RESPOSTA À REPORTAGEM DO ESTADÃO SOBRE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

20% ou 0,46%?


Na rubrica “Assistência Estudantil” o que está sendo considerado? Assistência Estudantil não significa prover os direitos básicos e inalienáveis a todo cidadão, bem como aqueles que estão implicados na fruição da educação pública, como: alimentação, transporte e saúde. Assistência estudantil relaciona-se à garantia de permanência do estudante na Universidade. Os estudantes oriundos de famílias de baixa renda, que constituem uma minoria na Universidade de São Paulo (esta que desde sua fundação é uma universidade elitista), devem ser assistidos para que possam dessa forma concluir sua formação.

Assistência àqueles que, oriundos de escolas públicas, da periferia, filhos de empregadas domésticas, auxiliares de cozinha, de trabalhadores informais, de famílias que auferem entre um e dois salários mínimos (como colocou a coordenadora da Assistência Social Rosa Godoy) e que sem tal apoio não teriam condições de permanecer na Universidade é o que devemos chamar assistência estudantil.

Quem se submete morar em um alojamento como o do CEPEUSP, em que 18 estudantes dividem um quarto, localizado no final de um corredor, embaixo de uma arquibancada, tendo um armário de clube para guardar seus pertences, além de ter que dividir também o espaço em baixo da beliche para colocar caixas de papelão como forma de guardar as roupas, não necessita de assistência? Em uma matéria da Folha de São Paulo (28/05/2007, Cotidiano, C3), sob o título Aluno da USP vive embaixo de arquibancada, o referido alojamento está devidamente descrito.

Com base no artigo 206 da Constituição brasileira e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sancionada em 1996, que reitera o inciso I do referido artigo, tem-se que a assistência estudantil fundamenta-se na busca de igualdade de condições aos estudantes para o acesso e permanência para a conclusão dos seus estudos. Segundo Lolinda de Moaes Alves, doutora em História pela UNESP, em seu artigo A Assistência Estudantil no Âmbito da Política de Educação Superior Pública: “(...) a busca da redução das desigualdades socioeconômicas faz parte do processo de democratização da universidade e da própria sociedade brasileira. Essa democratização não se pode efetivar apenas mediante o acesso à educação superior gratuita. Torna-se necessária a criação de mecanismos que garantam a permanência dos que nela ingressam, reduzindo os efeitos das desigualdades apresentadas por um conjunto de estudantes, provenientes de segmentos sociais cada vez mais pauperizados e que apresentam dificuldades concretas de prosseguirem sua vida acadêmica com sucesso.

O financiamento da USP provém da arrecadação do ICMS (imposto de circulação sobre mercadorias e serviços), cuja maior fatia sai dos bolsos dos trabalhadores com grande custo, visto que o ICMS recai intensamente sobre produtos básicos. Trocando em miúdos, a USP é custeada basicamente pelas classes baixas que, além de estarem sub-representadas na mesma, muitas vezes nem sabem de sua existência. Esta situação se torna mais paradoxal se citarmos gastos como os do Restaurante Universitário da Faculdade de Medicina que contempla no seu cardápio Coca-Cola. Poderíamos caracterizar este gasto como assistência estudantil? Unidades como a Faculdade de Medicina, a Faculdade de Direito, entre outras, possuem estudantes majoritariamente provindos de classes altas.

O artigo 20% do orçamento de custeio da USP é gasto em assistência aos alunos publicado no Estado de São Paulo (27/05/2007, caderno Vida &, A24), assim como uma recente entrevista do secretário da Secretaria de Ensino Superior Pinotti (o mesmo que em debate recente na UNESP de São José do Rio Preto afirmou que “moradia estudantil é luxo”), expressam um viés de desqualificação às reivindicações dos estudantes por ampliação da Assistência Estudantil.

Ao contrário do que afirmam os arautos da família Mesquita e os asseclas do governador, a USP aloca apenas 0,46% em assistência estudantil!! Neste ano de 2007 está previsto um repasse de R$ 2.410.468.662,00 para a USP (Cf. USP: diretrizes Orçamentárias para 2007), dos quais serão destinados R$ 11.094.000,00 para a Assistência Estudantil, dado retirado da tabela I do Orçamento para 2007 da Coordenadoria de Administração Geral, USP: Distribuição dos Recursos para a Distribuição dos Recursos para a Assistência Estudantil em 2007. Com isso tem-se cerca de 0,46% do orçamento da USP destinado ao que de fato é assistência estudantil (moradia, bolsa-alimentação e creche), apoio ao estudante com base em critérios socioeconômicos.

