uma realidade complicada." João Zanettic citou, além dos decretos, outros ataques frontais à universidade pública de qualidade. Entre eles os documentos fabricados no ministério da educação e o Prouni, motivos que insuflariam o corpo docente mas, segundo suas palavras: "Infelizmente não vemos nossos colegas se levantando, uma leitura simples esclarece os problemas. O movimento é super importante. Temos que saber caminhar de tal forma a tirar frutos positivos desta ação. Este é o cenário que temos que atravessar."João Adolfo Hansen (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), lembra que invasões da USP vêem sendo feitas desde o tempo do governador [Franco] Montoro e do reitor Goldemberg. Desde então, "nós vemos um acúmulo de medidas que têm um sentido anti-democrático, privatista e absolutamente obscurantista. (...) Provavelmente, a ocupação da reitoria pode ser discutida em termos de uma legalidade, mas eu acredito que ela é absolutamente legítima. O projeto de vocês evidentemente não é só um projeto dos estudantes, mas representa o que há de melhor."Pablo Ortellado (Gestão de Políticas Públicas, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades), defendeu que os pontos que o movimento de ocupação colocou fazem parte da pauta histórica de professores, estudantes e funcionários que vislumbram outra universidade, "uma universidade que a gente nunca teve: uma universidade pública, devotada para os valores científicos e acadêmicos, emancipada do controle do Estado e da pressão do mercado."Ortellado reforçou que o movimento está maduro e tem legitimidade, reforçando os pressupostos da universidade pública.José Arbex Jr. (Vice-chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP), trouxe o apoio do Departamento de Jornalismo da PUC-SP, salientou que, se a reitoria não condiciona as negociações à desocupação do prédio, "não é porque ela é democrática, sábia e sensível, mas porque ela sente a força, a legitimidade e a justiça deste movimento e sabe que não é fácil desmontá-lo com medidas repressivas; porque isso também diz respeito à situação política que esse país está revelando. (...) gostaria de lembrar que haverá sempre uma conversa daqueles que são contra tudo, que nasceram contra tudo e que vão ser insignificantes a vida inteira, que dizem que 'é um pequeno setor do movimento estudantil, é classe média radicalizada e blábláblá'. Mas eles não sabem que as mobilizações da USP no final da década de 70 foram muito importantes para a construção da esquerda brasileira, do PT e da CUT - sem querer culpar ninguém pelo que aconteceu (risos). Nós estamos fazendo um movimento que aponta para a transformação social do Brasil em união com a juventude trabalhadora, com as centrais sindicais e com todos aqueles que não concordam com o neoliberalismo." ... (continua)
Cerca de 100 funcionários da USP reunidos em assembléia organizada pelo SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP) no auditório do prédio da História e Geografia, visitaram a Ocupação da Reitoria, trazendo apoio e incentivo aos estudantes. Eles decidiram paralisar as atividades na quinta-feira, 10/05, e adiantar as discussões sobre a Greve. Vale lembrar também que a Adusp (Associação dos Docentes da USP) votou ontem a paralisação das aulas.
