Ato de integracao universitaria no vao do MASP foi cancelado.

Devido a grande grade de atividades decidimos adiar para uma data futura.

 mais informacoes em breve. 

Aha! galera tamos no ar em pleno vapor!
(valeu pelo starone!) 
 
 
logo mais, o calendário da semana! 
 

vamos REfazer a tela do RELÓGIO!!!

venha ver como funciona e trazer idéias pras próximas estampas ...

vamos fazer tudo do zero e na ocupação:

de esticar o tecido no quadro até as primeiras camisetas estampadas. 

OFICINA DE SILK

SEXTA (08/06) - 13h30 - no Copérnico (hall principal) 

07.06.2007 - Cortam  o pulso da internet..

Às 0h do dia 07.06, a USP derrubou a internet da reitoria ocupada.

 

Precisamos de um starone ou qualquer outra

internet via satélite!

 


Subversão! sub-verter da técnica a política, desmediar por cabos a vida e o movimento, é força bruta contra a brutalidade dos meios de comunicação que criam a massa, esse ser abstrato e disforme..

A força dos projetos de comunicação que se põem contra tanta mentira organizada se mostra ainda mais com esse corte! Tentam bloquear nossa proposta de esclarecimento como desmistificação das massas.

Imagens.. a comunicação em massa nos transmuta em imagens, substituíveis, intercambiáveis, consumíveis e descartáveis, sem essência e conteúdo. A forma-mercadoria intangível, que estimula as suas piores pulsões, no gozo consentido de cada receptor de imagens sonoras e visuais bombardeadas a cada botão apertado.

Forma-se a equação: acidente de carro = manifestação de rua = estatísticas do capital = novo lazer das top-models = qualquer novela = primeira página de todo semanário = a grife da vez =  a mulher que se transforma em cerveja = a nova e velha igreja = qualquer ocupação, espetáculo da vez, no lugar de qualquer ação política, vendida pra qualquer sofá inerte, de onde se torce a favor ou contra, no intervalo do futebol.

Como a Universidade, a internet é espaço político em disputa: expectativa de diálogo, interlocutores e estímulo à ação. O sentido desta mensagem performativa é evocar a emancipação, a não-passividade, para além do campo, onde apenas se reproduz a imagem e o discurso totalitário dessa imagem, cuja verdade se resolve em sua repetição.
Esperamos respostas.

A ação politica também se manifesta na subversão da linguagem, como na pequena ilha de onde falamos cercados pelo bombardeio intempestivo da indústria cultural e seus valores, a identidade única, a violência institucional, e o gozo daqueles que esperam ansiosos a tropa de choque sobre nós.           

Enquanto restarem gargantas, não restará silêncio

 

    Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
 

No dia 06/06 um grande ato, encabeçado pela linha dura ideológia da Universidade de São Paulo, estava marcado: “Ato contra a greve e contra a ocupação”. O argumento, simples de se entender, as assembléias gerais dos alunos, assembléias da ADUSP e do SINTUSP não representariam suas bases por ter uma representatividade muito baixa. Assim sendo, o movimento de greve e a Reitoria Ocupada seriam ilegítimos.

Entretanto, o grande ato foi pífio. Após um período de espera, o ato atingiu aproximadamente 150 integrantes. Frente a este problema, a organização desistiu de protestar em frente à Reitoria ocupada, foram apenas, até a famosa Praça do Relógio, onde nem mesmo conseguiram dar um abraço simbólico ao relógio. Cantaram o Hino Nacional.

Já na reitoria, ocorreu efetivamente um “abraço à reitoria”. Com número de participantes maior, contava com estudantes, professores e funcionários da USP, UNESP e da UNICAMP, estudantes secundaristas e Movimento dos Sem Universidade. Após o ato, manteve-se a programação na reitoria: o encontro das estaduais, incorporado pelos estudantes secundariastas, fizeram Grupos de Discussão (GDs) e Grupos de Trabalho (GTs).


O que tal acontecimento significa?

Ora, se os contrários à ocupação não consegue organizar nem um único ato que, segundo eles, representa a vontade da maioria, será que é de fato a vontade da maioria que está em questão ou o projeto totalitário de poucos?


