Esta charge revela tudo o que passavamos na mão da maioria dos grandes veículos de comunicação. Ops, revela ainda tudo o que estamos passando após a desocupação, com a temporada de caça às bruxas (criminalização do movimento) instaurada...

 

 

 

 

 Esta é uma charge feita pelo aluno Henrique Xavier da Física/Usp...

 E a reitoria ainda afirmava estar aberta a negociações....

 

Henrique Xavier, Aluno da Física da Usp

Desocupar para Ocupar. Com a saída do prédio da reitoria, os estudantes dão continuidade às suas atividades. Afinal, há muito trabalho pela frente. Precisamos de 51 dias de Ocupação para que fôssemos ouvidos e entrássemos nessa nova etapa. O que virá agora?

 

O combate à criminalização do movimento é latente e, além disso, temos que acompanhar o cumprimento do acordo feito com a reitora, garantir a funcionalidade e eficácia da comissão proposta para discutir os demais pontos reivindicados durante a Ocupação (ainda não atendidos) e trabalhar na construção do 5º Congresso da USP com a pauta Estatuinte. E tudo isso é só o começo.

 

Visando colaborar nesse processo, estudantes que participaram do movimento de Ocupação dão continuidade às atualizações deste blog, para mantê-lo como referência e canal de diálogo, tanto entre os próprios estudantes como com os demais membros da comunidade uspiana e com a sociedade.

 

Para isso, contam com a ajuda de todos os que compartilham de nossa causa. Enviem textos, comentários, imagens, etc, para o ocupacao.usp@gmail.com e façam com que este espaço virtual represente a mais ampla participação e opinião.

 

Como já dito, tudo isso é só o começo.

                                         Comecem lendo o texto abaixo publicado.

Trechos da palestra organizada pelo centro acadêmico de Filosofia da Usp, no dia 05/02/2007, com a professora Marilena Chauí.

