Cultura Islâmica

 

por:   Leon Kossovitch

professor da Faculdade de Filosofia da USP

Hoje, às 18 horas, no CO.

 

 

 


Na reitoria ocupada da usp, sala pró-okupa

 

Programação do cineokupa – de 17/06/2007 a 23/06/2007


Sessões: segunda às 14h e as 21h, terça a sábado às 17h e às 20h e aos domingos às 17h e às 21h

 

Domingo


Tempos Modernos



Filme de Charlie Chapplin

Segunda



Outubro

 

Filme comemorativo dos dez anos da revolução Russa. Mostra os acontecimentos que precederma a revolução russa de 1917 quando o partido bolchevique tomou o poder na Russia.

 

Terça


Ocupar o olhar: curtas da ocupação


Ocupar o olhar: compilação de filmes sobre ocupações estudantis. a idéia é que reconheçamos as possibilidades de representação do processo que representamos.

Quarta

 

Soy Cuba


História de Cuba Pré-Castrista sobre o prisma do cinema revolucionário Russo. Filmado com película ultra sensível infravermelha.

 

Quinta


Ocupar o olhar: curtas da ocupação


Ocupar o olhar: compilação de filmes sobre ocupações estudantis. a idéia é que reconheçamos as possibilidades de representação do processo que representamos.

 

 

Sexta


Seção Especial de Justiça


Filme de Costa Gravas que mostra como a justiça atuou com base em lei retroativa para condenar presos políticos na França durante a invasão nazista na Segunda Guerra Mundial

 

Sábado


Corações e Mentes

 

Principal filme sobre a guerra do Vietnã, este documentário foi o primeiro filme a mostrar o lado dos vietnamitas na guerra.

 

 

 

Participe do cineokupa e colabore trazendo seus filmes!

o teatro de narradores  apresenta o seu cabaré paulista. a intervenção, que parte do manifesto do grupo krisis (do crítico robert kurz), encena uma discussão sobre o estágio atual do mundo do trabalho a partir da própria condição dos artistas que se põem em diálogo aberto com o público. nesse caso, o texto teórico é convertido em canção, e os atores elaboram seu depoimento num clima vivo de cabaré político e crônica sobre o tempo presente.

14h:CINEOKUPA (sala Pró-ocupa): Filme “O Povo Brasileiro”, baseado na obra de Darcy Ribeiro.


14h30

Cibele Rizek (Arquitetura e Urbanismo - EESC-USP):

exibição do filme "A Crítica da Separação", de Guy Debord


16h: Oficina: “Medicamentos a base de ervas medicinais e discussão sobre corpo e saúde”- (sala de reunião comunicação)


18h: Oficina “Video e Edição” - na Rádio


20h: Reunião Organizativa da Ocupação


22h: Palco HEAVY METAL (show com as bandas Prodigal sin, Attack Kill, Attack Force)

Hoje - 14.06 - Reunião aberta da comissão de negociação, às 16h.

Pauta: Preparação para reunião com a reitoria.

 

Local: Saguão 

Dia 14/06

O Movimento Resgate Arcadas

convida todos a uma conversa com o deputado estadual Raul Marcelo, representante de uma das ADIn's, para explicitar o mérito legal e político desse instrumento, que surge como uma alternativa aos atuais meios de protesto que vêm sido empregados.

às 9h, na histórica Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco – USP, situada no Largo São Francisco, n° 95

CONTATO: 9273 8881 - Pedro Henrique Soares Ramos

 

 

Debate: Os ataques do Governo Serra à Saúde

 com:

Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência (SINDSPREV)
 Movimento Popular de Saúde da Zona Leste (MOPS-ZL)

às 14h na Faculdade de Medicina - sala 1358

 Realização: Núcleo Livre de Saúde da USP

 Centro Acadêmico Emílio Ribas
 Nutrição - FSP - USP
 Av. Dr. Arnaldo, 715  São Paulo-SP
 Fone/Fax: (11) 3061-7725

 

 

Dia 15/ 06

 