A Reitoria Ocupada é o marco de uma luta que ultrapassa a greve. Discussões frutíferas sobre projetos de educação, direitos democráticos, formas de organização social, cidadania, fazem parte do nosso cotidiano.

É um movimento organizado que atinge sim suas bases, pois, por elas foi chamado. O Movimento Estudantil de hoje, ao contrário de poucos anos atrás, não se faz a partir de lideranças, sendo sim construído pelas bases.

A direita, por outro lado, tenta liderar os alunos e funcionários. Muitas vezes coagem os primeiros e ameaçam os segundos que, infelizmente, mantém-se encabeçados pelo senso comum. Mas, como todo ato de liderança que não representa as bases, demonstra-se inviável. Os estudantes, assim como demais setores, hoje, sabem qual é o projeto do Estado, qual é o projeto da Reitoria, qual é o projeto da Direita. E se recusam a colaborar com tal projeto.

Tal desordem é sintoma do afastamento em relação aos movimentos organizados e, aos membros críticos da sociedade. É um sintoma da perda da hegemonia que possuia outrora, afastados de suas bases, enquanto os movimentos de esquerda se aproximam cada dia mais.

 

O professor Gerárd Doménil da CNRS (França) vistará a ocupação!

Detalhe: Ele participou do movimento estudantil françês na década de 60.

Hoje, 07 de junho, às 15:30h!!

JÁ ALGUMA VEZ EXPERIMENTOU O DESEJO DE NÃO MAIS LER JORNAIS E DE PARTIR O SEU TELEVISOR ?

Nesse caso compreendeu que :

a) Os jornais, a rádio, a televisão são os veículos mais grosseiros da mentira. Não só nos afastam a todos os verdadeiros problemas — do «como viver melhor» que se pôe concretamente todos os dias — como também levam cada indivíduo, em particular, a identificar-se com as imagens já feitas, a colocar-se abstractamente no lugar dum Chefe de Estado, de uma vedeta, de um assassino de uma vítima, em suma, a reagir como se fosse um outro. As imagens que nos dominam são o triunfo daquilo que nós não somos e do que nos afasta do nós próprios; do que nos transforma em objectos a classificar, etiquetar, hierarquizar, segundo o sistema da mercadoria universalizada.

b) Existe uma linguagem ao serviço do poder hierarquizado. Não se encontra apenas na informação, na publicidade, nas ideias feitas, nos hábitos, nos gestos condicionados, mas também em toda a linguagem que não prepara a revolução da vida quotidiana, em toda a linguagem que não está ao serviço dos nossos prazeres.

c) O sistema mercantil impõe as suas representações, as suas imagens, o seu sentido, a sua linguagem, de cada vez que se trabalha para ele, ou seja, a maioria do tempo. Este conjunto de ideias, de imagens, de identificações, de comportamentos condicionados pela necessidade de acumulação e renovação de mercadorias, formam o ESPECTÁCULO onde cada um representa falsamente aquilo que não é. Daí que o papel seja uma mentira viva e a sobrevivência um mal-estar permanente.

d) O espectáculo (ideologias, cultura, arte, papéis, imagens, representações, palavras-mercadorias) é o conjunto de comportamentos sociais, através dos quais, os homens entram no sistema mercantil, nele participam contra si próprios, tornando-se objectos de sobrevivência — mercadorias — renunciando ao prazer de viverem realmente para si e de construírem livremente a sua vida quotidiana.

e) Sobrevivemos num conjunto de imagens às quais somos levados a identificar-nos. Agimos cada vez menos por nós próprios e cada vez mais em função de abstracções que nos dirigem, segundo as leis do sistema mercantil (lucro e poder).

f) Os papéis ou as ideologias podem ser favoráveis ou hostis ao sistema dominante, o que é pouco importante, uma vez que continuam no espectáculo, no sistema dominante. Só o que destrói a mercadoria e o seu espectáculo é revolucionário.