Outra falácia análoga diz respeito ao custo médio do estudante da USP. Divulga-se que este custa para a sociedade U$ 12 mil dólares, todavia, se o faz sem mencionar a metodologia usada no referido cálculo, qual seja: incluir o gasto da universidade com o pagamento dos professores inativos. As universidades públicas estaduais possuem um sistema próprio de previdência, assim destinam um valor elevado para essa rubrica, folha de pagamento dos inativos. Os U$ 12 mil dólares são publicados pelo PNUD (Programa de Desenvolvimento da ONU) a título de comparação da eficiência da gestão dos recursos entre várias universidades de diferentes países, entretanto, não se situa estes números no contexto das políticas educacionais e orçamentárias envolvidas.

Ou seja, é preciso desmascarar os diagnósticos que afirmam que a assistência estudantil está mais do que bem. Na verdade, é patente a insuficiência da alocação de verbas para esta rubrica: saibamos, por exemplo, que cada apartamento da moradia estudantil tem 36m² previstos para no máximo 4 moradores, porém chega-se a extremos de 11 moradores vivendo no mesmo apartamento. Para agravar este quadro, se fizermos uma projeção otimista: em que o INCLUSP (programa de ação afirmativa [será?] que dá pontos extras no vestibular para estudantes de escolas públicas) será aperfeiçoado e que através dele mais estudantes pobres terão acesso à universidade, neste caso a demanda por políticas de permanência no interior da universidade crescerá ainda mais. Por isso, destinar mais verbas para a assistência estudantil é uma condição (necessária, ainda que não suficiente) para garantir que os planos de democratização da universidade sejam realizados!!

RESPOSTA À REPORTAGEM DO ESTADÃO SOBRE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL 

                                            DOTAÇÃO

Apoio ao Estudante com Base em Critérios Socioeconômicos


Moradia                             7.114

Bolsa Alimentação            3.484

Creche                                  496

Subtotal                          11.094


Fonte: www.usp.br/codage/Tabela%20I.pdf

 

 

Assembléia  Geral dos Estudantes da USP deliberou pela manutenção da greve e da  Ocupação da Reitoria.  estimativa de 1000 estudantes presentes  Reitora afirmou de manhã por telefone e confirmou na reunião do  Cruesp e Fórum das Seis: Reunião com os ocupantes nesta  segunda-feira, em horário a confirmar pela reitora. 
Deliberações: Manutenção da greve. Mantidos eixos – contra decretos do governador  José Serra, mais verbas para educação, estatuinte já.
Manutenção da Ocupação da Reitoria da USP.
A assembléia geral dos estudantes da USP faz um chamado à todos os  estudantes do país pela realização de uma Plenária Nacional dos  Estudantes em defesa da Educação, a se realizar na Ocupação. O  chamado será feito a partir de uma carta, a ser enviada aos Centros  Acadêmicos, DCEs, FEMEX (Federação de Executivas de Curso) e Frente  de Luta Contra a Reforma Universitária.
Próxima Assembléia Geral dos Estudantes da USP marcada para  Terça-feira, 5 de junho, às 18 horas.

A polícia militar está, neste momento, gerando caos na cidade de Sào Paulo.

Os manifestantes da ocupaçào da Reitoria da USP organizaram Ato público hoje, em defesa da autonomia das universidades e contra os decretos do governador José Serra.

Como toda passeata desse porte, o trajeto foi informado previamente à CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Quando a passeata chegou na esquina da Avenida Morumbi, a polícia militar impediu sua continuaçào rumo ao Palácio dos Bandeirantes. Há cerca de 10 mil pessoas impedidas de prosseguir, o que emperrou o tráfego de veículos na cidade.

A passeata pacífica deveria concluir o ato no Palácio, mas está sendo pressionada pela polícia a dispersar com ameaça de uso de força e violencia.

Fiquem atentos aos acontecimentos.

Quem parou o tráfego da cidade??? A passeata ou a PM? Manifestaçoes públicas estáo sendo coibidas?