Encontro das Artes

IA UNESP, IA UNICAMP E ECA 

10hs. Exibição de vídeos do audivisual

Debate: As Artes nas Universidades: O que está acontecendo nos IAs e na ECA e qual é nosso papel como estudantes de arte no movimento estudantil.

local: teatro laboratório da ECA 

12:30hs. Piquenique (trazer comida ou bebida)

local: canil 

 

14hs. ATO DAS ESTADUAIS. (saida do MASP para a Secretaria de Ensino Superior)
 

20hs. Sarau (tragam poesias, cenas, músicas, intervenções, etc...)

local: oásis (próximo ao quadrado)

As seguintes Unidades já decidiram continuar em greve: T.O., Artes Plásticas, FAU, Letras, Audiovisual, ECA, Escola de Aplicação Decidiram sair da greve: Biologia, Geologia Piquetes: Letras, Ciências Sociais  Data de Assembléias13/06 – EACH, Audiovisual, FAU14/06 – Ciências Sociais (18h) Fórum das Seis: Tirou que o que passar da arrecadação otimista do ICMS vai ser dividido em porcentagens diferentes para os diferentes setores ECA: 15/06  - Encontro dos IA´s e Sarau (20h)Audiovisual – Vídeo-manifesto (12h, sala pró-ocupa)

Artes Plásticas: Indicativo de desocupação e Calendário de atividades Ciências Sociais: Leu carta aberta à sociedade Retirada de documentos: O pró-reitor de pós-graduação poderá retirar os 42 processos de Bolsa Viagem para serem entregues na CAPES, condicionado à liberação de bolsa moradia, bolsa trabalho, bolsa ensinar com pesquisa, estágios e monitorias.   Direito de resposta no Estadão: 13/06 - Reunião para redigir (18h no saguão da Reitoria) Comissão de Cultura: 16/06 – Peça censurada no CÈU (22h), debate após a peça, agenda da semana. Comissão de negociação: 13/06 - Reunião (10h, na sala de reunião da comunicação)
 
Assembléia dos estudantes da USP agora na ocupação
 

É hora da ocupação registrar e disseminar sua teoria: a teoria da festa

 

 

Depois de mais de um mês de ocupação da reitoria da USP – importante símbolo institucional das “inteligências” subordinadas nas periferias mundiais – chegou o momento do início de outra etapa na ocupação: a “ocupação”, ou “invasão”, da produção de conhecimento pelo registro e disseminação das teorias que já se constroem nas mentes de cada vivente desta festa livre.

A primeira proibição fundamental na ordem do tédio burocrático foi transgredida pela aglomeração de indivíduos num espaço livre, descontrolado por qualquer burocracia, seja o Estado, as autoridades estatutárias da universidade, ou as enfadonhas organizações partidárias. Esta transgressão, naturalmente, já produziu o que justamente é a razão da proibição, ou seja, o arejamento das mentes, o enriquecimento dos pensamentos e o início do conhecimento não vigiado por poderes centralizados. Aqui não se é assombrado pelos pensadores da fraseologia do conhecimento escolar, ou policiado pelos sargentos da epistemologia do ressentimento – a maioria de nossos mestres. Aqui também ocorrem apropriações de conhecimentos acadêmicos existentes, porém em função de uma prática teórica que é fundamentalmente produto da experiência da vida livre de cada participante e existe como necessidade de ação sobre a expansão da mesma intensidade de vida.

Mas o que querem realmente os ocupantes da reitoria? Seria a manifestação reacionária pela manutenção de uma ordem escolar obsoleta de um estágio anterior da organização estatal? Certamente que não. Os produtores dessa rave querem simplesmente a permanência da festa a qual vivem neste momento. Isto porque a liberdade das mentes, produzida no interior da própria aglomeração, faz com que se perceba o óbvio: a vida sob a cultura da valorização do sacrifício, das oito horas diárias de trabalho maçante, da eterna esperança infantil do dinheiro abundante, da velhice depois de uma medíocre sobrevivência de classe média é o destino certo de cada ocupante após o término de sua festa. Os ocupantes querem que a festa revolucionária dure para sempre, mas para isso sabem que é preciso fazer com que se expanda para fora.