De facto, você já está saturado da mentira organizada, da realidade invertida, dos fingimentos que macaqueiam a vida verdadeira e acabem por empobrecê-la. Você luta já, conscientemente ou não, por uma sociedade em que o direito de comunicação real, pertença a todos, onde cada um possa dar a conhecer o que lhe diz respeito, graças à livre disposição das técnicas (tipografias, telecomunicações) onde a construção de uma vida apaixonante, liquida a necessidade de ter um papel e de dar mais valor à aparência que ao vivido autentico.

Estudantes reunidos em assembléia hoje em frente à reitoria decidiram manter a ocupação e a greve.
Reafirmamos nossas pautas, portanto pedimos a revogação integral dos decretos e a ampliação do atendimento dos 18 pontos em negociação coma reitora.

Convocamos todos aqueles que apoiam a ocupação para um ato amanhã, aqui na ocupação da reitoria, às 9h, em defesa da ocupação.

Em seguida, todo mundo na plenária estadual de estudantes, a se realizar também aqui na ocupação.

Foi marcada a reunião do comando de greve aberto para segunda às 18h. 

A REITORIA DA UFRGS FOI OCUPADA HOJE
O plano é resistir por 24 horas.
Um manifesto escrito pelo DCE foi entregue ao reitor da Universidade.

As pautas são:
. apoio à ocupação da USP pela autonomia universitária
. garantia dos espaços alternativos ocupados pelos alunos
. cotas
. políticas de permanência estudantil
. ampliação dos Restaurantes Universitário e construção do RU ESEF

Abaixo está a resolução de não participar da caminhada contra a ocupação por parte dos docentes da Geociências!!!

***

Caros Colegas,

A Direção do Instituto de Geociências tendo recebido um convite para
participar de uma Caminhada pelo Campus, no dia 6 de junho, saindo do  IPT
rumo à Reitoria da USP, decidiu convocar uma reunião com docentes para
 discutir a nossa posição a esse respeito. Os docentes presentes à reunião
(dia 5 de junho, às 11:00 horas), após discussão, decidiram por unanimidade
não aderir à Caminhada pelo Campus, por entenderem que essa
 iniciativa não é oportuna pois, ao contrário de contribuir para solucionar
o impasse, tem o potencial de gerar mais conflitos prolongando ainda mais a
crise atual.

 

Assembléia Geral dos Estudantes da USP

deliberou pela manutenção da greve e da Ocupação da Reitoria.



Informes!

- Foi marcada mais uma reunião de negociação com a reitora nesta segunda-feira (horário ainda a confirmar)

- Em assembléia geral, a Poli decidiu por uma paralisação (!!!) na terça-feira (05.06) para aprofundar as discussões sobre a situação atual. Foram formados grupos de trabalho para tratar da questão dos decretos, do estatuto e demais questões que envolvem o próprio conceito de Universidade Pública. As pautas foram votadas uma a uma e 14 delas foram aprovadas. Nas duas primeiras votações sobre a greve não houve contraste, mas depois a entrada na greve perdeu por cerca de 40% a 60%. Haverá uma outra assembléia às 15h desta terça, na qual serão apresentados os resultados dos Gts e haverá nova votação sobre a greve.

- A reitoria da UNESP pediu reintegração de posse do prédio da diretoria de Presidente Prudente!

- Instituto de Física: o prof. Elsio Abdala envia pedido de sindicância contra seis alunos participantes do movimento de greve ao diretor em exercício do Instituto de Física.

- Direito: mais de 500 estudantes reunidos em assembléia geral (somando-se manhã e noite) se posicionaram em unanimidade contra os decretos do governo do Estado. Decidiu-se, por maioria, pela união a toda mobilização que busque derrubá-los e, além disso, foi aprovado um indicativo de greve que será submetido a um plebiscito nesta terça (05.06) às 9h.

- USP São Carlos - CAASO: neste final de semana, a ocupação do bloco da engenharia completa 80 dias. Em assembléia foi decidido apoio total à ocupação da reitoria da USP e que o bloco só será desocupado com a revogação total dos decretos.