O Centro Acadêmico da Filosofia, entidade representante dos estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, vem a público manifestar total apoio aos estudantes acampados na reitoria da Universidade de São Paulo. Salientamos que o ato dos estudantes fundamenta-se na falta de espaços de diálogo com a reitoria, bem como na ineficiência da mesma em procurar resolver os problemas da universidade, como expansão de moradias, reformas de prédios, fim das terceirizações etc. A ocupação nada mais reflete a necessidade do movimento estudantil em defender uma universidade pública, gratuita e de qualidade. As universidades públicas estaduais vem sendo cotidianamente atacadas, seja pela própria reitoria e conselho universitário, que aplicam uma política velada de privatização por intermédio de terceirizações e de apoio a fundações de direito privado, seja pelos decretos do governador José Serra, que retiram a autonomia financeira e didático-pedagógica das universidades e precarizam ainda mais o ensino superior paulista. Assim sendo, saudamos a ocupação dos estudantes na reitoria da USP, reafirmando apoio àqueles que estão na luta contra a mercantilização do ensino, pela autonomia universitária e por melhores condições de moradia, pilares fundamentais a uma educação pública e de qualidade. Centro Acadêmico da Filosofia (CAFi)
CA 22 DE AGOSTO (Direito PUC-SP) As necessárias reivindicações dos estudantes da USP se desenrolam através das pautas em prol da autonomia e democracia universitária, como, por exemplo, o aumento de verbas para a educação, a gratuidade efetiva da universidade pública, a autonomia dos espaços geridos pelos estudantes, dentre outras. Considerando que os decretos do governador José Serra tornam ainda mais crítica a situação do Ensino Superior e somando-se a isso o alinhamento da Reitoria com tal política e seu descaso perante às tentativas de diálogo por parte dos estudantes, fez-se necessária uma atuação efetiva a respeito, a qual se deu por meio da ocupação da Reitoria. Posto isto, entendemos como legítima e apoiamos a ocupação da Reitoria da USP que, dentre as pautas já citadas, busca um combate elementar aos decretos. Outrossim, defendemos a extensão desta prática aos demais meios universitários para que a luta pelo ensino público de qualidade e a serviço de uma sociedade justa seja construída coletivamente e junto aos demais setores sociais. C.A. 22 de Agosto - Gestão Liberta/07
Está marcada para agora, às 11 horas, a primeira negociação com reitora Suely Vilela. A reunião ocorrerá na Escola Politécnica da Usp.
Pauta dos estudantes Estamos em reunião nesse momento com a comissão de negociação da reitoria. Também está acontecendo uma coletiva de imprensa Nós estudantes da USP, reunidos em plenária no dia 03 de maio de 2007 na Reitoria da Universidade de São Paulo, explicitamos nossas reivindicações: 1. Nos posicionamos contra os seguidos vetos do Governo de São Paulo (gestão Alckmin/Lembo e mantida pelo governo Serra) referentes ao aumento de verbas para a Educação Pública, os quais foram aprovados pela Assembléia Legislativa. Que a LDO de 2007 reponha os aumentos vetados pelo Executivo. 2. Lutamos pela revogação de todos os decretos impostos neste ano pelo Governador José Serra acerca da Educação no Estado (como os de n.º 51.460, 51.461, 51.471, 51.636, 51.660), os quais representam um forte retrocesso para a universidade pública, na medida em que atacam explicitamente sua autonomia, não só de gestão financeira, mas naquilo que é sua função máxima: o ensino e a pesquisa autônomos, livres de interesses mercadológicos e meramente instrumentais. Tais decretos institucionalizam a separação do tripé ensino, pesquisa e extensão, e dividem ainda mais a articulação no interior da educação pública, priorizando cursos e pesquisas de cunho operacional, ou seja, orientadas explicitamente por uma lógica mercantil. Separam a Fapesp e o Centro Paula Souza (Fatecs e Etes) das Universidades - antes submetidas à Secretaria de Ciência e Tecnologia, agora seccionadas em Secretaria do Ensino Superior e Secretaria do Desenvolvimento. E suspendem a contratação de funcionários e professores, abrindo espaço para o acirramento do processo de terceirização e precarização do trabalho. 