" (...) Autônomo é aquele que é capaz de dar a si próprio as normas, as leis, e as regras da sua ação, ou seja, um autônomo é aquele que ao agir, e ao pensar, não obedece às prescrições vindas do exterior e que se abatem sobre ele, numa relação de comando e obediência. O autônomo é aquele que é livre. E ele é livre porque estabelece as regras, as normas da sua conduta, isto é, do seu pensamento e da sua ação. Autonomia é, portanto, uma disposição que é própria de duas esferas da vida humana: a ética e a política. Na ética, você não tem um sujeito ético se ele não for autônomo, isto é, se ele não for capaz de por si mesmo deliberar a respeito da suas normas de ação e de pensamento. E na política, autonomia é o que define a democracia. (...)
No caso da Universidade, (....) a idéia da autonomia está vinculada a um longo percurso que começa no século XVI e atravessa todo o século XVII e o XVIII, que é ligada a idéia de liberdade de pensamento e de expressão. Essa idéia começa no campo religioso, com a luta dos reformadores protestantes pela liberdade dos cristãos, contra o catolicismo romano, e depois prossegue como o direito de liberdade de consciência, como liberdade de opinião (contra a censura, contra a inquisição,etc), e prossegue até a chegada na ilustração francesa, quando os filósofos da ilustração francesa, (...) , afirmam a necessidade da autonomia do saber, porque as universidades existentes estavam sob o poder da igreja e sob o poder do Estado. É só com a revolução francesa, quando desmorona o poderio eclesiástico e o poderio monárquico, que a idéia de liberdade de pensamento e de expressão, liberdade de ciência, liberdade de filosofia, liberdade no sentido de autonomia da investigação, penetra no campo das universidades. Isso significa o seguinte: autonomia nasce primeiro como reivindicação das artes e do saber contra o poderio da instituição eclesiástica, e prossegue, depois, contra o poderio do Estado monárquico , e de formas tirânicas da política. (...) o fato das universidades dependerem do Estado, não as levou nunca a se considerarem como instituições estatais.
Elas são instituições públicas, e não estatais.
Isso significa o seguinte: uma instituição estatal tem que obedecer a cada uma das ordens do governante, não é nem do estado como um tal, mas do governante. Uma instituição pública é aquela que possui o seu estatuto, (...), de tal maneira que ela é financiada, sustentada, pelo dinheiro público, pelos impostos, pelas taxas, para assegurar , na forma gratuita do ensino e da pesquisa, um direito social, que é um direito cultural.
Bom, então autonomia, significa a vida das universidades. A vida da pesquisa, a vida da ciência, ou seja, a possibilidade de realizar um conhecimento ,e um conjunto de atividades, cuja finalidade, cuja necessidade, cuja utilidade é definida pela própria universidade. Ela só é autônoma se ela puder ela definir não apenas as condições de sua gestão administrativa e financeira, mas definir o conteúdo e a forma do ensino, o conteúdo e a forma da pesquisa, ela por ela mesma.
Nas universidades federais
, até a obtenção de um mínimo de autonomia, os reitores eram escolhidos pelos militares. Para comprar um clipe, ou uma fita adesiva, passava por todos os ministérios, e quando o clipe ou adesivo chegava, já não precisava mais; (...) as universidades não conseguiam se organizar, nem do ponto de vista administrativo e financeiro, nem do ponto de vista da sua existência acadêmica. Então, por isso elas tiveram uma luta insana pela autonomia, e sempre tiveram como referência à autonomia da USP. Eu sei que essa universidade é um elefante branco, conservadora, reacionária, a menos democrática de todas as universidades, não tem eleição direta para reitor(...) No entanto, do ponto de vista da relação que a Usp mantinha com o estado, ela sempre apareceu, sobre tudo aos olhos das federais , como um exemplo da autonomia, pela qual se lutou. Não foi que a Usp graças aos seus belos olhos, a sua história, a sua importância tinha essa autonomia, isso foi uma luta suada e pesada.
(...)
a privatização não é apenas a proliferação desordenada e descabelada das instituições privadas do ensino superior, mas é a maneira pela qual elas se tornam instituições do ensino superior.
(...)
Como é que funciona uma instituição privada de ensino?(...) tem estatuto, tem regimento, tem colegiado, tem congregação, tem coordenadores, tem representantes de alunos, tem tudo. Ai você vai lá e não tem, não existe, é mentira. Existe o dono, com um pequeno conjunto de subordinados, que administram isso de que ele é dono, e uma massa de professores horistas, que podem ser demitidos ou não a qualquer momento.
(...)
Eu expliquei o que são as fundações na Usp, o abismo e o buraco negro que elas são, a corrupção que está presente, a determinação da atividade da Usp pelas empresas, e o que era a FIP, de que jeito que é a FEA, que é um supermercado.
(...)
A privatização é de um lado o corte de verbas relativo as universidades públicas ,e a idéia de que elas são modernas, progressistas, e realizam uma extensão útil a sociedade através da parceria com as empresas, que são as fundações. O que nós temos que ter em mira, é que esses decretos, e mais outros que estão ai, mais a posição do Pinnoti (que é membro do conselho da FMU), é o início de um percurso em que o Estado de São Paulo vai reproduzir o que o Paulo Renato fez no país.
Essa autonomia significa colocar uma barreira, do ponto de vista dos direitos, do ponto de vista da qualidade, e do ponto de vista do serviço a sociedade brasileira, colocar uma barreira a essa corrupção, a essa privatização, a essa indecência que aconteceu nesse país durante quase dez anos. É disso que se trata gente. Nós não estamos só querendo que toda essa trapaça burocrática não nos atrapalhe. Nós não estamos só querendo que toda essa fragmentação e esse autoritarismo dos decretos não nos prejudique. A nossa ação, é não só a ação de denúncia e de oposição às ações já realizadas, mas de crítica ao que essas ações indicam, porque o que elas indicam é esse desastre, essa demolição, essa destruição da universidade pública. Então é uma batalha pra valer, longa, dura, complicada, mas ou agente faz isso, ou agente perde as universidades públicas de São Paulo. "

Marilena Chauí

*Nota de Repúdio*


O Fórum das Seis, que congrega as entidades representativas de docentes,
funcionários técnico-administrativos e estudantes das universidades
estaduais paulistas e do Centro Paula Souza, manifesta veemente repúdio
à utilização de expedientes policiais como foi o caso perpetrado contra
os estudantes no campus da Unesp de Araraquara na madrugada de 20/06/2007.