- A Reitoria da USP usa a ocupação como desculpa para cessar as negociações (que acontecem há anos) com diversos movimentos sociais sobre a isenção da taxa de inscrição do vestibular. Há um mês e ½ sem negociar, lança o edital sem organizar as isenções.

- Havia aproximadamente 1000 estudantes presentes


Deliberações!

Manutenção da greve. Mantidos eixos – contra decretos do governador
José Serra, mais verbas para educação, estatuinte já.


Manutenção da Ocupação da Reitoria da USP.

A assembléia geral dos estudantes da USP faz um chamado a todos os
estudantes do país pela realização de uma Plenária Nacional dos
Estudantes em defesa da Educação
, a se realizar na Ocupação. O
chamado será feito a partir de uma carta, a ser enviada aos Centros
Acadêmicos, DCEs, FEMEX (Federação de Executivas de Curso) e Frente
de Luta Contra a Reforma Universitária, etc.

Domingo: dia de discussão sobre os decretos (a partir do decreto declaratório), sobre as pautas e sobre a estatuinte (vide calendário no post seguinte)

 
Próxima Assembléia Geral dos Estudantes da USP marcada para
Terça-feira, 5 de junho, às 18 horas.
 
Aos orgãos da FFLCH, solicitaria a divulgação desta manifestação de apoio aos estudantes, funcionários e professores em greve, tanto no âmbito da FFLCH como fora dela.
 
Recebi pela internet dois documentos de grande importância, destacando-se o manifesto assinado por vários professores da FFLCH, de outras unidades da USP e outras Universidades estaduais, em resposta à manifestação do Professor Sergio Adorno sobre o atual movimento estudantil em defesa das Universidades públicas estaduais, ameaçadas de perda de autonomia pelos recentes decretos do Governador do Estado. Em que pesem alguns desmentidos por parte deste, parece tratar-se de mais uma tentativas de emascular a Universidade  pública brasileira a partir de um de seus mais importantes núcleos, as tres Universidades paulistas.
 
Lembro neste momento um episódio recente (governo anterior) que modificou profundamente os Institutos de Pesquisa do Estado de São Paulo. O exemplo do que ocorreu com o IAC é significativo: perdeu suas estações experimentais, transformadas em mini centros autônomos (sem recursos), algumas seções foram praticamente eliminadas, diminuindo a capacidade de trabalho daquela instituição. Outros institutos de pesquisa sofreram também a ação "disiplinadora" do governo, com transformações nem sempre desejaveis.
 
Vemos, agora aparecerem jusficativas sobre os decretos, entre elas uma que já constava da plataforma eleitoral do então candidato: seriam incentivadas as Faculdades Técnicas (porém não exatamente como as FATEC's), mais importantes para a sociedade (qual ? quem?) do que as Universidades. Porém a própria FATEC sofreu os efeitos do decreto, além da FAPESP: foram desligadas de onde estavam e passaram para outra Secretaria de Estado onde, fatalmente, perderiam parte (grande ? pequena?) de suas prerrogativas atuais. Abrem-se as torneiras para o financiamento das empresas e diminue o fluxo para a pesquisa de ponta, realizada nas Universidades. Só para lembrar, dois fatos:
 
1- as tres Universidades paulistas são responsáveis pela da maior parte dos conhecimentos gerados anualmente no Brasil;
2- grande parcela desse conhecimento é produzido pelos estudantes de pós-graduação.
 
É óbvio que restringir os recursos para a pesquisa, ameaça que paira no ar com os decretos e as intenções do atual governo, seria dificultar ainda mais o funcionamento desse sistema já por si carente de recursos, apesar dos brilhantes resultados.
 
A idéia da produtividade em ciência e pesquisa nada tem a ver com a idéia de produtividade dos setores econômicos, que  muitas vezes raciocinam apenas em termos de avanços tecnológicos: sem a pesquisa fundamental não há avanço tecnológico, há apenas cópia (nem sempre boa) do que é feito lá fora. A qualidade da pesquisa não pode ser contabilizada quantitativamente, porque ela é tão sómente qualitativa.
 