3. Exigimos também a democratização da Universidade: o Conselho Universitário aberto à participação de estudantes, funcionários e professores, com direito à voz e voto. Além da discussão de eleições diretas para reitor. 4. Uma audiência pública com a reitoria onde sejam discutidos os decretos acima citados e seja expressa publicamente sua posição frente a eles. Tal posição deve ser expressa em jornais e mídias de grande alcance, posto que dizem respeito diretamente à sociedade brasileira. 5. Contratação imediata de professores e funcionários, de acordo com as demandas a serem levantadas pela própria comunidade USP, através de comissões mistas locais (de professores, funcionários e estudantes), de acordo com cada situação específica. E efetivação imediata daqueles contratados em regimes de trabalho precários e/ou terceirizados. 6. Liberação automática das vagas dos professores que se aposentam ou se desligam da Universidade. 7. Arquivamento do processo de modificação das regras de cancelamento de matrícula dos estudantes da USP, encaminhado pelo Conselho de Graduação para o Conselho Universitário. 8. Contratação de professores para atender às novas demandas advindas do processo de implementação de disciplinas de licenciatura, regulamentadas pelo MEC em 2001, nos cursos da Universidade, em especial na Faculdade de Letras. 9. Reconstrução e manutenção dos prédios da FFLCH, IME, FOFITO e demais faculdades que apresentem tais necessidades. 10. Formulação, em conjunto com os estudantes, de um projeto de longo prazo para a moradia estudantil em todos os campi da USP, os quais devem definir desde a estrutura física das moradias até a autonomia dos moradores sobre os espaços que utilizam. Nos casos de Ribeirão Preto e São Carlos: solução imediata referente à falta de vagas, através da construção de novas moradias, e não apenas em formas paliativas, como o Auxílio Moradia. Especificamente para o campus Butantã exigimos: a construção imediata de três novos blocos de moradia, totalizando 594 vagas, bem como a reforma dos blocos já existentes. Além disso, que seja garantida moradia decente para todos os estudantes alojados no CEPEUSP e no CRUSP, transporte e alimentação aos finais de semana, a não retirada dos atuais estudantes da moradia e a criação da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil. 11. Que os estudantes e funcionários tenham acesso assegurado aos Planos de Meta de todos os cursos e departamentos da USP. 12. Que nenhuma punição - sindicâncias ou demais processos administrativos e repressivos - seja tomada contra os alunos com relação à ocupação da Reitoria. E que todas as sindicâncias e demais processos administrativos levantados contra estudantes sejam retirados. 13. Nós estudantes nos posicionamos pela luta contra as medidas repressivas no interior das universidades, em particular a USP: portanto, exigimos a autonomia total dos espaços ocupados e geridos pelos estudantes, a total liberdade de manifestação política (panfletagem, colagem de cartazes, etc.) e cultural (festas, festivais, etc.), e pela retirada da polícia do interior do campus. 14. Posicionamento público da reitoria contra a condenação dos dois estudantes da FAU-USP, condenados a três meses de prisão por realizarem uma pichação no asfalto do campus Butantã em agosto de 2005, cujo recurso será julgado na instância federal ainda em maio de 2007.
Na noite de segunda-feira (8), ocorreu na frente da reitoria uma mesa de debates que contou com a presença de representantes docentes. Ficou clara a posição dos professores em relação ao pacote de decretos do governo Serra; Concordam que as medidas atacam a autonomia financeira e intelectual da universidade. Muitas falas dos docentes legitimaram e apoiaram a ocupação.Segue-se aqui um resumo: Maria Helena Capelato (chefe do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), ressaltou que não estava representando seu cargo político na Faculdade, mas sua opinião pessoal. Considerou a ocupação uma forma válida de movimento e a sintetização da pauta um avanço na organização dos estudantes. Zilda Iokoi (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), demonstrou apoio à causa dos estudantes, mas salienta que o movimento precisa buscar novas formas de mobilização, e não utilizar a força para atingir seus objetivos. "Nós estamos aqui numa