O registro da riqueza intelectual produzida na festa e a disseminação desse registro pelas várias vias possíveis de comunicação é a próxima etapa da rave. O espaço construído pelo capitalismo em função de seu processo de expansão, também é o espaço que está produzindo aqui a sua superação. E a tecnologia disponível para disseminar informações precisa ser usada de modo inventivo e dinâmico. A criatividade e a versatilidade na disseminação da festa será definitiva para sua permanência. A teoria eficaz está ainda para ser inventada, assim como sua comunicação eficaz e sua arte. Enfim, este é o momento dos ocupantes começarem escrever textos, inventarem sua própria arte e disseminarem seus pensamentos.

 

Rass Fischer, 11/06/2007.

[Esta carta foi escrita pelo professor Marcos Barbosa - FE, quando recebeu um abaixo-assinado contra o movimento estudantil, argumentando nos gastos e pobres moldes da violentização..]

Vejam a resposta!

abre aspas.. 

 

Caro Prof. José de Souza Martins

 

Em resposta ao envio do abaixo-assinado cujo texto transcrevo abaixo, devo dizer que não o subscrevo, e gostaria de explicar porque, terminando com uma sugestão.

Não o subscrevo porque sua conclamação apóia-se numa visão injusta, uma visão parcial e interessada em que os responsáveis pela ocupação figuram como únicos culpados pela quebra da normalidade da vida universitária. O documento, assim como outros de mesmo teor já divulgados – os quais, diga-se de passagem, não parecem ter contribuído para a superação da crise –, prega a ética da superioridade do diálogo, do debate racional civilizado, em relação à violência física, com forma de se lidar com conflitos. Até aí estamos todos de acordo. Mas essas intervenções, ao mesmo tempo, não levam em conta nem explicita nem implicitamente, ou fazem apenas uma referência muito vaga, ao fato de que a gota d’água que precipitou a decisão de ocupar a reitoria foi a quebra de compromisso da reitora ao não comparecer a uma audiência previamente agendada com os estudantes. E não há dúvida de que se tratou mesmo da proverbial gota d’água, pois são bem conhecidas as dificuldades que encontram estudantes, professores e funcionários na tentativa de manter um diálogo civilizado com as autoridades universitárias. As crônicas da ADUSP ilustram abundantemente essa afirmação, com seu registro de recusas de marcar reuniões de negociação, quebras de compromisso, etc., por parte desta e de reitorias anteriores.

Mas em vez de trocar acusações desse gênero, em que cada lado atribui a culpa pelo rompimento do diálogo ao outro, talvez seja melhor ampliar o foco do debate considerando um aspecto do pano de fundo da crise, a saber, o fato, amplamente reconhecido, de o Estatuto da USP ser significativamente menos democrático que o das universidades federais, e o das outra universidades estaduais paulistas. Creio residir aí parte da explicação de porque, apesar de haver outras fontes de insatisfação estudantil presentes também em outras universidades, a atual onda de mobilizações tenha tido início na USP.

Entre os documentos produzidos pelo movimento de ocupação, houve um que me chamou muito a atenção. Trata-se da “Resposta ao ultimato da reitora”, e seu título é: “Democracia, desesperadamente”. O tema volta no miolo do texto, “Exigimos democracia, desesperadamente”, e no fecho: “Por mais democracia, desesperadamente, Estudantes da ocupação da reitoria da USP”. A meu ver está aí o significado último da ocupação: um grito de desespero. Um grito incomoda, precisa ser silenciado. Mas a única alternativa a sufocá-lo pela força é mostrar que ele foi ouvido.

E como dar essa demonstração? O último dos dezoito itens da pauta de reivindicações dos estudantes é expresso numa única palavra: “Estatuinte”. Contrastando com essa brevidade, esse é o tema que, para além das questões mais conjunturais, tem ocupado o centro dos debates nas reuniões e assembléias não só dos estudantes, mas também dos professores e funcionários mobilizados. Daí decorre a sugestão: para mostrar que ouviram o grito, as autoridades universitárias, os paladinos do diálogo, defensores da lei e da ordem, precisam apenas – o que não é pedir muito – reconhecer o caráter autoritário do Estatuto da USP em vigor, e se empenhar verdadeiramente em sua reforma, aceitando como condição para que o novo Estatuto seja realmente democrático (nos termos da declaração aprovada pela assembléia da ADUSP de 6/6) “que se constitua uma Assembléia Estatuinte soberana e democrática com essa finalidade específica e que se dissolva uma vez finalizados os trabalhos”.