Nesse sentido, lembro de episódios um pouco mais antigos, que datam ainda dos anos em que saiamos das trevas da ditadura para anos mais arejados. Foi a famosa greve das Universidades paulistas no governo Maluf. Lutava-se por um aumento salarial, em tempos de inflação galopante, tinhamos de nosso lado um jovem economista que  mostrava por A+B que havia dinheiro nos cofres do erário capás de atender nossas reinvidicações.
 
Quase nada recebemos e mas com a mudança de  patrão no governo (Montoro) abria-se uma esperança: o jovem economista (José Serra) fora guindado ao posto de Secretário (da Fazenda? do Planejamento?). Não houve nenhum avanço nas negociações salariais e, para surpresa de muitos, aquele que havia demonstrado haver dinheiro suficiente para os aumentos no governo Maluf, usava agora os mesmos argumentos que havia combatido, para dizer não ser possível atender nossas por falta de...dinheiro. Nova greve sobreveio.
 
Quero terminar este longo comentário com um pouco da memória da Faculdade de Filosofia.
Com razão lembram meus colegas, autores/assinantes do manifesto "SOBRE A DESOBEDIÊNCIA CIVIL", que "as ações diretas que desobedecem o poder político não são um mero uso de força...mas um uso que aspira mais legitimidade que as ações daqueles que controlam os meios legais de violência". "Há assim, na desobediência civil, uma disputa de legitimidade entre a ação legal daqueles que controlam a violência do poder do estado e a ação daqueles que fazem uso da desobediência reinvidicando uma maior justiça de propósitos".
 
FFCL: remember 1968 quando professores invadiram a sala da Congregação, no último andar da antiga Faculdade de Filosofia na rua Maria Antônia, e assumiram o poder.
A Faculdade de Filosofia era a própria idéia de Universidade, não havia nenhum Instituto que a reforma de 1970 criou: todos a ela pertenciam.
O que se buscava: a reforma dos Estatutos. Quase imediatamente criou-se a primeira Comissão Paritária na USP, tripartite entre professores, estudantes e funcionários, sob a regência de nada menos que ANTÓNIO CANDIDO. Apesar da ditadura militar, de ameaças à nossa integridade física, passamos imediatamente a trabalhar, criando várias Comissões, cada uma tratando de um tema.
Foram 4 meses de trabaho! Que reuniões fantásticas na sala da esquerda do hall de entrada: discutia-se a Universidade, a Sociedade, o momento dificil que passavamos no país. Quantos ainda estão por ai, passados 39 anos?  
 
Era a desobediência civil contra o poder estabelecido dentro da Universidade, naquela época o
reitor também não era escolhido pela comunidade, só os membros do Conselho Universitário tinham direito de voto; a Faculdade de Filosofia, em que pesasse ser a maior unidade da USP, contava com apenas 1 votoi! 
Mas a luta era também contra o poder politico externo, o que valeu no inicio de 1969 a aposentadoria compulsória de inúmeros professores como Florestan e Otavio Ianni que, por sinal, nem da Paritária foram!.
Mas o movimento espraiou-se pela outras unidades e logo em todas elas outras tantas Paritárias foram criadas.
 
A desobediência civil da época obrigou o C.U. a mexer-se e, em 1970, novo estatuto foi outorgado: era o fim da cátedra. criavam-se os departamentos, mas diminuia-se o poder politico da Faculdade com a criação dos Institutos. Foi um pouco o dividir para reinar.
 
Também daquele movimento sairam vários companheiros uns para o exílio, outros para a luta clandestina e com freqüência a morte. Mas alguns sobraram: lembro uma frase de NABOR RUEGG que dizia ser importante a resistência para que, quando viessem tempos melhores, houvesse gente tornando possível recomeçar.
É a desobediência civil que permite caminhar para a frente: em tempos atuais, nossa sociedade mostra isso de sobejo com os movimentos dos sem nada.
 
O estudantes estão mostrando o que é desobediência civil: não se trata de acoima-los de minoria, insensatos ou coisa que o valha: eles estão tendo a coragem de empunhar a bandeira da desobediência civil, que é o que faz a sociedade ir para a frente.
 