A defesa da autonomia das universidades estaduais paulistas se faz com
base na construção de estratégias de resolução dos seus conflitos
internos por meio do diálogo e da negociação entre as partes, o que
implica a compreensão de que as reivindicações dos setores que a compõem
se inserem numa perspectiva histórica, que deve ser devidamente
contextualizada, de modo que as questões postas sejam passíveis de
superação.

A utilização de força policial, na tentativa de resolver conflitos
instalados, ataca a autonomia universitária e coloca sob a tutela da
Secretaria da Justiça e da Segurança Pública a resolução de problemas
internos à universidade. Ao contrário, a adoção dessa postura contribui
para a configuração efetiva de um impasse que não interessa à sociedade.

Tal impasse só poderá ser rompido com a retomada das negociações. A
negociação é uma prerrogativa da autonomia universitária e o uso de
força ou de qualquer forma de punição aos que lutam por uma universidade
pública, gratuita, autônoma e democrática é inadmissível.


*São Paulo, 21 de junho de 2007.*


   FÓRUM DAS SEIS ENTIDADES

 

Carta aberta de professores da USP

Em repúdio à ação policial de desocupação do prédio da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista, Unesp de Araraquara, na madrugada desta quarta-feira, dia 20 de junho, e frente às ameaças de criminalização do movimento estudantil da Unicamp e da USP, nós,
professores universitários abaixo-assinados, viemos a público expressar nossa mais profunda indignação contra atos desta natureza. Estamos convencidos de que, apesar de todas as dificuldades, a negociação é o único caminho para uma solução permanente dos conflitos já instalados, sendo a presença policial nos campi um meio de acirramento das cisões no seio da comunidade acadêmica, interessando apenas àqueles que visam ao enfraquecimento e à dissolução dessas universidades. Portanto, manifestamos aqui nosso veemente repúdio a qualquer tipo de punição que recaia sobre aqueles que estão mobilizados em defesa da Universidade pública.

São Paulo, 21 de junho de 2007.

Se você, professor, concorda com o texto acima, envie e-mail com seu
nome completo e unidade para rkoba@uol.com.br

Adma F. Muhama (FFLCH-DLCV)
Adrián Pablo Fonjul (FFLCH-DLM)
Cecilia Casini (FFLCH-DLM)
Cilaine Alves Cunha (FFLCH-DLCV)
Edu Teruki Otsuka (FFLCH-DTLLC)
Hélder Garmes (FFLCH-DLCV)
Larissa Mies Bombardi (FFLCH-Geografia)
Léa Francesconi (FFLCH-Geografia)
Leon Kossovitch (FFLCH-Filosofia)
Manoel Fernandes de Sousa Neto (FFLCH-Geografia)
Marcos Piason Natali  (FFLCH-DTLLC)
María Teresa Celada (FFLCH-DLM)
Maria Zulma M. Kolikowski (FFLCH-DLM)
Mayra Laudanna (IEB-USP)
Ricardo Musse (FFLCH-Sociologia)
Roberto Zular (FFLCH-DTLLC)
Sandra Guardini T. Vasconcelos (FFLCH-DLM)