Por que o governador náo quer receber os  manifestantes? Perguntas para a sociedade em conjunto responder.

Estudem os decretos e vejam o descaso ao ensino público que eles proporcionam! 

 

 

ASSEMBLÉIA DA POLI ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

 
 

Os alunos da ESCOLA POLITECNICA, dos cursos de CIVIL e AMBIENTAL, deliberaram em Assembléia ocorrida hoje que NÃO APÓIAM A OCUPAÇÃO e o posicionamento CONTRA OS DECRETOS.  Optaram também por nao entrar em greve.
 
 

Amanha, às 11:00 no Anfiteatro do BIENIO, ocorrerá a ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES DA ESCOLA POLITÉCNICA.

 

Caros colegas da ocupação,

Acabo de olhar a tal lista de "professores desolados" que apóiam a "desocupação imediata" da reitoria com mais calma. É assustador, vocês têm toda razão. Encontrei nomes de calouros (filhos de amigos, o que me deixou ainda mais assustado), de servidores não-docentes e até de alguns colegas docentes que estranhamente assinam também outras listas de teor completamente diferente -- ou seja, de apoio às negociações com os estudantes. Incluem-se até mesmo ex-diretores de gestões recentes da ADUSP.

Nada disso seria tão grave se essa lista não tivesse o cunho oficial que adquiriu. Ela é a única lista (das três que circulam na USP) que pode ser encontrada atualmente no portal da USP. Além disso, ela foi iniciada por uma diretora de unidade da USP, o IAG. Aliás, cabe aqui um comentário delicioso: a maioria dos integrantes da congregação do IAG, de onde a tal lista se originou, confessou, em reunião recente, desconhecer o teor dos decretos. Para que os colegas se informassem sobre o tema que motiva a ocupação (depois de fazerem circular a tal lista), foi preciso enviar-lhes um e-mail, a partir da diretoria do instituto, contendo links para o blog da ocupação, onde eles poderiam encontrar informação fidedigna!... Enquanto isso, a administração universitária formou um grupo de oito diretores de unidades para estudar os decretos, mas esqueceu-se de incluir pelo menos um jurista.

Resumindo: o desgaste da administração universitária chegou a tal ponto que, para obter assinatura de 15% dos "professores" da USP a uma lista de apoio, amplamente divulgada por meios oficiais, foi preciso conclamar calouros e servidores não-docentes a participarem de uma significativa lição de falsidade ideológica.

Outro ponto essencial é o tal "apoio das congregações". O portal da USP simplesmente deixou de incluir as manifestações que fugiram do texto-padrão, como por exemplo a declaração clara e sucinta da Faculdade de Saúde Pública em defesa da universidade e das negociações. Por outro lado, cria constrangimento ao manter manifestações que tiveram de ser reformuladas pelas respectivas congregações quando ficou evidente que o seu teor não espalhava a opinião majoritária de seus integrantes -- caso do ICB, que acaba de reformular completamente sua posição pública.

Com isso, a administração universitária (mais apropriado seria chamá-la de "gestão anterior") conseguiu a proeza de esgarçar as relações entre os docentes exatamente em um momento em que todos deveriam estar unidos em defesa da autonomia universitária, que sofre ataque externo. Da nova gestão, que assumiu a reitoria nesse atípico mês de maio, espera-se a manutenção de uma conduta firme de defesa da instituição.

Marcelo U. Ferreira
Professor associado do ICB

 Obs: grifo nosso.

**************************************************************************************************************

Aos ocupantes e Professor Marcelo,

 

Muito bom trabalho e argumentos sobre essa lista. Eu até achei dois ex-alunos meus de graduação do ano passado. Também tem o nome de Reinaldo Azevedo, "blogista" da VEJA, listado como professor da Poli! E os cientistas das exatas reclamam que nós, professores das humanas, nâo sabemos lidar com números e métodos científicos! :) Por acaso, o abaixo-assinado em favor da ocupação foi montado por uma professora de Letras.

Força e todos ao palácio hoje,

Sean Purdy, Prof.Dr., História, FFLCH

**************************************************************************************************************

Nota pública sobre o Decreto Declaratório nº 01 de 30 de maio de 2007

 

O movimento das universidades estaduais paulistas vem a público prestar esclarecimento do nosso entendimento sobre os decretos do governador editados no início de seu mandato, bem como do editado em 30 de maio de 2007.