José Pereira de Queiroz Neto
MOÇÃO DE APOIO E AGRADECIMENTO
À OCUPAÇÃO DA REITORIA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL

Nós, ESTUDANTES DA REITORIA OCUPADA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, apoiamos integralmente à ação do Movimento Estudantil da UNIVERSIDADE DE SANTA MARIA que OCUPOU SUA REITORIA.

E mais, para além dessa ação, gostaríamos de agradecer e parabenizar nossos colegas do Movivento Estudantil, pois, notamos, por sua pauta, uma real preocupação com um "Ensino Superior Público, Gratuito, de Qualidade, Democrático e Popular".

Ressaltamos que vocês analisam muito bem a atual e precária situação, em que o sucateamento da Educação ameaça a toda a sociedade brasileira. E um novo Movimento Estudantil surge para reclamar: "Em momentos onde os Movimentos Sociais se organizam nacionalmente para reivindicar seus direitos, o Movimento Estudantil afirma que a educação é um bem público, responsável pelo desenvolvimento social e, portanto, não pode ser privatizada. Queremos uma Universidade a serviço daquilo que é de interesse da maioria da população, o que pressupõe o financiamento público das atividades de ensino – pesquisa – extensão, condição para que a universidade cumpra com suas funções com autonomia."

E ainda, os colegas reconhecem seu papel, não abrindo mão da crítica e auto-crítica necessárias ao momento e ao movimento: "A Universidade brasileira ainda não evoluiu no que tange a democratização dos espaços de tomadas de decisão, ficando ainda refém de estruturas de decisão atrasadas e de interesses particulares, não contemplando com igualdade os segmentos que compõe as nossas universidades. Necessitamos de uma reviravolta na democracia interna."

REITORIA OCUPADA DA UNIVERSIDADE DE SANTA MARIA, comunicamos que nosso novo Movimento Estudantil ganha força com o apoio de vocês.

Hoje, o governo do nosso Estado usou um tipo de Decreto nunca antes utilizado. Podem observar, enquanto os outros Decretos extrapolam o número 51.000, o "abafador" Decreto Declaratório possue o honroso número 01. Ato executivo inédito. Disfarça que mentiu para nós: "O governo, o secretário Pinotti e os Reitores mentiram que não havia ataque à autonomia durante meses e agora tentaram recuar. Recuaram em alguns aspectos quanto às Universidades Estaduais (USP, UNESP, UNICAMP), mas calaram-se quanto à uma outra instituição de ensino superior público, a FATEC. Queremos esclarecer à população que a intervenção nas universidades para implementar um projeto de universidade atrelado aos interesses das empresas se mantém."

E mais, o governo mentiu para a população, assim como a grande mídia, que o engarrafamento causado ontem em nossa cidade foi nossa culpa. Declaramos que o nosso grande ATO (nosso,da UNICAMP, da UNESP e das FATECs) tinha trajeto comunicado às autoridades competentes, e, mesmo assim, fomos encurralados pela polícia em um local extremamente estratégico que gerou todo o caos no fluxo de veículos nas ruas da cidade de São Paulo, assim como fora dela. Parecem tentar jogar a opinião pública contra nós. Eles atacam um direito da sociedade, o direito de ter uma Universidade voltada para ela, e ainda, tentam colocar culpas excusas em nós, do Movimento Estudantil, que lutamos por esse direito.

Reiteramos: acreditamos que, historicamente, a dependência do nosso país fora consentida, depois passou a ser tolerada e atualmente configura-se como uma dependência desejada. Desejamos um projeto coerente de Nação em que a Educação pública, gratuita e de qualidade é um de seus pilares.

Nosso grito unívoco clama por um "Ensino Superior Público, Gratuito, de Qualidade, Democrático e Popular", e mais, CRÍTICO E AUTO-CRÍTICO!!! Mais uma vez, agradecemos tal MOVIMENTO ESTUDANTIL.