Quanto ao resultado, nem mesmo é necessário que o novo Estatuto seja um primor de democracia, talvez baste, num primeiro momento, que se alinhe com os estatutos das outras universidades brasileiras. Um estatuto democrático é em essência o que permite que os conflitos internos da Universidade sejam resolvidos por meio do diálogo. Qualquer avanço neste sentido contribuirá assim para que a necessidade de recorrer a ações como a ocupação não volte a se impor no futuro, como é o desejo de todos.

Para além do resultado concreto, na forma de um novo estatuto, o processo de sua elaboração, se conduzido com seriedade, colocará em pauta temas que há muito clamam por um debate em profundidade, os temas das relações da Universidade com o Estado, com a sociedade, com o mercado, com as agências de fomento (outra ameaça à autonomia universitária), etc., onde se encontram as raízes da crise que atravessamos.

Creio que uma proposta dessa natureza será vista com bons olhos pelos estudantes, como um sinal de que seu grito foi ouvido. E pode no mínimo ser o ponto de partida para uma negociação que leve efetivamente a um encerramento pacífico da ocupação.

Cordialmente,

                                                           Marcos Barbosa de Oliveira

                                                           Professor Associado, FEUSP

 

[Reproduzimos aqui o abaixo-assinado movido pelo professor José de Souza Martins]

Contra a violência: Em defesa da universidade pública e gratuita e de sua autonomia

Os abaixo-assinados, docentes do ensino superior, vêem com apreensão o recorrente recurso à violência em nossas universidades públicas e gratuitas. Em nome de reivindicações muitas vezes legítimas, a discussão vem sendo substituída pelo monólogo autoritário, o diálogo pela truculência.

O recurso à coação por piquetes e outras formas de violência e a invasão de prédios universitários constitui sintoma alarmante de degradação das relações entre as pessoas, logo em um ambiente que deveria prezar, acima de tudo, o diálogo. O progresso do conhecimento e a educação na universidade exigem a centralidade da razão, a liberdade de pensamento, a tolerância e o respeito à divergência como fundamentos.

A defesa da autonomia universitária exige determinação dos acadêmicos e de suas lideranças para demonstrar contínua e exaustivamente à sociedade e aos governantes que a comunidade acadêmica tem os meios para resolver suas disputas pelo debate e pelo diálogo, sem nunca recorrer à violência ou à ilegalidade.

Em defesa da universidade pública e gratuita, pautada no princípio da autonomia, do diálogo e do respeito à institucionalidade, os abaixo-assinados conclamam seus colegas a se unirem em repúdio a práticas que recorram à violência.

Agenda do Cultura de Greve: Ocupação é Formação – Sala do CO na 
Reitoria Ocupada:

seg- 14h30 Ruy Braga (Sociologia - FFLCH-USP):
"O retorno da crítica social: Sociologias públicas e engajamento".

ter- 14h30 Ulpiano Bezerra de Meneses (Históra - FFLCH-USP):
"Os paradoxos da memória: a amnésia social"

quarta: 19h00 exibição do vídeo: "Ajuste" (57 minutos, DVD) direção:
Daniel
Veloso / Marcelo Berg / Robert Cabanes / Zé César Magalhães
mesa-redonda: Paulo Arantes (Filosofia - FFLCH-USP), Luiz Renato
Martins (Artes
Plásticas - CAP-ECA)

quinta: 14h30 Maria Elisa Cevasco (Letras Modernas - FFLCH-USP)
"A função da crítica cultural"

Quinta semana no auditório (CO) da reitoria ocupada!!!