Os decretos formam um conjunto de medidas que apontam um projeto de educação que não é referenciado pela sociedade e nem é fruto de discussão pública.

A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, a autonomia universitária (que inclui a autonomia didático-científica e a autonomia de gestão financeira), e a garantia de verbas públicas para a educação, são princípios que norteiam o movimento e guiam seu entendimento e decisões sobre os decretos.

O governo, através do decreto declaratório, sinalizou que começa a entender a importância da autonomia universitária, legitimando o movimento que, desde o início, denunciava o seu ataque.

 

 

São Paulo, 31 de maio de 2007

Publicamos aqui um texto do Professor Paulo Martins da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP sobre os decretos do governador José Serra, sobre a Autonomia Universitária, a Imprensa e a Ocupação da USP. Este artigo originalmente seria publicado no jornal Folha de São Paulo, mas foi rejeitado pela editoria deste jornal.


Autonomia, Justiça, Ocupação e Certa Imprensa


Paulo Martins

Professor Doutor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP, Vice-coordenador da Pós-graduação em Letras Clássicas.



De acordo com dados oficiais e oficiosos, a Universidade de São Paulo responde por grande parte da pesquisa produzida no país ( 26.748 artigos publicados no Brasil e no exterior) e, seguramente, é ela também responsável por oferecer o melhor ensino de graduação ( 48.530 alunos) e de pós-graduação (25.007 alunos), alimentando, pois, o "famigerado mercado" com profissionais competentes. Além disso, poder-se-ia pensar em sua atuação junto à população como extensão de suas atividades que, muita vez, são essenciais principalmente aos cidadãos carentes de nosso "rico estado". Um bom exemplo: o atendimento feito no Hospital Universitário em 2006 a 255.597 pacientes em regime de urgência e 160.565 pacientes, no ambulatório[1] [1].

A quem, então, se deve a qualidade de ensino, pesquisa e extensão que leva, por exemplo, a Universidade de São Paulo a ser ranqueada pelo Institute of Higher Education da Universidade de Shangai (Academic Ranking of World Universities - 2006) como a melhor Universidade da América Latina ou a figurar entre as cento e cinqüenta melhores do mundo, ou ainda, de acordo com a Webometrics Ranking of World Universites como a primeira entre os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China)? A resposta é vasta, pois passa pela qualificação dos professores (dos 5.222, 96,3% têm titulação de doutor), pelas bibliotecas (39 com 6.907.777 volumes), pelos 47.866 alunos com acesso a microcomputadores. Mas pode ser resumida em uma só palavra "autonomia".

Essa, de acordo com o Dicionário Houaiss, entre outras possibilidades, é: "capacidade de se autogovernar; direito reconhecido a um país de se dirigir segundo suas próprias leis; soberania; faculdade que possui determinada instituição de traçar as normas de sua conduta, sem que sinta imposições restritivas de ordem estranha; direito de se administrar livremente; liberdade, independência moral ou intelectual. " Pois bem, a Constituição Brasileira, em seu artigo 207 (com acréscimos da Emenda Constitucional no. 11), estende o preceito às Instituições de Ensino Superior, propondo:


"As universidades gozam de autonomia didático-cientí fica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão."


Tal aplicação também ocorre na Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 254:

"A autonomia da universidade será exercida, respeitando, nos termos do seu estatuto, a necessária democratização do ensino e a responsabilidade pública da instituição, observados os seguintes princípios:

I - utilização dos recursos de forma a ampliar o atendimento à demanda social, tanto mediante cursos regulares, quanto atividades de extensão;

II - representação e participação de todos os segmentos da comunidade interna nos órgãos decisórios e na escolha de dirigentes, na forma de seus estatutos."
 
Foi, justamente, aplicando o conceito à administração didático-cientí fica e à gestão financeira, orçamentária e patrimonial que, a partir de 1988, a população brasileira observou um aumento significativo dos indicadores de produtividade das universidades ainda que restrições severas devam ser feitas à avaliação do desempenho universitário, tendo por base única e exclusiva os dados estatísticos, dada a diversidade e universalidade das atividades acadêmicas, que não podem e não devem ser avaliadas da mesma maneira sempre. Mesmo assim, vale ressaltar que a partir da promulgação da Constituição até 2006, por exemplo, a produção científica da UNICAMP aumentou 602% e o número de vagas de graduação e pós-graduação nas três Universidades sofreu um aumento inquestionável.