Polícia na USP é ‘mais do que autoritarismo’ , diz filósofa

A renomada filósofa Olgária Matos e outros 300 intelectuais firmam abaixo-assinado no qual rejeitam a 'ação violenta de desocupação do prédio [da Reitoria]' da USP. Para ela, os estudantes deram 'uma aula de democracia ao poder instituído na universidade'.

SÃO PAULO - Signatária de um abaixo-assinado que pede novas negociações da reitora Suely Vilela com os estudantes que ocuparam a Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, em São Paulo, a professora titular de Filosofia, Olgária Matos, chama de “absurda” a hipótese de a Tropa de Choque realizar o despejo forçado da ocupação. Olgária é especialista em filosofia política e História da Filosofia, com enfoque no iluminismo. Ela lançou livros como “Discretas Esperanças”.

Assim como Olgária, outros 300 professores da USP assinam a petição e rejeitam “qualquer ação violenta de desocupação do prédio [da Reitoria], tendo em vista a justeza de sua causa política em defesa da universidade pública”. Dentre os que assinam o documento estão os professores Antonio Candido, Alfredo Bosi, José Miguel Wisnik, Marilena Chauí, Franklin Leopoldo, Luiz Tatit, Paulo Arantes, Maria Victoria Benevides e Leda Paulani.

“Em vários países do mundo, a universidade está a salvo das ingerências policiais, porque ela é a única capaz de garantir pensamento livre”, diz Olgária, para quem as “novas idéias” não podem ser limitadas.

“É claro que muitos professores não acham [a ocupação] uma atitude que deve ser promovida ao status de arma política ou forma de luta política”, pondera a professora. Porém, ela faz questão de lembrar que “enviar a Polícia Militar, neste caso [de ocupação], é como intimidar um movimento civil, intelectual e político dos estudantes”.

Confira, abaixo, a edição das melhores partes da entrevista:

Carta MaiorComo a senhora vê uma provável desocupação da reitoria da universidade mediante uso da força policial?
Olgária Matos – Seria gravíssimo se isso viesse a acontecer. Parece-me que o significado das reivindicações dos estudantes é legítimo, o que deve ser discutido com a Reitora e não com a Polícia Militar.

Acredito que esta ocupação foi uma fórmula para estes jovens darem uma aula de democracia ao poder instituído na universidade. Eles devem ter consciência total ou parcial do que está acontecendo, e assim se faz o difícil aprendizado democrático que as autoridades universitárias não conseguem entender.

CM - A senhora, que tem uma longa história na universidade, já presenciou este tipo de ação da Polícia Militar dentro do campus?
Olgária - Eu só me lembro da ocupação do prédio da Maria Antônia [batalha ocorrida em outubro de 1968 entre estudantes de Filosofia da USP e da Universidade Mackenzie]. Foi o dia mais triste da história desta instituição e de todas as universidades do Brasil, se você quer saber.

CMQual o significado simbólico da presença da Polícia Militar no campus? Trata-se apenas de autoritarismo?
Olgária - Não é autoritarismo, é pior. Porque quando há autoritarismo, ele previne muitas vezes o uso da força policial, porque já faz [implicitamente] o papel de polícia. Não é que os policiais sejam maus. Mas o que significa a presença da polícia armada dentro de um campus, sendo que as nossas únicas armas são os livros e o pensamento?

É muito grave, porque se ocorrer isso, serão armas desiguais, e o recinto universitário é um lugar que fica distante do conflito armado urbano. Enviar a Polícia Militar neste caso é como tentar intimidar um movimento civil, intelectual e político dos estudantes. Seria responder a isso com a força bruta, então é totalmente absurdo.

CMA senhora diz que as reivindicações são legítimas. O que pensa da ocupação na Reitoria?
Olgária - Eu acho que os estudantes que lá estão têm consciência de que eles não representam todos os estudantes, todos os professores e todos os funcionários da universidade. Se eles discutiram e na dinâmica do movimento estudantil foi decidido assim, não cabe a nós julgar.