relação companheira, solidária, pra fazer discussão, crítica e apoio." "A minha geração não tem nada a ensinar a vocês. Nós erramos muito, fizemos muitas coisas indevidas, apanhamos muito, não conseguimos avançar na democratização deste país - nos pontos fundamentais, não mudou nada. Eu sempre digo aos alunos 'vocês têm que encontrar uma estratégia nova, diferente, capaz de dar uma surpresa ao outro'". Francisco Miraglia (vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nunca a autonomia desta universidade foi atacada do jeito que está sendo atacada pelo governo Serra. Ele quer cortar a autonomia na raiz". Para Miraglia, a luta em defesa da autonomia e da democracia, que consta das pautas da ADUSP, é constitutiva de qualquer universidade, não apenas das públicas. "Se não tivermos este tipo de universidade e se não formos capazes de construí-la, não seremos capazes de contribuir para a emancipação da sociedade." Luiz Renato Martins (Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes), defendeu que ocasiões concretas de luta unificada, como a desta ocupação, são fundamentais e exemplares: "A força mais viva da universidade, do ponto de vista político, está no movimento estudantil e de funcionários. Acho que vocês estão lutando pela sobrevivência da universidade, pela radicalização do projeto democrático da universidade - que não existe de fato, mas existe como projeto." Cesar Minto (Faculdade de Educação, presidente da Associação dos Docentes da USP), considerou as pautas dos estudantes coerentes. "Um exemplo é que a USP, com 70 anos, ainda não conseguiu garantir que os estudantes saiam depois do término do período noturno, por falta de transporte". Para ele, a iniciativa dos estudantes é a garantia de uma luta maior. "Estamos nos organizando para nos contrapor à gestão autoritária do governo Serra: o conjunto de medidas, os decretos, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias - que propõe apenas 9,57 do ICMS para as universidades para 2008, valor que já sabemos há anos ser insuficiente. Alguém que começa sua gestão com o pé na porta não tem condição de continuar governando dessa forma". Henrique Carneiro (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), - "O princípio central da democracia é o direito à rebelião, o direito à revolta; isso é o que constituiu todos os processos fundadores da democracia moderna". Neste sentido, ele argumenta que a ocupação da reitoria não apenas é legítima, como dá continuidade a uma prática histórica dos movimentos sociais no Brasil, "a de os setores públicos ocuparem os lugares que teoricamente são públicos". Para ele, o ato dos estudantes é a ocupação pública de um espaço público. "É o direito dos representados, quando o sistema representativo não os contempla, ocupar o espaço público de forma pacífica, organizada, se propondo a negociar." João Zanettic (Instituto de Física, vice-presidente da Associação dos Docentes da USP), disse: "Nós, da Adusp, temos circulado pela universidade falando sobre o Mapa da Destruição - este é o nome que nós demos ao elenco de decretos com que o Serra nos brindou desde o Reveillon." Ele ressaltou, entretanto, a pouca presença de professores na última assembléia da Adusp, o que reflete, em sua opinião, um "momento neurastênico no corpo. É um momento complexo que se vive no Brasil, uma democradura: formalmente democrático mas autoritário, em todas suas estâncias - do governo federal, passando pela reitoria até às salas de aula." Posicionou-se sobre o parecer do chefe de departamento da FFLCH, Gabriel Conh: "Há muito tempo não via coisa tão nojenta. (...) Portanto por toda a dificuldade que eu possa ter na qualidade de vice presidente da Adusp, vou tentar mobilizar e conscientizar os colegas docentes, apesar de ser uma realidade complicada." João Zanettic citou, além dos decretos, outros ataques frontais à universidade pública de qualidade. Entre eles os documentos fabricados no ministério da educação e o Prouni, motivos que insuflariam o corpo docente mas, segundo suas palavras: "Infelizmente não vemos nossos colegas se levantando, uma leitura simples esclarece os problemas. O movimento é super importante. Temos que saber caminhar de tal forma a tirar frutos positivos desta ação. Este é o cenário que temos que atravessar."