Programação da Reitoria Ocupada - 11 a 15 de Junho


Segunda-feira 11/06


14h00: Discussão sobre a parte financeira dos decretos (Local: Copérnico) - prof. Marco Eugênio (Economia - FEA)


14h30: Palestra

Ruy Braga (Sociologia – FFLCH-USP): "O retorno da crítica social: Sociologias públicas e engajamento" (Local: CO)


16h00: CINEOKUPA: filme Macunaíma (Local: Sala Pró-ocupa)


18h00: CINEOKUPA (Local: Saguão): Sessão de Curtas Precarização do Trabalho X Controle dos Trabalhadores (Festival Latino-americano de la Clase Obrera – FELCO)


Filmes:

Pelo Fim da Terceirização” (20 min, Br)

Seleção de curtas Alavio (20 min, Arg)

O Metrô é assim - Asi es el subte” (30 min, Arg)

Flaskô – fábrica sob controle dos trabalhadores” (15 min, Br)


20h00: Debate

Discussão sobre as fábricas ocupadas e repressão na fábrica CIPLA de Joinville. (Local: Saguão)


(Encerrando o dia haverá discussão sobre o caráter das assembléias)


Terça-feira 12/06


14h30: PALESTRA

Ulpiano Bezerra (História – FFLCH): “Os paradoxos da memória: a amnésia social” (Local: CO)


16h00: Momento Cultura Livre - Software Livre (Local: Rádio Okupa)


16h00: CINEOKUPA (sala pró-ocupa): Sessão de Curtas “Reforma Universitária na América Latina” (Festival Latino-americano de la Clase Obrera - FELCO)


Filmes:

Granito de Arena” (60 min, México 2005)

De pé” (16 min, Bolívia 2003)

Los punhos” (22 min, Bolívia 2004)

Reforma Universitária” (30 min, Argentina 2006)



17h00: Ato em solidariedade à fábrica ocupada Cipla, em Joinville. (saída de ônibus para Joinville em frente à reitoria).


18h00: ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES DA USP


Quarta-feira 13/06


14h00:ARTIVISMO: Reunião na ECA p/ organizar intervenção artística no dia 15


16h00:ARTIVISMO: Apresentação “A rua é um rio”


18h00: DEBATE

Origens do Software Livre: a filosofia do Copyleft e do código aberto (Local: Saguão)


19h00: DEBATE: Acesso à Universidade (Local: Copérnico)


19h00: VÍDEO E MESA REDONDA (Local: CO)

Ajuste” (57min.): Paulo Arantes (Filosofia – FFLCH) e Luis Renato Martins (Artes Plásticas)


A ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo pode ser vista como uma reação, dos estudantes e funcionários organizados, à falta de democracia nesta universidade? 
Viveremos de greve em greve, e de ocupação em ocupação pontuais, ou seremos capazes de organizar, reinvidicar e executar um processo de transformação das normas e do sentido que regem esta universidade?
Numa universidade pública, educação e política devem ser, e são, sinônimos. Quem insiste na separação desses termos ou disso tira vantagem, ou ainda não se deu conta de onde está. 
Estamos aqui para alertar.
 
 
CONVIDAMOS TODOS OS PROFESSORES,
TODA A COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA E, ENFIM,
TODA A SOCIEDADE (EXCETO A GRANDE MÍDIA),
PARA PARTICIPAR DO GRUPO DE DISCUSSÃO SOBRE ESTATUINTE QUE OCORRERÁ AMANHÃ, SÁBADO, ÀS 17:00, NA REITORIA OCUPADA.
 

Um texto para incentivar o debate:
 
  
Aos orgãos da FFLCH, solicitaria a divulgação desta manifestação de apoio aos estudantes, funcionários e professores em greve, tanto no âmbito da FFLCH como fora dela.
 
Recebi pela internet dois documentos de grande importância, destacando-se o manifesto assinado por vários professores da FFLCH, de outras unidades da USP e outras Universidades estaduais, em resposta à manifestação do Professor Sergio Adorno sobre o atual movimento estudantil em defesa das Universidades públicas estaduais, ameaçadas de perda de autonomia pelos recentes decretos do Governador do Estado. Em que pesem alguns desmentidos por parte deste, parece tratar-se de mais uma tentativas de emascular a Universidade  pública brasileira a partir de um de seus mais importantes núcleos, as tres Universidades paulistas.
 