Não sei, mas talvez eles se sintam desatendidos e não encontraram quem intermediasse as suas reivindicações. Acho que [ocupar] foi uma atitude extrema, mas toda esta politização amadurece e ensina. Todas as reuniões, estas discussões, tudo isso esclarece a consciência dos atos dos alunos. Isso amadurece a vida política da universidade e dos estudantes. Antes de avaliar se é legítimo ou não, acho que vale olharmos a politização que o ato teve e em como isso vai ficar na história da universidade.

CM - Existe um consenso dentre os professores de que utilizar a força policial para fazer a desocupação da Reitoria é desnecessário?
Olgária - Os professores não querem violência na desocupação. O que não é consenso é sobre a ocupação ou não da Reitoria. Há professores que crêem que ocupar este prédio é um excesso de ativismo. Simbolicamente é um lugar muito importante, é o lugar da autoridade, a Reitoria, que é necessária para coesão de toda a vida universitária.

É claro que há muitos professores que não pensam que [a ocupação] é uma atitude que deve ser promovida ao status de arma política ou forma de luta política. Agora, parece que as últimas gestões da Reitoria e das direções dos cursos vêem os estudantes como uma parte desprezível ou secundária na vida universitária. Na verdade, a razão de ser da USP é a docência e a pesquisa, que não são duas coisas separadas.

A docência existe, então é essencial existirem aulas. Eu acho que os estudantes são a matéria nobre da instituição, e vejo uma desconsideração [da Reitoria].

Se a reitora Suely Vilela marca uma audiência pública e não pode aparecer [primeira razão do protesto dos estudantes], ela deveria enviar alguém, um representante. Os estudantes não estão [fazendo a ocupação] em uma causa vazia. Eles querem defender a universidade. Em vários países do mundo, a universidade está a salvo das ingerências policiais, porque ela é a única capaz de garantir pensamento livre. As novas idéias não podem ser cerceadas.

Então você tem que responder intelectualmente ao movimento estudantil, que está fazendo uma defesa da autonomia universitária. Não é só autonomia orçamentária, mas é de pesquisa e de deliberações. É uma questão de filosofia política séria. E mais: é uma questão de dignidade institucional. Não dá para inverter uma lei que foi conquistada com muita luta dos docentes, depois de um longo período de ditadura. Ou seja, estes decretos causam uma reação instantânea de quem entende o que é a universidade.

A sociedade brasileira entende mal o papel de uma universidade, infelizmente. Nosso país tem elites avarentas no seu conhecimento, que não querem compartilhá-lo com a sociedade. A universidade é mal-entendida, por isso há espaço para a reitora Suely não se dispor a negociar mais. Até agora, os professores tentaram fazer algumas comissões para negociar com ela. Mas Suely não recebe nem estes grupos, formados às vezes por professores universitários e intelectuais renomados.

CMA senhora acredita que os decretos de fato ferem a autonomia universitária?
Olgária – Claro que ferem! Só a idéia de ter um decreto já fere a autonomia. Não dá para dizer o contrário quando existe uma rotina consolidada na universidade mais importante da América do Sul, e que acaba alterada desta forma.

A universidade sabe o que faz, o que precisa e o que conduz. Ela presta periodicamente contas ao governo, e sabe a dinâmica de seus cursos, de suas publicações, de suas relações com docência, pesquisa, extensão, os congressos, as relações com outras universidades, com o ensino superior estrangeiro. O governo que está fora dela vai deliberar se o que a universidade faz está correto ou não, se tem qualidade ou não?

O governo é uma instância burocrática político-administrativa externa à universidade, que tem que dialogar. Mas não é na forma de decreto que se cria esse diálogo. Fazer os decretos é uma expropriação das práticas e consciência universitária, isso é gravíssimo.

Estamos vivendo o fim da universidade pública, gratuita e de qualidade. Não é um ataque isolado. Trata-se de um processo maior do que o governo de José Serra (PSDB-SP), que é só um emissário desta situação [de mercantilização] das universidades.

 

Veja a programação dos Próximos dias!

 

sexta!

14h30 - Cultura de greve com Olgária Matos

             16h -  debate: Autogestão e Movimento estudantil

                         18h - Assembléia dos estudantes da USP

e depois..

BNegão 

JB Samba

Churrasco, breja, e afins! 

 

 

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