Il Pleut Sur L’Université
 
Hoje é um dia cinza e triste, Il pleut sur  L’Université!
Na calada da noite, sem testemunhas, no mais puro estilo autocrático digno dos tempos da ditadura, a força tática e a tropa de choque da polícia militar, com a conivência presente do diretor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp/Ar., Cláudio Gomide, executaram a reintegração de posse do prédio da diretoria do Campus de Araraquara. 
Contra a truculência, as armas e o aparato repressivo da polícia de choque, o olhar digno dos rostos dos estudantes que bravamente defenderam e continuam a defender a Universidade pública gratuita e de qualidade. Contra a proposta de diálogo, os cassetetes. Contra os argumentos dos estudantes, a prisão e o  4° Distrito Policial !
Este fato demarca águas e campos na história das Universidades Estaduais Paulistas. Nunca, nem mesmo nos tempos mais duros dos anos de chumbo, uma autoridade acadêmica utilizou-se da força policial contra reivindicações estudantis. Particularmente na Unesp, onde vemos uma crescente “criminalização” do movimento estudantil, onde o diálogo e a tolerância democrática vem sendo substituídos por punições, expulsões e agora, em seu clímax, a Tropa de Choque no Campus!
Mais que inaceitável, tal ignomínia não somente assinala o caráter de um governo que se empenha desesperadamente em cumprir acordos inconfessáveis de privatização do ensino superior paulista como ― e o que se constitui no ponto de maior gravidade ―, aponta para a cooptação e a adesão por parte de um segmento dos professores à política de desmonte da Universidade pública.
Há todo um contexto nessa ação despropositada perpetrada no Campus da Unesp de Araraquara. É o início da fase repressiva do governo estadual para com os movimentos estudantis e dos funcionários do serviço público. Especialmente das Universidades, onde se encontram os núcleos de resistência mais conseqüentes. A construção de uma base política de Serra nas Universidades públicas é parte significativa para a “legitimação” da repressão e do desmonte. O apoio da mídia ― que vocifera diariamente contra as “badernas” estudantís ― e a aceitação irresponsável por parte dos reitores das “explicações” esfarrapadas do sr. governador constituem um aríete importante da ofensiva privativista sem precedentes do governo José Serra, contra as Universidades públicas do Estado de São Paulo.    
Frente a isso, e aos novos acontecimentos, emblematizados na ação repressiva de Araraquara, não podemos vacilar e tampouco tergirversar. As ADs das Universidades públicas paulistas e o Fórum das Seis devem se pronunciar repudiando duramente essa ação autocrática e lesa-Universidade contra os estudantes. Mais do que isso, devemos discutir em nossas assembléias o que fazer diante de tal truculência e insanidade. Como educadores temos a obrigação de refletir com profundidade sobre o significado desse ato. Agora, “dialogam” com a tropa de choque contra os estudantes, depois, serão as punições institucionais contra professores e funcionários que se atreverem a questionar as atitudes da burocracia acadêmica e do governo de São Paulo. Na próxima greve a interlocução “acadêmica” poderá ser realizada com a polícia de choque e no distrito policial.
É na continuidade do nosso movimento que devemos responder a um ato que inicia a nova fase de “diálogos” de Serra com a Universidade pública: a do prendo e arrebento. Calados, seremos coniventes. Mobilizados manteremos nossa luta contra o desmonte e a privatização das Universidades Estaduais Paulistas.
Com a palavra, o movimento!       
 
Antonio Carlos Mazzeo
Prof. Adjunto do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas
Faculdade de Filosofia e Ciências – Unesp/Marilia

 

 ATO   21.06  ÀS 8H
concentração em frente a reitoria

 

Frente a todos acontecimentos do últimos dias, prisão de estudantes em araraquara, sinalização da entrada da policia na Unicamp e o cancelamento da negociação por parte da reitora da USP, Suely Vilela, o comando estadual e a assembléia dos funcionarios deliberaram um ato amanhã com concentração em frente a reitoria a partir das  8H.

 

ATO   21.06  ÀS 11H
ANFITEATRO DA GEOGRAFIA

 

"Em repúdio à ação policial para desocupação do prédio da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara na madrugada desta quarta-feira e frente às ameaças de criminalização do movimento estudantil da Unicamp e da USP, nós, professores universitários, viemos a público expressar nossa mais profunda indignação contra atos dessa natureza.
Estamos convencidos de que, apesar de todas as dificuldades, a negociação é o único caminho para uma solução permanente dos conflitos já instalados, sendo a violência um meio de acirramento das cisões no seio da comunidade acadêmica, servindo apenas aqueles que procuram o enfraquecimento e a dissolução da Universidade pública.
Pedimos portanto a todos os colegas que mobilizem os recursos a seu alcance para evitar novas agressões ao movimento estudantil e convocamos todos a comparecer amanhã, 21 de junho, quinta, 11h00, no anfiteatro da Geografia, a fim de encontrarmos formas para  expressar publicamente nossa posição, contrária a qualquer tipo de  punição que recaia sobre os que estão mobilizados em defesa da Universidade pública. "

 
http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2007/06/19/296429690.asp 

 

hoje realizou-se  pela manha  uma assembléia na UNICAMP com aproximadamente 1500 estudantes que mantiveram a greve e  a ocupação da DAC.