Por sua vez, 2007 assiste a uma agressão séria à justiça, princípio moral em nome do qual o direito deve ser respeitado, e ao Estado de Direito, dentro das Universidades Estaduais Paulistas, isto é, assiste a uma transgressão velada da Carta Magna do país e do estado. Sob o pretexto da transparência administrativa, o governo José Serra solapa, a uma só penada e ao arrepio da lei maior, uma conquista da comunidade acadêmica ao publicar "seus" decretos 51.535/07 (que dá nova redação ao artigo 42 do Decreto nº 51.461, de 1º de janeiro de 2007, que organiza a Secretaria de Ensino Superior.), 51.460/07 (que dispõe sobre as alterações de denominação e transferências que especifica, define a organização básica da Administração Direta e suas entidades vinculadas), 51.461/07 (que organiza a Secretaria de Ensino Superior), 51.636/07 (que firma normas para a execução orçamentária e financeira do exercício de 2007) e 51.660/07 (que institui a Comissão de Política Salarial).

Assim, esses decretos, sob o falso e mentiroso resguardo da autonomia, impedem a contratação de funcionários e professores; dispõem do patrimônio das Universidades; vinculam a dotação orçamentária a necessidades práticas e imediatas do mercado e não permitem a livre negociação salarial. Exemplo, propriamente dito, pode ser facilmente aferido num rápido exame de um dos artigos do decreto 51.471/07:


"Artigo 1º - Ficam vedadas a admissão ou contratação de pessoal no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta, incluindo as autarquias, inclusive as de regime especial, as fundações instituídas ou mantidas pelo Estado e associedades de economia mista.

(...)

§ 2º - O Governador do Estado poderá, excepcionalmente, autorizar a realização de concursos, bem como a admissão ou contratação de pessoal, mediante fundamentada justificação dos órgãos e das entidades referidas no "caput" deste artigo e aprovada:"
 
Vale dizer que as Universidades Estaduais Paulistas são Autarquias de Regime Especial e, portanto, como se pode observar, apenas o Senhor todo poderoso governador do Estado de São Paulo pode efetivamente contratar professores e funcionários para as Universidades. Bem, se essas não podem contratar quando bem lhe aprouver, então sua autonomia inexiste. Esta é apenas uma confirmação do quanto se mente quando se governa. Assim, o repúdio a tais decretos, acrescido de outras reivindicações não menos justas, associado a certa inabilidade política da dirigente máxima da USP, a reitora Professora Suely Vilela, provocaram a crise em que vive hoje a Universidade, que foi coroada com a ocupação das dependências da Reitoria da USP.

Ainda quanto aos decretos, eles soariam muito naturais, esperados e desejados se a sociedade, real proprietária e beneficiária das Universidades estaduais, de alguma forma, encontrasse nelas irregularidades que maculassem a probidade administrativa, ou ainda, não visse nelas um pólo de excelência que servisse de modelo para a educação fundamental e básica, esta sim mais do que vilipendiada pela administração direta de sucessivos governos estaduais, entre os quais aqueles a que se filiam os atuais mandatários do governo. Assim não satisfeitos de serem co-responsáveis com o fim da educação básica e fundamental de qualidade em nosso estado, lançam suas mãos nefastas e nefandas também sobre as Universidades.

Contudo, com desfaçatez e dissimulação, o governador José Serra e seu secretário José Aristodemo Pinotti, afora os asseclas e epígonos sem postos no governo (não sei como) de certa imprensa, mormente, "blogueiros" e articulistas de certa revista semanal, que, de passagem, prima por ser um veículo de pensamento único, disfarçada e dissimulada no pluralismo, no respeito às instituições e ao "Estado de Direito" teimam em transferir a responsabilidade da crise que hoje se vê na USP, UNESP e UNICAMP para aqueles que reagiram à agressão dos decretos e à falta de boa vontade dos dirigentes universitários. A mídia (de modo geral – há exceções) e Governo acusam os alunos de "invasores", desordeiros, baderneiros etc. Não escapam também às suas acusações professores e trabalhadores da Universidade de São Paulo. Seriam estes os manipuladores daqueles, massa acéfala, que, supostamente, incitada, tomou com violência as dependências da reitoria em nome de uma posição partidária ou, como preferem, "em nome de um programa comum da esquerda retrógrada", ou melhor, da "neo-esquerda" que abarcaria - vejam só - o PT, o PSTU, o PSOL e o PCdoB, como se esta unidade já não estivesse inviabilizada desde muito tempo. Afinal os bandidos "remelentos" e "mafaldinhas" ("que merecem ser entregues aos papais e mamães pela PM"), como um desses jornalistas se refere aos alunos da Universidade, estão tentando desestabilizar o governo por puro rancor eleitoral em nível estadual. Ridículo!

