Il Pleut Sur
L’Université
Hoje é um dia cinza e triste, Il
pleut sur L’Université!
Na calada da noite, sem testemunhas, no mais puro estilo autocrático
digno dos tempos da ditadura, a força tática e a tropa de choque da polícia
militar, com a conivência presente do diretor da Faculdade de Ciências e
Letras da Unesp/Ar., Cláudio Gomide, executaram a reintegração de posse
do prédio da diretoria do Campus de Araraquara.
Contra a truculência, as armas e o aparato repressivo da polícia de
choque, o olhar digno dos rostos dos estudantes que bravamente defenderam e
continuam a defender a Universidade pública gratuita e de qualidade.
Contra a proposta de diálogo, os cassetetes. Contra os
argumentos dos estudantes, a prisão e o
4° Distrito Policial !
Este fato demarca águas e campos na história das Universidades
Estaduais Paulistas. Nunca, nem mesmo nos tempos mais duros dos anos de
chumbo, uma autoridade acadêmica utilizou-se da força policial contra
reivindicações estudantis. Particularmente na Unesp, onde vemos uma crescente
“criminalização” do movimento estudantil, onde o diálogo e a tolerância
democrática vem sendo substituídos por punições, expulsões e agora, em seu
clímax, a Tropa de Choque no Campus!
Mais que inaceitável, tal ignomínia não somente assinala o caráter de
um governo que se empenha desesperadamente em cumprir acordos inconfessáveis
de privatização do ensino superior paulista como ― e o que se constitui no
ponto de maior gravidade ―, aponta para a cooptação e a adesão por parte de um
segmento dos professores à política de desmonte da Universidade pública.
Há todo um contexto nessa ação despropositada perpetrada no Campus da
Unesp de Araraquara. É o início da fase repressiva do governo estadual para
com os movimentos estudantis e dos funcionários do serviço público.
Especialmente das Universidades, onde se encontram os núcleos de
resistência mais conseqüentes. A construção de uma base política de Serra
nas Universidades públicas é parte significativa para a “legitimação” da
repressão e do desmonte. O apoio da mídia ― que vocifera diariamente contra as
“badernas” estudantís ― e a aceitação irresponsável por parte dos reitores das
“explicações” esfarrapadas do sr. governador constituem um aríete importante
da ofensiva privativista sem precedentes do governo José Serra, contra as
Universidades públicas do Estado de São Paulo.
Frente a isso, e aos novos acontecimentos, emblematizados na ação
repressiva de Araraquara, não podemos vacilar e tampouco tergirversar. As ADs
das Universidades públicas paulistas e o Fórum das Seis devem se pronunciar
repudiando duramente essa ação autocrática e lesa-Universidade contra os
estudantes. Mais do que isso, devemos discutir em nossas assembléias o que
fazer diante de tal truculência e insanidade. Como educadores temos a
obrigação de refletir com profundidade sobre o significado desse ato. Agora,
“dialogam” com a tropa de choque contra os estudantes, depois, serão as
punições institucionais contra professores e funcionários que se atreverem a
questionar as atitudes da burocracia acadêmica e do governo de São Paulo. Na
próxima greve a interlocução “acadêmica” poderá ser realizada com a polícia de
choque e no distrito policial.
É na continuidade do nosso movimento que devemos responder a um ato que
inicia a nova fase de “diálogos” de Serra com a Universidade pública: a do
prendo e arrebento. Calados, seremos coniventes. Mobilizados
manteremos nossa luta contra o desmonte e a privatização das Universidades
Estaduais Paulistas.
Com a palavra, o movimento!
Antonio Carlos Mazzeo
Prof. Adjunto do Departamento de Ciências Políticas e
Econômicas
Faculdade de Filosofia e Ciências – Unesp/Marilia