Lembro neste momento um episódio recente (governo anterior) que modificou profundamente os Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo. O exemplo do que ocorreu com o IAC é significativo: perdeu suas estações experimentais, transformadas em mini centros autônomos (sem recursos), algumas seções foram praticamente eliminadas, diminuindo a capacidade de trabalho daquela instituição. Outros institutos de pesquisa sofreram também a ação "disiplinadora" do governo, com transformações nem sempre desejaveis.
 
Vemos, agora aparecerem jusficativas sobre os decretos, entre elas uma que já constava da plataforma eleitoral do então candidato: seriam incentivadas as Faculdades Técnicas (porém não exatamente como as FATEC's), mais importantes para a sociedade (qual ? quem?) do que as Universidades. Porém a própria FATEC sofreu os efeitos do decreto, além da FAPESP: foram desligadas de onde estavam e passaram para outra Secretaria de Estado onde, fatalmente, perderiam parte (grande ? pequena?) de suas prerrogativas atuais. Abrem-se as torneiras para o financiamento das empresas e diminue o fluxo para a pesquisa de ponta, realizada nas Universidades. Só para lembrar, dois fatos:
 
1- as tres Universidades paulistas são responsáveis pela da maior parte dos conhecimentos gerados anualmente no Brasil;
2- grande parcela desse conhecimento é produzido pelos estudantes de pós-graduação.
 
É óbvio que restringir os recursos para a pesquisa, ameaça que paira no ar com os decretos e as intenções do atual governo, seria dificultar ainda mais o funcionamento desse sistema já por si carente de recursos, apesar dos brilhantes resultados.
 
A idéia da produtividade em ciência e pesquisa nada tem a ver com a idéia de produtividade dos setores econômicos, que  muitas vezes raciocinam apenas em termos de avanços tecnológicos: sem a pesquisa fundamental não há avanço tecnológico, há apenas cópia (nem sempre boa) do que é feito lá fora. A qualidade da pesquisa não pode ser contabilizada quantitativamente, porque ela é tão sómente qualitativa.
 
Nesse sentido, lembro de episódios um pouco mais antigos, que datam ainda dos anos em que saiamos das trevas da ditadura para anos mais arejados. Foi a famosa greve das Universidades paulistas no governo Maluf. Lutava-se por um aumento salarial, em tempos de inflação galopante, tinhamos de nosso lado um jovem economista que  mostrava por A+B que havia dinheiro nos cofres do erário capás de atender nossas reinvidicações.
 
Quase nada recebemos e mas com a mudança de  patrão no governo (Montoro) abria-se uma esperança: o jovem economista (José Serra) fora guindado ao posto de Secretário (da Fazenda? do Planejamento?). Não houve nenhum avanço nas negociações salariais e, para surpresa de muitos, aquele que havia demonstrado haver dinheiro suficiente para os aumentos no governo Maluf, usava agora os mesmos argumentos que havia combatido, para dizer não ser possível atender nossas por falta de...dinheiro. Nova greve sobreveio.
 
Quero terminar este longo comentário com um pouco da memória da Faculdade de Filosofia.
Com razão lembram meus colegas, autores/assinantes do manifesto "SOBRE A DESOBEDIÊNCIA CIVIL", que "as ações diretas que desobedecem o poder político não são um mero uso de força...mas um uso que aspira mais legitimidade que as ações daqueles que controlam os meios legais de violência". "Há assim, na desobediência civil, uma disputa de legitimidade entre a ação legal daqueles que controlam a violência do poder do estado e a ação daqueles que fazem uso da desobediência reinvidicando uma maior justiça de propósitos".
 
FFCL: remember 1968 quando professores invadiram a sala da Congregação, no último andar da antiga Faculdade de Filosofia na rua Maria Antônia, e assumiram o poder.
A Faculdade de Filosofia era a própria idéia de Universidade, não havia nenhum Instituto que a reforma de 1970 criou: todos a ela pertenciam.
O que se buscava: a reforma dos Estatutos. Quase imediatamente criou-se a primeira Comissão Paritária na USP, tripartite entre professores, estudantes e funcionários, sob a regência de nada menos que ANTÓNIO CANDIDO. Apesar da ditadura militar, de ameaças à nossa integridade física, passamos imediatamente a trabalhar, criando várias Comissões, cada uma tratando de um tema.
Foram 4 meses de trabaho! Que reuniões fantásticas na sala da esquerda do hall de entrada: discutia-se a Universidade, a Sociedade, o momento dificil que passavamos no país. Quantos ainda estão por ai, passados 39 anos?  
 