Se justiça há a partir da conformidade dos fatos com o direito, violência existe, sim, por parte de um terrorismo de Estado, travestido de respeito ao cidadão, encarnado atualmente pela política do ensino superior do Estado de São Paulo. Mais do que isso, o desejo do governo não é transparência, é, sim, ter poder decisório sobre os 9,57% da arrecadação de ICMS que em 2006 significou em valores absolutos 5,2 bilhões de reais.

O mínimo esperado do governo e da reitoria diante da crise universitária por eles criada é respeito real e concreto àqueles que trabalham e estudam nas Universidades Estaduais. Assim, ouvir a comunidade acadêmica, discutir realmente com ela, recebê-la de fato e, vez por outra, atendê-la em suas reivindicações, longe de demonstrar fraqueza – há que se pensar nisto, haja vista a possibilidade da retirada dos manifestantes pela força policial – são características dos verdadeiros homens de Estado e de efetivos administradores de universidades públicas. É uma pena, entretanto, que atualmente não encontremos nem estadistas no palácio dos Bandeirantes, tampouco bons administradores à frente da maior Universidade do país. Quanto a certos jornalistas, bem, diante deles me calo, afinal para que servem se apenas sabem servir ao poder constituído.. .

Até o momento, a lista abaixo-assinado de docentes da USP já conta com 512 assinaturas. Aguardem por mais informações e atualizações - a lista não cabe inteira em uma única postagem do blog
UNESP TEM 5 PRÉDIOS OCUPADOS! 
 
 
Ilha Solteira 

Tem seu prédio principal ocupado desde a noite de terça-feira. A ação, segundo a universidade, foi pacífica. Os estudantes estão nas salas de aula do bloco C e no corredor do prédio central da universidade. A entrada e saída do campus estão sendo controladas pelos alunos.

 

 Assis
miltonsmello@yahoo.com.br

UEstão ocupados no saguão da diretoria da Unesp de Assis desdea segunda-feira (28), onde funciona a Faculdade de Ciências e Letras. A ocupação foi pacífica, sem nenhum dano ao patrimônio.

 

Franca

Na terça-feira, os alunos ocuparam a sala da vice-diretoria de Franca. Além da autonomia universitária, os estudantes pedem mudanças no projeto da construção do novo prédio já que o local não terá moradia estudantil e fica longe do centro da cidade.


 Rio Claro
http://www.ocupacaorioclaro.blogspot.com/
ocupacaorioclaro@gmail.com,
 
Ocupada desde a noite de quinta (24), em protesto contra o governo do estado. Eles estão em salas do Instituto de Geociências e Ciências Exatas. A administração não foi ocupada e não houve danos ao patrimônio.
 
Presidente Prudente 

Tem uma ocupação no setor administrativo da Unesp de Presidente Prudente que teve início na terça-feira (29), depois de uma assembléia entre os estudantes. Segundo a assessoria de imprensa da universidade, não houve dano ao patrimônio.

 

Bauru

Está em GREVE, decretada na segunda 28/05/07. Reivindicações incluem queda dos decretos do serra, e melhores salarios e em apoio aos estudantes da USP.