João Adolfo Hansen (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), lembra que invasões da USP vêem sendo feitas desde o tempo do governador [Franco] Montoro e do reitor Goldemberg. Desde então, "nós vemos um acúmulo de medidas que têm um sentido anti-democrático, privatista e absolutamente obscurantista. (...) Provavelmente, a ocupação da reitoria pode ser discutida em termos de uma legalidade, mas eu acredito que ela é absolutamente legítima. O projeto de vocês evidentemente não é só um projeto dos estudantes, mas representa o que há de melhor." Pablo Ortellado (Gestão de Políticas Públicas, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades), defendeu que os pontos que o movimento de ocupação colocou fazem parte da pauta histórica de professores, estudantes e funcionários que vislumbram outra universidade, "uma universidade que a gente nunca teve: uma universidade pública, devotada para os valores científicos e acadêmicos, emancipada do controle do Estado e da pressão do mercado."Ortellado reforçou que o movimento está maduro e tem legitimidade, reforçando os pressupostos da universidade pública. José Arbex Jr. (Vice-chefe do Departamento de Jornalismo da PUC-SP), trouxe o apoio do Departamento de Jornalismo da PUC-SP, salientou que, se a reitoria não condiciona as negociações à desocupação do prédio, "não é porque ela é democrática, sábia e sensível, mas porque ela sente a força, a legitimidade e a justiça deste movimento e sabe que não é fácil desmontá-lo com medidas repressivas; porque isso também diz respeito à situação política que esse país está revelando. (...) Nós estamos fazendo um movimento que aponta para a transformação social do Brasil em união com a juventude trabalhadora, com as centrais sindicais e com todos aqueles que não concordam com o neoliberalismo." Leon Kossovitch (Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), afirmou que "a luta continua. Desde os tempos da Maria Antonia eu vejo que a coisa não pára no momento em que nós nos atolamos", e por isso veio prestar sua solidariedade aos estudantes ocupantes. Ainda espera "que nós possamos ampliar, como foi proposto pelos colegas, este movimento para todos os campos da docência, não só da universidade". Relembrou, apesar de admitir que "quando se falou nos nossos fracassos, se falou com justeza", dos "nossos muitos sucessos, pelos quais devemos felicitar os professores, mas principalmente os alunos e em grande parte também os funcionários". Kossovitch ainda reiterou o interesse na situação latino-americana como um todo e rememora a conflituosa relação com "os padrões da comunicação em massa. E que, infelizmente, como sempre, a grande imprensa está contra nós. Nós devemos sempre saber que ela está aí, clara, e ela vai inventar aqui fatos que nunca ocorreram pra indispor a população em geral contra esse movimento". Adma Muhana (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Filosofia), mais do que manifestar o apoio à ação dos alunos, a professora mostrou-se contrária à moção apresentada pela congregação da FFLCH, rechaçando o repúdio. Endossou a validade do ato, citando a movimentação e a presença massiva dos estudantes presentes na "conversa" com os docentes . Segundo ela a primeira vitória foi a ocupação , a segunda a presença dos docentes, o que configura a criação de um canal de diálogo. Apoiadores: Ruy Braga Elder Hamilton Octavio de SouzaLaurindo Leal Filho (Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes) Coggiola (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Maria Célia (Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Lincoln Secco (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Marcos Silva (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Marlene Suano (Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) Renato Queiroz (Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas)