Era a desobediência civil contra o poder estabelecido dentro da Universidade, naquela época o
reitor também não era escolhido pela comunidade, só os membros do Conselho Universitário tinham direito de voto; a Faculdade de Filosofia, em que pesasse ser a maior unidade da USP, contava com apenas 1 votoi! 
Mas a luta era também contra o poder politico externo, o que valeu no inicio de 1969 a aposentadoria compulsória de inúmeros professores como Florestan e Otavio Ianni que, por sinal, nem da Paritária foram!.
Mas o movimento espraiou-se pela outras unidades e logo em todas elas outras tantas Paritárias foram criadas.
 
A desobediência civil da época obrigou o C.U. a mexer-se e, em 1970, novo estatuto foi outorgado: era o fim da cátedra. criavam-se os departamentos, mas diminuia-se o poder politico da Faculdade com a criação dos Institutos. Foi um pouco o dividir para reinar.
 
Também daquele movimento sairam vários companheiros uns para o exílio, outros para a luta clandestina e com freqüência a morte. Mas alguns sobraram: lembro uma frase de NABOR RUEGG que dizia ser importante a resistência para que, quando viessem tempos melhores, houvesse gente tornando possível recomeçar.
É a desobediência civil que permite caminhar para a frente: em tempos atuais, nossa sociedade mostra isso de sobejo com os movimentos dos sem nada.
 
O estudantes estão mostrando o que é desobediência civil: não se trata de acoima-los de minoria, insensatos ou coisa que o valha: eles estão tendo a coragem de empunhar a bandeira da desobediência civil, que é o que faz a sociedade ir para a frente.
 
José Pereira de Queiroz Neto

Confirmado!!!

Peixelétrico hoje à noite no Arraiá da Reitoria!!!

SEGUNDA (04/06)
10h: Reunião de alunos, professores e funcionários:
Levantamento de problemas, propostas e elaboração da pauta
de reivindicações para o Departamento de Música
13h: Ensaio teatro-imagem "ilhas da paulista" (Teatro da ECA, até as
14h)
14h: Cinegreve. "Dogville" seguido de debate com Sérgio de
Carvalho e professor do audiovisual (no Departamento de Audiovisual)
18h: Reunião do ECA em GREVE
TERÇA (05/06)
10h: Reunião do Sarau da noite (no canil)
12h: Capoeira no Canil
13h: Ensaio teatro-imagem "ilhas na paulista" (Teatro da ECA, até as
16h)
14h: Debate sobre mídia e ativismo no canil com professor
da PUC
16h: Cinegreve.. "A Revolução não Será Televisionada"
seguido de debate sobre Ocupação e repercussão na mídia,
com professores do jornalismo
18H - DEBATE DA EMPRESA JÚNIOR DE JORNALISMO SOBRE A
COBERTURA DE
IMPRENSA A RESPEITO DA OCUPAÇÃO E DO MOVIMENTO ESTUDANTIL
(com Paulo
Henrique Amorim, um estudante que participou da Comissão
de
Comunicação da Ocupação e outros repórteres) (no auditório
Freitas
Nobre do Departamento de Jornalismo e Editoração)
18h: Projeção de estudo de cena de "Santa Joana dos
Matadouros" seguido de debate (no CANIL)
20h: Sarau itinerante !
QUARTA (06/06)
10h: Mesa-Redonda sobre Educação Musical com professores
do Departamento de Música
14h: Cinegreve. "A Greve" com execução de música ao vivo
seguido de debate com professor do audiovisual (no Departamento de Audiovisual).
PRÓXIMA REUNIÃO DA "ECA EM GREVE"
2ª feira - 04/06, 18h no Quadrado em frente ao Teatro da
ECA.
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