 

link do blog da ocupação da unicamp

http://ocupacaodacunicamp.blogspot.com/

No relatório que julga o mérito do processo que pede a inconstitucionalidade do decreto que criou a Secretaria de Ensino Superior, o desembargador Palma Bissom, relator do processo que analisa a proposta com pedido de medida liminar, ao fundamentar sua decisão, declarou que o referido decreto é inconstitucional, ilegal e abusivo. Neste sentido, perguntamos: a PM vai entrar na Secretária de Ensino Superior para desalojar o Pinotti?

 

Neste momento de retrocesso da falsa democracia em que vivemos, a face ditatorial de nossa sociedade se explicita:  prendem-se estudantes em luta pelo o que dita a Constituição Federal,  que é o direito de todos a uma Educação Gratuita de Qualidade.

Para não esquecermos de nosso passado, postamos a letra de uma música de Julinho da Adelaide (Chico Buarque), em repúdio a ação policial no campus de Araraquara na calada da noite.  

 

Acorda Amor

Composição: Leonel Paiva/Julinho da Adelaide (Chico Buarque)

 

Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão de escada
Fazendo confusão, que aflição
São os homens
E eu aqui parado de pijama
Eu não gosto de passar vexame
Chame, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão

(...)

Acorda amor
Que o bicho é brabo e não sossega
Se você corre o bicho pega
Se fica não sei não
Atenção
Não demora
Dia desses chega a sua hora
Não discuta à toa não reclame
Clame, chame lá, chame, chame
Chame o ladrão, chame o ladrão, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão)

 

P.S.: Fecham-se as portas e os ouvidos antes, para depois, coagir fisicamente os que se fazem ouvir.

ESTUDANTES FUNCIONÁRIOS PROFESSORES

USP UNESP UNICAMP FATEC E ETES + FUNCIONALISMO

saída do MASP 14H

ato até o centro, na secretaria de ensino superior.  

Charge de Latuff, em apoio à ocupação da USP por estudantes, servidores e professores.

 

veja outras charges aqui !