Convite aos professores da USP Nós, estudantes membros da Ocupação da Reitoria, que ocorre desde quinta-feira (03 de maio), convidamos o corpo docente da Universidade de São Paulo a visitar o prédio ocupado. Um contato direto conosco é essencial para uma ampla compreensão dos fatos. Organizados em comissões de Negociação, Imprensa, Infra-estrutura, Cultura, Limpeza, Segurança e Alimentação, temos garantido ordem e transparência nas ações de um movimento de caráter pacífico. Acreditamos que a defesa da Universidade pública de qualidade é um propósito comum a toda comunidade uspiana. Por isso, insistimos neste convite e agradecemos a todos os professores que estiverem dispostos ao diálogo. Atenciosamente, Comissão de Imprensa - Ocupação da Reitoria da USP Fone: (11)3091-3602 ocupacao.usp@gmail.com http://ocupacaousp.blog.terra.com.br
Sai o texto da Comissão de Comunicação da Ocupação, assinado por Fábio Nassif, no Observatório da Imprensa: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=432DAC003
Por Flávio Mottola de Campos em 7/5/2007 texto originalmente publicado em edição do Observatório da ImprensaA imprensa tem noticiado fatos deturpados sobre a ocupação pelos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) do prédio da reitoria. Os fatos noticiados pela Folha de S.Paulo no sábado (5/5) são falsos. Estive na USP dias 3, 4 e 5 de maio, em um congresso brasileiro científico da Abrapcorp - Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas. Fiquei hospedado no Crusp (Centro Residencial da USP) e pude acompanhar todas as movimentações dos alunos envolvidos. Vamos aos fatos: para começar, os alunos não depredaram nada. Sequer mexeram nos pertences dos funcionários. Apenas desobstruíram a passagem de entrada do prédio, arrebentando o portão. Como ocupar um local sem provocar nenhum tipo de dano? A ocupação estava tão bem organizada, que foram montadas até comissões para não virar zona. Existem comissões de Administração, Limpeza, Alimentação e, pasmem, de Segurança e até de Comunicação. A reitoria reivindicou junto aos alunos que pelo menos a Guarda Universitária ficasse no interior do prédio. Mas a Guarda é muda. Só está lá por estar mesmo. Quando entrei no prédio da reitoria, deparei com outro mundo. Alguns deitados pelo corredor, dormindo, outros pintando faixas de papel pardo, outros conversando sobre os mais diferentes assuntos: "Será que a Polícia Militar vai aparecer aqui hoje?" Qualquer coisa é só ficar atento e correr para qualquer lugar. Na cozinha, adesivos post it nas geladeiras e armários alertavam para que ninguém mexesse em nada que fosse dos funcionários. Por ali, várias pessoas faziam centenas (eu disse centenas) de lanches para o pessoal que iria dormir no prédio. A diretoria do Diretório Central dos Estudantes (comissão de Administração) estava em reunião no canto de um corredor. No mesmo corredor, outros alunos pintavam cartazes e faixas de papel pardo. Por que mentir? Pelas mesas do corredor, vários informativos do que estava acontecendo. A comissão de Limpeza mantinha a limpeza do prédio (coisa óbvia). A comissão de Segurança ficava na vigília na laje do prédio da reitoria, caso algum jornalista ou algum indivíduo contrário à ocupação, ou até mesmo algum engraçadinho que se fizesse presente apenas para se mostrar, praticasse algum ato de vandalismo. Ah, a Comunicação! Sinto arrepios até agora só de lembrar. Talvez por eu ser um sulista de Santa Catarina... Espalhadas em várias salas especiais, dezenas de pessoas escrevendo em blogues (lembrando que era apenas uma comissão e poderia usar os computadores), clipando notícias dos sites e, inclusive, transmitindo a ocupação do prédio da reitoria pela internet, em áudio. Como no sábado (5) aconteceu a Virada Cultural em São Paulo, os alunos da USP fizeram uma Virada Cultural da Ocupação (também transmitida pela web), com samba, maracatu e algumas outras apresentações dos alunos. Ainda na semana passada, a Folha publicou a versão dos estudantes, de que nada fora destruído, como aponta a matéria do jornal. Mas eu ainda me pergunto: por que a imprensa não disse a verdade sobre a ocupação da Reitoria da USP? Por não saber? Bom, lá não se podia entrar com câmera fotográfica. Para alguém entrar, tinha que se identificar, ser aluno da USP ou entrar com alguém conhecido. Uma pontinha de um morrinho de terra da censura que ainda paira sobre o campus da USP, parecida com aquela dos anos 1960, 70, muito subjetivamente se transforma numa grande montanha de represália, internamente, no campus. Jornalistas, portanto, nem pensar!
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