 

 
 
 
Mais informações nos blogs e e-mails das ocupações ou neste blog, conforme elas forem surgindo. 
Moções de apoio são bem vindas nos respectivos e-mails. 
Veja aqui o quadro das ocupaçoes no país

 

LOCAIS OCUPADOS

 

USP                                                                                       REITORIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS                            REITORIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO                  

UNESP - RIO CLARO                                                            INSTITUTO DE GEOCIENCIAS

UNESP – ASSIS                                                                    PRÉDIO DE LETRAS              

UNESP – FRANCA                                                                VICE-DIRETORIA    

UNESP - ILHA SOLTEIRA

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO                  SALAS OCUPADAS

 

Veja aqui os locais em greve nas universidades estaduais de Sao Paulo, USP, UNESP, UNICAMP e outras universidades 

 

 

 

LOCAIS EM GREVE                          

                                                           

USP (SÃO PAULO)                           

CAMPUS BUTANTà                         

CURSO                                               SITUAÇÃO

FAU                                                     GREVE

JORNALISMO                                      GREVE

ICB                                                      GREVE

FÍSICA                                                 DISCUSSÃO

BIBLIOTECONOMIA                             GREVE

ÁUDIO VISUAL                                   GREVE

MÚSICA                                               GREVE

ARTES PLÁSTICAS                            GREVE

ARTES CÊNICAS                                 GREVE

FONOAUDIOLOGIA (FOFITO)             GREVE

FISIOTERAPIA (FOFITO)                     GREVE

TERAPIA OCUPACIONAL (FOFITO)    GREVE

PEDAGOGIA                                       GREVE

GEOGRAFIA                                       GREVE

CIÊNCIAS SOCIAIS                              GREVE

LETRAS                                              GREVE

HISTÓRIA                                            GREVE

EAD                                                     GREVE

FILOSOFIA                                          GREVE

IAG                                                      INDICATIVO

GEOLOGIA                                          GREVE

PSICOLOGIA                                       GREVE

EDUCAÇÃO FÍSICA                             INDICATIVO

BIOLOGIA                                           GREVE

VETERINÁRIA                                     INDICATIVO

POLITÉCNICA                                      DISCUSSÃO

                                                           

                                                           

UNIDADES EXTERNAS USP            

CURSO                                               SITUAÇÃO

DIREITO                                               GREVE

NUTRIÇÃO                                          GREVE

MEDICINA                                             

ENFERMAGEM                                     

                                                           

EACH                                                 

CURSO                                               SITUAÇÃO

CIÊNCIAS DA NATUREZA                   GREVE

GESTÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS    GREVE

LAZER E TURISMO                             GREVE

MARKETING                                         

SISTEMAS DA INFORMAÇÃO             GREVE

TÊXTIL                                                 GREVE

CIÊNCIAS DA ATIVIDADE FÍSICA        GREVE

GERONTOLOGIA                                GREVE

OBSTETRÍCIA                                      GREVE

GESTÃO AMBIENTAL                         GREVE

 

USP (OUTRAS CIDADES)                 

CURSO                                               SITUAÇÃO

SÃO CARLOS                                     GREVE

RIBEIRÃO PRETO                                GREVE

PIRACICABA                                       INDICATIVO

PIRASSUNUNGA                                  

LORENA                                               

BAURU                                                 

 

UNICAMP                                          

CURSO                                               SITUAÇÃO

FILOSOFIA                                          GREVE

HISTÓRIA                                            GREVE

CIÊNCIAS SOCIAIS                              GREVE

EDUCAÇÃO                                        GREVE

GEOLOGIA                                          GREVE

GEOGRAFIA                                       GREVE

ARTES                                                GREVE

EDUCAÇÃO FÍSICA                             GREVE

BIOLOGIA                                           DISCUSSÃO

LETRAS                                              DISCUSSÃO

ENFERMAGEM                                    GREVE

UNESP                                               

CURSOS                                             SITUAÇÃO

ARARAQUARA                                  GREVE

ILHA SOLTEIRA                                  GREVE

MARÍLIA                                              GREVE

OURINHOS                                          GREVE

PRES. PRUDENTE                                GREVE

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO                  GREVE

OUTROS CAMPI                                  INDICATIVO

 

PROFESSORES                                  SITUAÇÃO

ADUSP                                                GREVE

ADUNICAMP                                        GREVE

ADUNESP                                            GREVE

                                            

FUNCIONÁRIOS                                

UNIVERSIDADE                                  SITUAÇÃO

SINTUSP                                              GREVE

STU (UNICAMP)                                  GREVE

SINTUNESP                                         GREVE

 

OUTROS ESTADOS

 

UFBA                                                 

UFMG                                                

FUNCIONÁRIOS                                  GREVE

 

«Previous   1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13  Next»