Há hoje, vigente na USP (Universidade de São Paulo), um movimento de importância muito maior do que, talvez, imaginem seus integrantes.
Quantas vezes não ouvimos, com certa razão que concordamos, reclamações de que o brasileiro é subserviente, que aceita tapas na cara de gente ínfera, quando muito, ficando calado? Quantas vezes nossa juventude, ainda com verdade que nos fazia vontade de também falar, foi rotulada de hedonista, irresponsável e individualista? Quantos "se fosse no meu tempo..." ou "na minha época isso não acontecia..." ouvimos e nos envergonhamos?
Eis que a mão, novamente, foi levantada. Mas, dessa vez, o rosto quente espelhou a dor. O coração, pulsou. A dignidade gritou. Mobilizaram-se. Soergueram-se. Revoltaram-se. E, ainda assim, recebem o olhar torto da sociedade que condenava seu ostracismo. São os ossos do ofício.
Mas esta carta tem um objetivo: demonstrar apoio à ocupação e às pertinentes reivindicações do movimento estudantil.
Parece ser um postulado o fato de que uma nação bela só faz-se com um povo desenvolvido, que por sua vez, só pode existir através de uma educação de qualidade e popularizada. A educação pública é para o brasileiro o que Moisés foi para os israelitas. Porém, ela tem sido, historicamente, mantida encarcerada, presa às correntes da má vontade política interesseira. Não pôde exercer, até hoje, seu papel de nos conduzir à Palestina. Por isso, o brasileiro submerge-se na escravidão contemporânea como se fosse parte constituinte de seu corpo, como se expressasse a condição única de vida humana.
Então, alunos da maior universidade pública do país, "privilegiados" com o ingresso em uma das últimas referências internacionais em conhecimento e produção científica do Brasil, resolvem esquecer-se de toda essa baboseira de "contente-se, você estuda de graça." e sair à luta para que mais pessoas possam desfrutar desse "privilégio" e mais, para que a possibilidade desse desfrute seja universal a todos os brasileiros.
Reformas, melhorias, ampliações, democracia e autonomia. O que parece fim, é, em real, meio. Meio para alcançar algo maior, um sonho no qual essa juventude pode agarrar-se. O sonho de marcar, ainda que somente com as iniciais, seu nome na construção de uma revolução no ensino e na produção intelectual. O sonho de uma universidade de qualidade voltada para os interesses da sociedade e não de políticos situacionistas ou empresários capitalistas. O sonho de uma universidade ligada aos desejos e necessidades do povo. Conectada ao ensino básico, fazendo justiça aos mais aplicados alunos, sejam eles negros, brancos, morenos, mulatos, índios, orientais ou qualquer outra etnia ou classe social.
Por isso a Ocupação tem vida. Por isso o movimento angaria apoios diversos. Porque é contra a lógica de que todos devemos consumir tudo. O saber não é para ser consumido. É para ser absorvido. Por todos e por tudo, inclusive por um prédio de Reitoria.

    Por seu passado de líder estudantil, o governador José Serra é o último governante a quem poderíamos desculpar o ato infame e vergonhoso de trazer a Polícia para dentro da Cidade Universitária.

 “Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer”

(Chico Buarque, “Quem Te Viu, Quem Te Vê”)

          Termine como terminar a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo por estudantes indignados com uma possível quebra da autonomia da instituição, o grande perdedor, claro, é o governador José Serra, que começou sua trajetória política como presidente da União Nacional dos Estudantes e agora repete as práticas autoritárias do ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho. Faz lembrar a propaganda contra armas que eu via nos ônibus quando criança: “hoje mocinho, amanhã bandido”.
      Depois que o estado de direito foi restabelecido no Brasil, a atitude de tratar protestos justificados como caso de polícia parecia estar destinada à lata de lixo da História (bem como, aliás, quase todo o “legado” do regime militar). Foi estarrecedora a decisão de Serra, de erigir a Polícia Militar em sua “negociadora” com os estudantes.
            É mais uma personalidade empenhada em incinerar seu currículo, talvez até como forma de se tornar palatável para os inimigos de ontem. Afinal, é assim que agem alguns homens de esquerda quando colocam a Presidência da República como seu objetivo supremo...
        Os estudantes ocuparam a reitoria no último dia 3, reagindo a um decreto promulgado pelo Governo do Estado que altera a estrutura das universidades públicas estaduais. O educador Antonio Carlos Robert Moraes critica a medida sob vários ângulos:

· não constava do programa de governo de Serra, nem foi levantada em sua campanha eleitoral;
 
· não houve discussões prévias com a comunidade uspiana;
 
· sua necessidade para aprimoramento do ensino é das mais discutíveis no caso da USP, que estava mantendo a excelência de sua produção acadêmica e vinha expandindo vagas;
 
· além de aparentemente desnecessário, o decreto continha graves lacunas e imprecisões, só sanadas com as alterações efetuadas depois da promulgação.
 
          Se um eminente professor como Moraes reclama que a “Universidade de São Paulo não pode ser colocada na ‘bacia das almas’ do jogo de interesses mercantis, partidários ou político-eleitorais”, é fácil imaginar como tudo isso repercutiu entre os estudantes.
          Serra, mais do que qualquer outro, tem a obrigação de saber que a tradição da USP é de resistir a imposições autoritárias. Deveria ter revogado o decreto e aberto a discussão. Em vez disso, preferiu enfiá-lo pela goela dos professores e alunos adentro. Será o grande responsável por tudo de mau que vier a acontecer.
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